Jogos Tradicionalistas: Bocha

Entre as principais tradições do Rio Grande do Sul, há uma que é passada de geração em geração, e praticada semanalmente nos Centros de Tradições Gaúchas (CTG’s): os Jogos Tradicionalistas. A bocha é um esporte que abrange todas as idades e pode ser formada por equipes masculinas e femininas. O jogo da bocha, ou boccia, é uma das atividades trazidas pelos imigrantes italianos há quase um século e meio, e considerada um dos jogos mais simbólicos do tradicionalismo gaúcho.

O jogo é disputado entre duas equipes, sendo seis bochas para cada equipe na modalidade trio; quatro bochas na modalidade dupla, duas para cada atleta; e quatro na modalidade individual, na qual dois jogadores, um de cada equipe, se enfrentam individualmente. O objetivo do jogo consiste na marcação de pontos, através do lançamento das bolas, a fim de que elas se aproximem de um ponto, determinado aleatoriamente pelo lançamento de um objeto, o bolim. O jogador ou equipe vencedora é aquele que conseguir aproximar mais bochas do ponto estabelecido e, consequentemente, conseguir conquistar mais pontos.

Em São Borja, a bocha já é praticada a cerca de quatro décadas, tendo início na época em que o esporte estava em seu auge no Brasil. As primeiras canchas de bocha criadas na cidade são a da Associação dos Funcionários Públicos Municipais (AFPM) e a do CTG Tropilha Crioula. No dia 1º de maio de 1987, foi inaugurados o Departamento de Bocha do Clube Nativista Boitatá juntamente com a cancha, tendo Rodir Schimidt como seu primeiro diretor. Rodir, que atuou por quatorze anos como diretor do Departamento, relembra o quanto o esporte era conceituado a algumas décadas atrás: “Nós fundamos a Liga São-borjense de Bocha, onde começamos a ajudar e incentivar os outros clubes a construir as canchas. São Borja chegou a ter onze canchas sintéticas de bocha. Havia mais apoio, participavam (dos campeonatos) cerca de nove ou dez clubes da cidade, praticamente todo o estado participava”.

Ao contrário do que se pensa, o jogo não se restringia apenas ao público idoso, as equipes também eram formadas por jovens de todas as idades. O jogo também nem sempre foi predominantemente masculino, há registros de inúmeras equipes compostas por mulheres, as quais também competiam em torneios pelo estado. Haviam diversos campeonatos estaduais, que fizeram com que equipes são-borjenses conquistassem quase uma centena de troféus, que podem ser vistos expostos nas paredes do Departamento de Bocha do C.N. Boitatá.

Durante muitos anos, o esporte que já foi tão famoso recebeu pouca visibilidade na cidade. As canchas apesar de estarem em ótimo estado, são ocupadas apenas como forma de lazer por veteranos. Ainda que existam torneios em outras regiões do país, no Rio Grande do Sul o esporte já não é mais tão popular. Rodir ressalta que a bocha ainda vive apenas nas cidades serranas, onde há mais iniciativa e recursos para promover tais eventos.

No entanto, nos anos de 2013 e 2014 foram realizados campeonatos na cidade de São Borja. A 1ª edição do Campeonato São-borjense de Bocha[link] aconteceu na AFPM, e a 2ª edição[link] no Centro Nativista Boitatá, ambos organizados pela Secretaria do Esporte e da Juventude[link].

O secretário do Esporte e da Juventude, Lucas Amaral, conta que a ideia de resgatar os campeonatos de bocha no município veio de algumas reuniões internas da secretaria com entidades tradicionalistas: “Nós levantamos essa ideia de realizar um torneio municipal com o objetivo de trazer de volta essa modalidade como um meio de integração, que por ser aberta a pessoas de todas as faixas etárias e ambos os sexos, tem uma participação muito grande do público. Então essa troca de experiências é muito importante para a nossa sociedade”. Sobre a questão da continuidade dos campeonatos, Lucas fala que é preciso haver um diálogo entre os clubes que possuem canchas de bocha, e um planejamento por parte da nova gestão da secretaria do Esporte e da Juventude, que irá iniciar agora.

Confira a reportagem completa:

Confira a galeria de imagens:

Like what you read? Give Michelle Franco a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.