O que você quer ser?

Crescemos ao som da insistente pergunta: “o que você quer ser quando crescer?”, e mesmo sem saber o que talvez fosse realmente o “ser”, sempre tínhamos algo a responder. Queríamos ser médicos, professores, bombeiros, astronautas, ou qualquer outra profissão que víamos pela TV ou em nossos desenhos animados.

O tempo passou, a gente cresceu, e algo incrível aconteceu. Hoje, já maduros e adultos, ora, não sabemos o que queremos. Mas para onde foram àquelas crianças decididas, cheias de vontade e determinação? Onde enterraram nossos sonhos e profissões? É meu caro, também gostaria de saber.

Confesso que só depois de grande é que fui perceber o quanto essa pergunta boba, era na verdade, uma pergunta tão forte e maldosa a se fazer. Nós não sabíamos o que queríamos, éramos apenas crianças, 5 ou 6 anos. A gente na verdade, queria era ser criança, e talvez ali morasse a magia e determinação de nosso querer, a gente podia ser o que a gente quisesse ser.

Mas acontece que a gente cresceu, e já não somos mais nós que determinamos o que queremos. Irônico. Por que se quando pequenos e dependentes tínhamos autonomia, e agora quando adultos, temos que ser o que nos mandam?

E exigem muito, não podemos somente ser, temos que ser e ser e ser e ser, assim mesmo, ser sem parar. Ter curso superior, pós e um mestrado, você não pode só ter estudado, pra ser de verdade, tem que ser “Doutor”. Não podemos ser em uma só língua, temos que ser em inglês, espanhol, francês e quantos mais forem necessários.

Fonte: Google

O ser não pode se resumir a um simples país ou estado, você tem que ser é viajado, ser em todos os lugares, quase um deus onipresente. E se por acaso você pensa em ser em um apê bem apertado com um carro ultrapassado, lamento lhe dizer, você não poderá ser.

Pra ser de verdade, tem que ser com carro do ano, com roupa da grife, e em emprego milionário, um bem sucedido do caralh#. Isso sim é ser, o filho da fulana é, seu amigo também foi, mas e você? Não vai ser?

E afinal, o que você quer ser? Seja algo, por favor! Ah você não sabe, pois é, nem eu. Quase me perco nesse emaranhado de ser ou não ser, e me questiono, então não sou? Vivi até hoje uma mentira, um anônimo registrado? Tenho medo da resposta.

Somos intitulados, “a geração que não sabe o que quer”, e nos classificam, sem ao menos ouvir nossas respostas, sem ao menos saber o que significa em nossa verdade, o verdadeiro ser.

Não sou, não quero, não sei, minha vontade é de ir embora e largar tudo isso, me pego pensando outra vez, mas ir para onde? Para ser o que? Para ser o que eu quero ser! Mas se sei o que quero ser, porque não ser aqui? Agora? Hoje?

E concluo, chega de confusões. Eu descobri o que eu quero ser. Eu quero ser o que sou, é isso, simples. Me basta ser eu, eu quero ser e fazer exatamente o que estou fazendo agora, e agora eu estou falando com você que é, e não com um alguém que um dia vai ser.

A gente é muito, pra se resumir a tão pouco.

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