A Propaganda é a alma da Campanha
Os Marketing defini as eleições antes do mesmo do resultado final

Gabriel Baltieri
Luiz Lordello
Ricardo Pilotto
Os novos candidatos tem que ter sua persona construída do zero, é como um produto que acaba de chegar ao mercado. O conceito descrito por Diego Martins, marqueteiro responsável pela atual campanha do candidato Beto Mansur, revela a elaboração do marketing político em ano eleitoral.
Para Diego o marketing político representa a decisão de uma eleição, não havendo possibilidades de vitória nas urnas sem sua ajuda. Sobre como imagem do candidato é trabalhada ele responde “O marketing não altera a personalidade do candidato, mas pode formatar o candidato para que ele abrace as bandeiras que acredita, se comunicando da maneira correta e expondo suas ideias a ponto de converter isso em votos“ relata. Um alerta também é feito para os que pretende disputar um cargo político “A aparência é importante, ela tem que comunicar com as ideias, não adianta o cara falar de uma maneira mais simples e usar relógios ou ternos exorbitantes”.
A personalidade forte do individuo também pode prejudicar o candidato segundo ele, muitos dos políticos brasileiros se recusam a escutar o conselho feito pelo departamento de marketing que os estão promovendo e consequentemente cometem gafes notáveis. Nestes casos cabe o profissional se distanciar do projeto, pois entendesse que não é possível ajudar tal sem cooperação, segundo sua opinião.
O marqueteiro ainda destaca o fato do processo divulgação de candidatura cargo político começar muito antes da transmissão do horário eleitoral, a chamada pré-campanha ganhou mais importância mediante as novas leis de propaganda eleitoral, pois passou a suprir o tempo reduzido em grandes veículos de comunicação.
As leis implementadas neste ano restringem os candidatos de divulgarem seus materiais de campanha antes do dia 16 de agosto, contudo é permitida menção a candidatura antes deste prazo, assim como participação em programas de TV ou Rádio, além de qualquer outro tipo de material midiático que o apresente aos eleitores sem necessariamente ter intenções de divulga-lo.
Martin afirma que esse novo elemento ocasionou uma busca por ferramentas de divulgação desvinculadas da grande imprensa, como é o caso da internet a qual proporciona milhares de seguidores todos os dias, em sua opinião as redes sociais exercem maior influência nestas eleições comparada à televisão. Gerando renovação política por meio dessas novas plataformas as quais ajudam a democratizar o processo eleitoral.
Questionado sobre o maior desafio de se fazer o marketing de um candidato com uma imagem já estabelecida, ao mesmo tempo em que busca renovar as ideias no cenário eleitoral. Diego responde “Você tem que encontrar o nicho do eleitor que se identifique com aquele candidato, sempre existe um a ser explorado, no Rio de Janeiro ainda tem eleitor do Cunha, em São Paulo do Maluf e no Brasil tem do Lula. O marketing tem que potencializar esse segmento e tentar amplia-lo, conversando com as pessoas, transmitindo ideias que o candidato defende e a maneira que ele atua”.
Sérgio Viera, responsável pelo departamento de imprensa da prefeitura de Santos, reforça a ideia de fortalecimento dos candidatos através dos nichos eleitorais, ele acredita que a internet seja um grande salão no qual as pessoas podem opinar e discutir abertamente sobre suas preferencias políticas, mas que o fator decisivo surgirá nos grupos de Whatshapp e redes sociais, capazes de concentrar votos ao mesmo tempo em que isolam opiniões divergentes do grupo em questão. Em retrospectiva ao ano de 2013 quando jovens saíram pela primeira vez às ruas para lutar pelo fim do aumento de $20 centavos nas passagens de ônibus, ele acredita ter sido o estopim de uma manifestação popular da insatisfação em relação governo, ecoando até os dias atuais. O Impeachment de Dilma atenuado as descobertas de corrupção pela policia federal fez com que o eleitor buscasse candidatos fora do sistema político, os outsider, teriam a função de reorganizar o país e restabelecer a moral de uma nação. Não foi o que aconteceu quando se anunciou os candidatos para 2018, “Pega os nomes dos candidatos à presidência, quem ali é novo, quem ali nunca disputou uma eleição, talvez um ou dois“. analisa Viera. Destacando o fato de todos os que disputam o cargo de Presidência estarem envolvidos no meio há muitos anos, apesar da juventude idealiza-los como inovadores. Instaurando espaço para o extremismo o qual se aproveita do momento de esgotamento mental da população sobre o tema político. “ É uma das eleições talvez das mais imprevisíveis desde 89, primeira depois do processo de abertura, as outras possuíam um desenho meio claro” constata o entrevistado.
Sérgio também relaciona a gestão anterior do candidato elegido e sua credibilidade perante a sociedade nas próximas disputas, “Como político geralmente não pensa em uma eleição só, a seguinte te dá oportunidade de provar se ele será aprovado ou não, é quase como um plebiscito”. Remetendo novamente ao conceito de candidato como produto, quando este não cumpre o que promete acaba sendo uma propaganda enganosa.
Contudo ainda há alguns profissionais do setor de comunicação que não concordam com a analogia entre candidatos políticos e produtos comerciais. Duda Lima, marqueteiro do senador Fernando Everardo, vulgo Tiririca, acredita que o eleitor não pode ser tratado como um cliente que compra uma marca disponível no mercado, mas sim como um cidadão que avalia todas as ações dos candidatos de forma consciente, pesquisando suas propostas, afiliações e histórico. De modo a buscar a perfeição em um pretendente a cargo governamental. Ele também relata o que chama de movimento migratório de eleitores para seguidores e estabelece as diferenças entre os dois.
A começar pela decisão de voto que já é pré-estabelecida pelos seguidores enquanto os eleitores sentem-se confusos na escolha para Presidente da República e demais cargos. Duda também relata um comportamento comum ao povo brasileiro que por diversas vezes vota em um representeastes os quais conhece os erros, mas prefere ignora-los acreditando que seus acertos superam as falhas.
Quando o assunto é extremismo ele ressalta a importância do posicionamento de um candidato, seja ele de esquerda, direita ou então centrado, é necessário que este se mantenha integro em suas convicções. “Nunca acredite na expressão: (tem que falar o que o povo quer ouvir) Estamos em uma democracia, a liberdade de expressão e alternância do poder vigente é direito que devem ser respeitados”.