Qual é o problema do Bombril?

Como alguém é capaz de falar mal daquela que está presente em nosso dia-a-dia. Ela é a responsável por manter nossas louças limpas e prontas para serem reutilizadas. Já ouvi dizer que ela serve para “1001 utilidades”.
Sua textura tem um propósito funcional. Não trata-se de uma escolha aleatória para fazer analogia com algo familiar. A esponja de aço cumpre seu papel e está presente em todos os lares. Não compreendo os motivos pelos quais as pessoas a comparam com os cabelos crespos de forma negativa. Será que alguma “dondoca” neste mundo nunca precisou utilizar um Bombril na vida? O que há de negativo nela?
Acredito que as atribuições negativas que são dadas para a esponja de aço, estão relacionadas ao ambiente que ela está inserida (ou seja, uma pia com várias louças sujas, e não um espaço elegante e gourmet da casa das “dondocas”). E, um ponto visto equivocadamente como negativo, que na verdade é positivo, é sua aparência que com o passar do tempo revela a ferrugem. Mas, poucos sabem, que isso é por uma questão sustentável de descarte para ela desaparecer na natureza sem deixar resíduos.
Curiosamente, isso me faz lembrar do mesmo preconceito com as domésticas/cozinheiras, que por “coincidência” grande parte são negras (considerando as PROFISSIONAIS que trabalham na casa dos meus amigos). É bastante comum, encontrar “dondocas” por aí, julgando a posição das domésticas e sua posição submissa na sociedade. Para as mais requintadas, estas PROFISSIONAIS devem utilizar uniformes para ficar evidente seu lugar e suas atribuições. E, jamais, seria o sonho de uma garota ocupar esta posição profissional, afinal, muitas “dondocas” julgam ser consequência e não uma opção.
Fico me perguntando, se não fossem essas PROFISSIONAIS, como seriam a vida destas “dondocas”? Elas iriam se sujeitar a lavar um banheiro, varrer a casa e/ou utilizar um Bombril? Acredito que não! Afinal, elas não podem estragar suas unhas. Pediriam para um familiar para realizar tal tarefa (não duvido que seria a mãe delas).
Compreendo que o preconceito existe, mas deveríamos ter cuidado com julgamentos equivocados e, principalmente, de pessoas “dita públicas”. Como sempre digo, não pedimos para nascer de tal maneira ou com determinada condição financeira. Por isso, o respeito é a base para um convívio social saudável. Não vivemos neste mundo sozinhos, dependemos intrinsicamente uns dos outros, independente da nossa posição social. Por exemplo, a “dondoca” precisa de uma PROFISSIONAL em seu lar para manter seu closet organizado, sua casa limpa e sua mesa de jantar impecável para receber seus convidados.

Ser negro, pobre, gay, paraplégico, etc não é uma opção! E, não é nenhum privilegio ser branco, hétero, rico. Todos nós temos nossas fraquezas e compartilhamos de um mesmo espaço neste mundo. Não levando em consideração nenhuma crença, mas acredito que cada um de nós, que fazemos parte deste mundo, temos um determinado objetivo e missão por aqui.
Apesar do objetivo e missão ser individual, ele se converge para um bem comum. E, quando presenciamos casos de “dondocas” que desdenham de uma artista e comparam seu cabelo com um Bombril, este individuo, com certeza, deixou de lado sua missão neste mundo. O que essa “dondoca” agrega ao fazer um comentário deste gênero em rede nacional? Não consigo compreender e acho que não devemos.
Ao invés disso, devemos apreciar a diversidade da nossa beleza. Ter orgulho de um país que possui diversas etnias em sua essência. Por isso, somos um povo receptivo e caloroso. Cumprimentamos uns aos outros, abraçando e com muita alegria. Não há frieza em nosso sangue, somos fervorosos e amamos tudo isso. O carnaval, por exemplo, é a nossa festa e nos representa claramente. Podemos desfrutar deste momento (data) de inúmeras maneiras: seja no sambódromo, na pipoca atrás do trio, nos bloquinhos de bairro ou na tranquilidade da natureza.
Com isso, não há fundamento algum para comparar o Bombril, e sua eficiência, com os belos cabelos crespos das negras e BRANCAS de nosso Brasil. Devemos respeitar os indivíduos e suas opiniões, desde que não envolvam outras pessoas. Fico feliz em ver meninas com cabelos crespos e cacheados abandonando os tratamentos químicos e fazendo a transição capilar. Elas estão usufruindo de suas belezas naturais, sem muito trabalho. Ou seja, estão respeitando e aceitando suas características genuínas. E, que venha o próximo carnaval!

Tenho consciência de tudo que passei pra chegar aqui, vim de baixo SIM, mas lutei MUITO pra chegar onde estou e o mais importante, com um trabalho digno e honesto e com o apoio de toda a minha família e amigos que tenho orgulho de tê-los comigo sempre! Tenho muito orgulho da minha raça e não vai ser qualquer pessoa que vai me colocar pra baixo por puro preconceito , SER CHIQUE É TER VALOR E NÃO PREÇO. Resposta de Ludmilla