puta

tomo uma cápsula e colapso.

sua capa cola no compassado e apressado passo da língua e do impacto.

Impacto pesado, em meu corpo usado.

sem bússola ou acaso,

capoto no inchaço da cachaça e do chão do passado.

passa-me tudo ao lado.

passado carrasco

carrapato,

que me suga o sangue do prato

e os segundos que carrego no sapato alto calçado.

vou aguentando o fardo.

farta.

faturada.

saturada.

impura.

em pé pendurada na rua.

emputarizada!

E em puta risada, engulo a estrada; engulo a noite longa.

Sou songa-monga sem vergonha,

que nem a ver ganha

tamanha coragem de ser

sem manha,

de fronha em fronha,

no despe e veste,

não se ajeita nem se engenha

de manhã a manhã.

às sete amanhece

e se é tempo, é festa.

de pressa a cama se enfesta,

de peste sem prece,

ou espécie.

onde tudo acontece; onde nem tudo presta.

à noite tudo se repete.

se empresta.

e tudo se esquece.

esquece-me.

às outras sete é a sesta.

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