Novas ferramentas para enxergar o novo jornalismo

Os tempos mudaram. No passado transmitir informações para outras pessoas exigia tempo, além de paciência e disposição para que a mensagem chegasse ao receptor de forma plena.

Com a era da informatização, outras áreas de atuação transcenderam entre elas a do profissional jornalista. A era do jornalismo 2.0 (termo criado para se referir a um novo formato de produção de conteúdo), modificou o “fazer jornalístico”, isto é, atualmente poucas ferramentas são necessárias para informar, basta um clique no botão “enviar” e a mensagem será transmitida para uma infinidade de pessoas.

Para Shirky, (2011, p. 90), “Quando alguma coisa nova e surpreendente acontece, queremos uma explicação, e em geral recorremos a algo relacionado à novidade”, ou seja, essa mudança vem acontecendo não em virtude exclusivamente das tecnologias, mas de uma forma de compartilhar conteúdo que possa agregar informação para todo e qualquer tipo de pessoa por meio de tecnologias.

Esse conceito permitiu que alguns aspectos considerados imutáveis no jornalismo 1.0 fossem readaptados dando espaço a um modelo que temos hoje, o do midialivrismo, no qual qualquer pessoa pode participar no processo de informação. Aplicando esse método ao cotidiano, quantas vezes você não viu um buraco na rua sem sinalização adequada ou presenciou um acidente e resolveu tirar uma foto para informar as outras pessoas sobre o acontecimento e mandou para um site de notícias ou publicou nas redes sociais?

Níveis altos de interatividade, comentários, edição contínua, feita por pessoas não necessariamente com formação especializada caracterizam esse novo modelo de negócios que tem crescido. Mas se pensado do ponto de vista financeiro, qual é o objetivo de produzir e distribuir informação sem haver um retorno financeiro ao editar um artigo na Wikipédia, ou colocar um vídeo no Youtube?

Shirky, autor do livro A Cultura da Participação (2011, p. 93) explica que sentir-se parte de um grupo, pode aumentar a produtividade, bem com a competência ao gerar os resultados necessários. Neste sentido “as pessoas que fazem parte de uma rede em que se tornam melhores naquilo que amam tendem a permanecer nessa rede. À medida que a capacidade do grupo de aprender e trabalhar junto se fortalece, ele atrai mais participantes”, tal advento de forma sistemática é julgado como uma ferramenta que em um primeiro momento não possui serventia, afinal, porque atuar em um modelo de negócios que não fornece subsídios financeiros, mas ela pode ir muito além, ao ampliar possibilidades de atuação e posteriormente em se transformar em uma fonte de renda patrocinada por grandes empresas.

A cobertura das manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus em junho de 2013 feita pela imprensa independente, mídia ninja, revolucionou o formato de divulgação de um acontecimento ao ser transmitido 24 horas por dia em tempo real na internet, desconstruindo a ideia inicial divulgada por mídias tradicionais de que os manifestantes eram vândalos.

Verdade seja dita, o modelo de como o jornalismo do passado era feito, e como está sendo reformulado, por meio da participação colaborativa, tem impactado no jornalismo que temos hoje, no qual a qualidade e rapidez que as informações chegam ao público-alvo acontece de forma plena e muito mais efetiva. Para transmitir uma notícia é necessário pensar fora da caixa, e se uma das formas para isso acontecer é desbravar novas fronteiras e a cultura participativa é uma das possibilidades: sigamos à diante. Ganham as pessoas, a disseminação da informação e principalmente o jornalismo.