Encontro.

O gosto amargo do conhaque em conjunto com a lembrança da sua mão quente no meu rosto frio, aquilo doía… Céus, como aquilo doía. Eu agora estava parado em frente ao rádio, nele tocava a nossa música, irônico ou até mesmo clichê, mas ainda sim, era real. A solidão me abraçava tão forte, como eu queria te abraçar, ela me beijava da mesma forma que eu queria ter te beijado na ultima vez que nos vimos. Aquele encontro, Deus… Eu nunca me senti tão fraco, ao te ver. Eu nunca me senti tão impotente. Suas mãos tocavam as dele, seus olhares se cruzavam de uma maneira que nunca existiu entre nós. Tentei não olhar, tentei mudar meu caminho, mas qualquer esforço que eu pensei em fazer, me levaram de frente para vocês. Minhas pernas lutavam contra mim, meu coração brigava para sair do meu peito, mas ainda sim, eu passei por vocês. Ainda sim, eu sorri para você. E o pior, você sorriu de volta, você me abraçou e me apresentou para ele. Perguntou como eu estava e a pior parte não foi mentir sobre isso, mas foi ver o quanto vocês dois combinavam. Por fim, me despedi e segui meu caminho, com um sorriso no rosto (e com as lágrimas brotando nos olhos). Quando virei a esquina e cheguei ao meu apartamento, desabei, deitei sobre o sofá onde nós fizemos amor pela primeira vez e chorei. Abracei as almofadas que você amava (na procura pelo seu cheiro) e chorei. Me levantei e fui para a varanda e chorei, pensando na noite em que observamos as estrelas, a mesma noite em que eu dei o seu nome para uma. Na mesma noite em que brigamos. Na mesma noite que eu te pedi para sair da minha vida e a mesma noite, pela qual eu vou me arrepender para o resto da minha vida. Pois eu te mandei embora, mas você não foi embora de mim.