Geração #NoFilter: adolescentes brasileiros e o futuro da tecnologia

Dados mostram que 68% deles se sentem mais ansiosos e solitários quando separados da internet do que quando estão longe de seus familiares

Ontem, eu estava escutando no rádio (sim, eu ainda escuto rádio ❤) uma entrevista com o jornalista Augusto Nunes, apresentador do programa Roda Vida e perguntaram a ele qual o futuro dos jornais e outros veículos impressos. A resposta foi mais ou menos assim: “você vê hoje algum adolescente segurando um jornal ou uma revista? Não. É tudo digital. O futuro está no celular”.

Concordo com o Augusto desde o meu primeiro estágio na redação de um jornal, isso em 2009. Passados sete anos, algumas pessoas ainda resistem a este fato, mas isso é negar uma verdade que bate na porta há tempos.

A geração que carinhosamente apelidei de no filter é a galera dos vídeos, da realidade sem filtros (assistam algum vídeo do maior youtube do Brasil, Whindersson Nunes, e vocês vão entender o que estou falando. O cara filma dentro do quarto, sem camisa, sem edição e hoje tem mais views do que o Felipe Neto ou a Kéfera), das caretas de manhã no Snapchat ou que conta numa boa que soltou gases ~~mal cheirosos~~ na balada. Eles ainda crianças, ganharam o primeiro celular com alta tecnologia.

Dos 10 youtubers mais influentes do mundo, 4 são brasileiros, de acordo com análise de dados realizada pela Tubular Labs. Uma pergunta: quanto tempo você passou nos últimos 7 dias vendo séries no Netflix, vídeos no Youtube, acompanhando os amigos no Instagram Stories, no Snapchat ou simplesmente descendo a barra de rolagem da sua timeline no Facebook? Pois é.

Um estudo global sobre o comportamento e expectativas dos adolescentes de hoje (de 15 a 18 anos) ouviu brasileiros e comprovou a tamanha importância e significado que tem celular, likes, compartilhamento, views…a INTERNET para eles.

  • 55% dos jovens brasileiros acreditam que seu smartphone os tornam mais espertos e mais legais;
  • 62% checam suas redes sociais assim que acordam.

Você é daqueles que julgam as pessoas que usam muitos emojis em conversas? Pois veja este dado relacionado aqueles que contribuirão para sua aposentadoria:

  • 51% dos jovens brasileiros dizem que preferem usar emojis porque esses expressam como eles se sentem melhor do que palavras.

A parte fofa da pesquisa:

  • 64% acredita firmemente que acesso à internet deveria ser um direito humano.

Dados do IBGE de 2014 indicam que 95,4 milhões de brasileiros têm acesso à internet e que mais da metade dos domicílios brasileiros fazem parte desta estatística. Sendo assim, ainda não é um direito humano, mas quem sabe um dia ¯\_(ツ)_/¯

  • 68% dos adolescentes são mais propensos a se sentirem ansiosos e solitários quando separados da internet do que quando estão longe de seus familiares!;
  • A maioria assiste filmes (69%), TV (56%) e ouve música (69%) via streaming.

E eles (e nós) fazemos isso ao mesmo tempo. A segunda tela segue forte e crescente no Brasil. Mas diferente da TV, na internet assistimos o que queremos, na hora e onde queremos. Aquela palavrinha linda que nós e os adolescentes amamos tanto, chamada liberdade! Poder escolher e personalizar o conteúdo é tudo.

Sabe qual empresa a geração no filter mais gosta? Google (68%). Em seguida, WhatsApp (66%) e Facebook (57%).

A próxima informação aponta o porquê o Snapchat se tornou queridinho dos adolescentes:

  • 61% quer serviços interativos que ofereçam opções de design com as quais eles possam “brincar”.

Agora a parada vai ficando séria, tipo a série Black Mirror (Netflix). Se você ainda não viu, corre lá depois de ler este texto, SÉRIO ;)

  • 68% espera que seja oferecido a eles tecnologia de impressão 3D para criar seus próprios acessórios tecnológicos;
  • 71% espera que seja possível visitar novos países usando realidade virtual;
  • 88% dos adolescentes no Brasil gostaria de ter um dispositivo conectado à internet dentro DOS SEUS BRAÇOS! ;
  • 44% enxerga isso como um substituto dos seus smartphones;
  • 75% acredita que muitos empregos serão tomados por robôs e 26% acredita ainda que um robô será seu melhor amigo.

Chega a parte onde quem tem mais de 25 anos vai se sentir com 77

  • 49% dos jovens brasileiros entrevistados ou nunca usaram (ou não lembram de ter usado) um orelhão (telefone público) ou ainda enviado uma carta escrita à mão;
Isso na barriga deste animal se chama orelhão. Ele fica em frente ao zoológico de Brasília.
  • 71% nunca ouviu (ou não lembra de ter escutado) música em um disco de vinil (isso porque uma galera ai tentou ressuscitar os queridinhos vinis, mas acho que não rolou muito bem né).

E para finalizar os dados da pesquisa, o número que retrata o que o jornalista disse na entrevista que escutei no rádio:

  • 32% nunca comprou (ou não lembra de ter comprado) um jornal ou uma revista impressa.

As empresas de comunicação precisam estudar esses dados e olhar para novos modelos de negócios, quem sabe assim recuperar a relação com os jovens, os leitores, colaboradores do futuro. A informação digital, as redes sociais definem hoje a forma como todos nós, que estamos tão imersos nisso, enxergamos os outros e tudo ao nosso redor.

E acredito que a tendência desse poder da internet, da tecnologia nas nossas vidas só aumente. A galera que nasceu até os anos 90, ainda tenta impor um limite para não perder o “laço real” das amizades. Mas esses adolescentes da pesquisa parecem não se importar muito com isso. Será?

Digo com certeza que o online tem mais influência nas nossas vidas do que aqueles encontros familiares que rolam uma vez ao mês. Observem que disse influência, não importância. E não vejo isso de forma triste, mas como uma adaptação da realidade a qual estamos inseridos.

Escreva uma resposta para compartilhar sua opinião à respeito. Se gostou do texto, clique no ❤ aí embaixo ou poste nas suas redes sociais. Fazendo isso, você ajuda este post a ser encontrado por mais pessoas.