Prática de exercícios físicos pode prevenir transtornos psicológicos
Profissionais da saúde afirmam que a prática de exercícios físicos pode trazer alguns benefícios para a saúde mental

Patricia Ande
A prática de exercício físico é uma das melhores formas de combater e prevenir transtornos psicológicos. Existem várias evidências científicas que mostram que o treinamento pode alterar positivamente no humor, ansiedade, depressão e estresse. O exercício físico libera as endorfinas, o que proporciona uma sensação de tranquilidade, e está ligada ao génese do prazer e bem-estar.
O Pesquisador do Grupo de estudos e pesquisas em fisiologia do exercício e educador físico, Yuri Lopes Motoyama, 38 anos, afirma que durante a sessão de treinamento são liberados vários neurotransmissores, como a dopamina e serotonina, o que pode alterar o funcionamento das áreas dos sistemas nervosos, ajudando no tratamento de transtornos psicológicos.

“Na maior parte dos casos, o exercício é realizado em um ambiente social, onde há um grande contato com outras pessoas, o que ajuda no círculo de amizades e se torna um ambiente descontraído”, afirma Yuri, que já deu aulas em academias por 20 anos, em vários tipos de aulas, como artes marciais, musculação, yoga, alongamento etc., e atualmente trabalha como professor universitário.
O exercício físico é um grande remédio não farmacológico no tratamento da depressão e das demais doenças da mente humana. “Ele é um poderoso antidepressivo, proporcionando distração dos estímulos estressores, o que melhora a qualidade de vida, proporcionando bem-estar, saúde e paz”, relata o educador físico Rodrigo Kacprzak, de 35 anos. Para ele, a prática de exercícios físicos teve um papel importante em sua luta contra depressão.

A prática de exercícios auxilia no controle de emoções e alívio de estresse, na concentração e até na prevenção da depressão. “Quando o indivíduo encontra uma atividade que proporciona prazer, seja uma corrida na praia, musculação, ou uma modalidade esportiva, além de toda a produção hormonal e alterações fisiológicas, essa pessoa significa a atividade física como agente de motivação e a intenção da prática de exercícios está voltada à qualidade de vida”, afirma a psicóloga formada na Universidade Federal de São Paulo e mestre em ciências da saúde, Luiza Garutti, de 24 anos.
Não só pela questão psicológica, mas o exercício físico pode ajudar na interatividade social também. “Na medida em que a atividade física gera bem-estar, a pessoa tende a ficar mais sociável, mais disposta a se relacionar. E se o exercício for praticado em grupo, também aumenta o círculo social favorecendo novas amizades”, informa a psicóloga social, Gisela Vasconcellos Monteiro, de 57 anos.
A BUSCA POR PADRÕES DE BELEZA
Para a psicóloga Gisela, a atividade física pode fazer muito bem a saúde, mas o problema aparece quando ela deixa de ser por prazer e saúde e se torna uma incessante busca pelo corpo perfeito. A busca por um ideal de corpo acaba gerando algumas lesões e compromete o cotidiano do indivíduo quando ocupa grande parte do seu dia, deixando obrigações e responsabilidades em segundo plano. “Não é prática que traz problema, mas a condição psicológica que pode tornar a atividade física excessiva”, afirma.
Yuri afirma que atualmente o exercício também pode ser uma fonte de transtornos psicológicos, e que o número de pessoas que procuram pelo culto de um corpo esteticamente perfeito pode causar o chamado vigorexia (uma doença psicológica caracterizada por uma insatisfação constante com o próprio corpo). “Um ponto muito importante é que o exercício deve ser considerado um tratamento paralelo ao transtorno, e ele nunca deve ser substituído por psicoterapias e tratamentos farmacológicos. Existem muitos casos documentados em que pessoas passam por crises de depressão por não procurarem ajuda”, relata.
“Pode ser algo motivador para algumas pessoas, mas é importante ressaltar que a busca obsessiva pelo resultado pode causar um efeito prejudicial para a saúde mental’. Para Luiza, tudo depende da forma que a pessoa pratica os exercícios físicos. Não é possível afirmar que a busca por padrões de beleza sempre fará mal para a saúde mental, mas caso em casos de obsessões é importante procurar ajuda.
