Líderes de comunidades em Cubatão e Guarujá contam como lidam com a política

A menos de um mês das eleições, líderes promovem reuniões nas comunidades para refletir sobre o voto e tudo o que ele envolve.

Eduardo Valim, Ludmyla Juvenal e Wânia Mara Menecucci Gomes

As intenções de voto de 39% dos eleitores brasileiros são influenciadas por segmentos de escolaridade ou de baixa renda, segundo levantamento do DataFolha realizado em junho deste ano. Essa constatação torna as comunidades um alvo de candidatos no período eleitoral.

Com o andamento da campanha eleitoral, muitos candidatos procuram as lideranças comunitárias, cuja opinião pode exercer grande influência, no intuito de oferecer vantagens em troca de apoio. “Sempre nos procuram, mas eu busco conscientizar o morador sobre o papel que ele desempenha em seu bairro, e alertar para as consequências de cada decisão nas urnas. Funciona mais como uma política social”, afirma Marly Silva, 59 anos, líder comunitária e presidente do Instituto Sócio Ambiental e Cultural da Vila dos Pescadores, em Cubatão.

Na comunidade do Jardim Primavera no Guarujá, Guacira da Costa, 52 anos, líder do bairro, explica que a prefeitura disponibiliza uma verba para a comunidade, porém, esse processo é burocrático e demorado, fazendo com que os líderes busquem apoio de parceiros políticos para suprir as necessidades imediatas da comunidade. “Buscamos sempre o apoio de candidatos que estejam dispostos a olhar pela comunidade. Não aceitamos mais promessas em vão, pois não podemos deixar a comunidade padecer”, enfatiza.

No período eleitoral, os líderes comunitários realizam reuniões semanais em uma sede no bairro, que tem como intuito abordar as necessidades mais urgentes dos moradores. “Funciona como uma assembleia. As decisões são tomadas juntas ao líder, o presidente do bairro, o secretário e, claro, o povo”, diz Guacira. Ela afirma que não recebe nenhum tipo de remuneração por isso. Pelo contrário, alega que às vezes põe dinheiro do próprio bolso.

Além de debater sobre futuras soluções, também são levantados questionamentos sobre antigas promessas políticas não cumpridas, como a reforma do restaurante Bom Prato, que foi deteriorado em maio de 2017 e, desde então, permanece fechado e sem previsão de reabertura. “Muitas pessoas dependiam do bom prato para comer, e agora?”, diz Maria Aparecida, 39 anos, diarista.

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