Sobre aqueles que deixei para trás
Reflexões sobre uma vida amorosa complicada
A combustão espontânea
Ele era dinamite. Nossos olhares se cruzaram e sabíamos que queríamos nos ter. Um chamado de pele. Ao fechar os olhos, consigo lembrar de sua boca passeando pelo meu corpo. Nossa conexão era insana. Muitas palavras já foram ditas. Muitas juras de amor trocada. E por mais que lembrar de tudo seja sempre reviver as explosões de tesão, elas também trazem um gosto amargo à boca. Como uma bela rosa, visualmente é linda. Mas ao chegar mais perto e encostar, os espinhos machucam. Assim é ele. Assim somos nós juntos. E se tem algo que aprendi nesses mais de 30 anos de vida é que se trás dor, não me serve.
A conexão imediata
Quando menos esperava, ele apareceu. Insistiu. E no primeiro beijo, a pele falou mais alto. Ao nos conhecermos, vimos que éramos iguais. Iguais até demais. A conexão mental era algo perfeito. Nunca imaginei que em algum momento, me ligaria dessa forma a alguém. O relacionamento mais perfeito e com mais respeito da minha vida. Mas conexão não é tudo. Uma hora, as diferenças aparecem. Diferenças essas que se provaram demais para nós. E assim, ele se foi.
O rapaz comprometido
Todas nós temos ao menos um exemplar desse na nossa vida. Um homem comprometido que diz coisas o tempo todo. Que se mostra um amor de pessoa. Que te apoia. Que seria o cara ideal. Não fosse pelo bambolê de metal na mão. Não digo que não caí na lábia dele, afinal ele é muito bom nisso. Mas cansei. E como já dizia a música, “amante não tem lar.” Ainda bem que recobrei minha consciência antes de ter sequer encostado meus lábios nos dele. Eu mereço mais.
O tarado
O sexo era incrível. E frequente. Fantasias, fetiches, ele fez de tudo para realizar tudo. Contudo, com o tempo as coisas ficaram vazias e uma verdade veio à tona: era somente isso. E eu não quis ser somente um corpo na cama dele.
O amor de infância
Ele não foi meu primeiro beijo. Mas eu fui o dele. Lembro de corrermos pela locadora de VHS por conta de O Silêncio dos Inocentes. Lembro do frio que fazia naquela noite de inverno. Onze de julho. Chuva. Eu estava com meu blusão de lã do Pateta. Ele usava um casaco que cabia a nós dois. Foi um beijo desajeitado, também pela diferença de altura de quase 30cm. Ele cantou para mim. Até hoje, ouvir “The Maiden and the Ministrel Knight” me trás lembranças daquela noite. “In the End” nunca mais foi a mesma depois daquela tarde onde choramos enquanto fumávamos e decidíamos não mais ficar. Ainda hoje, quando volto à minha cidade natal e passo por alguns dos locais que frequentávamos, é impossível não lembrar. A tal locadora não mais existe, mas a lembrança dela ainda está ali. Eu o superei há quase vinte anos. Mas de alguma forma, muitas vezes o pensamento volta para ele. Meu primeiro amor. Nos encontramos anos depois em aplicativos de relacionamentos. Mas a coisa não saiu de um “você por aqui”, seguido de match desfeito. É melhor assim. Algumas coisas são muito melhores quando guardadas apenas na memória.
Aquele que não sei quem é
Eu não o conheço. Ainda.
