(Porto Alegre, agosto de 2015, Brasil)

essa semana tombou um caminhão cheio de porcos de determinada empresa, que seriam abatidos. parece que tentaram levantar a “carga”, o que não deu certo, causando mais estresse e sofrimento para os animais. muitas pessoas se sensibilizaram (eu, inclusive), pois a situação com os animais era bizarra, pra não dizer algo pior.

hoje um carro, na av. ipiranga, atropelou os garis que ali estavam fazendo o seu trabalho. os relatos são inúmeros e acidentes acontecem. eu costumo dizer que acidentes são reuniões de causas extra com circunstâncias não extra. por exemplo, beber e dirigir é assumir o risco de cometer um acidente. porém, pegar o carro todos os dias de manhã também é correr o risco de cometer um acidente.

vivemos tempos em que, além da enorme falta de informação, embora toda a informação esteja a um clique das nossas mentes (olha que curioso), somos absolutamente culpados por todos os erros possíveis de se cometer em sociedade. fruto da intolerância, claro. eu não quero saber o que aconteceu, mas vou culpar a empresa e o motorista do caminhão dos porcos pelo acidente. não interessa o que aconteceu, mas se alguém atropelou um grupo de trabalhadores pela manhã, é culpado e merece morrer.

não. gente, não.

esse pensamento é equivocado e, de novo, fruto da intolerância e do ódio. da falta de ouvidos e atenção. a gente lê, mas não compreende, olha, mas não enxerga, ouve, mas não escuta. a gente agride e acha que não teremos consequências. a gente não acredita mais na justiça e em quem deveria fazer justiça pela gente. a gente julga o tempo todo, mas não quer ser julgado. e a gente acha que todo mundo que não vive como a gente será culpado até que prove o contrário.

parece que o senhor que atropelou tem 66 anos, toma remédios para o coração e teve um mal estar. a ciência comprovou que ele não estava embriagado. além de conviver com a dor de atropelar duas pessoas, uma que está com risco de morte no hospital, ele teve o carro jogado no dilúvio e foi agredido.

é como disse o mooji, “se você acha que é mais espiritual andar de bicicleta ou usar transporte público para se locomover, tudo bem, mas se você julgar qualquer outra pessoa que dirige um carro, então você está preso em uma armadilha do ego. superioridade, julgamento e condenação. essas são as armadilhas do ego.”

e o ego é um poderoso destruidor.