Instantaneamente, num instante as coisas mudam. Aceita. Num instante eu pisco o olho, eu coloco ar para dentro dos pulmões, eu digito sem parar. Num instante leio uma frase, olho pra alguém e ignoro outro. Num instante abro um sorriso. Em algum outro tenho vontade de gritar. Num instante eu fico mais velha, mais sábia, mais chata. Um instante é um instante a menos de vida. Ou um a mais? Num instante a gente machuca. Machuca o dedo, bate a cabeça, grita com o outro. E num instante, sem cinto ou por obra do destino, a gente desliga. E para de respirar.

Em algum outro instante alguém grita que nasceu. E chora. Em um instante o mundo acaba. O meu mundo acaba. Ou o seu. E levam tantos outros instantes pra reconstruir. As certezas deixam de ser certas, as felicidades não parecem mais tão felizes. E num instante o tempo passou. E não é que eu esqueci de lavar a louça? Que importa.

Leva uma porção de instantes, às vezes, pra gente gostar de alguém. Em outras leva só um. Um instante é algo rápido e quase que ninguém percebe. E rápido pode ser lento para um, veloz para outro. O instante depende. E marca.

Um instante é quente ou gelado, é preto ou branco. É fim ou recomeço. Fim. Recomeço. Fim. Recomeço. Fim do recomeço. Recomeço do fim. Fim. Recomeço.

(16/04/2014)