Constatações do primeiro ano como empreendedora
Esses dias li um texto sobre o preço psicológico do empreendedorismo. Me fez pensar bastante, já que semana passada completei um ano sendo uma — e então escrevi umas constatações sobre não ser apenas flores largar tudo para fazer o que se ama.
- Começar é difícil, mas se manter é ainda mais — digo isso porque quando a gente quer empreender, parece que o primeiro passo é o mais desafiador. Percebi que o mais desafiador é, na verdade, viver o dia-a-dia de quando o que se tem não é mais novidade. Saber lidar com a poeira baixa e mesmo assim crescer é o desafio diário.
- A melhor coisa pode ser também a pior — o velho lance de não ter chefe: é ótimo não ter ninguém pra pedir aprovação, mas ter que criar a pauta todo dia, as vezes, requer uma energia que não se tem no momento.
- Ser um canivete suíço — é maravilhoso a gente aprender a fazer de tudo. Aprendi a fazer site, contabilidade, a pintar paredes e pendurar prateleiras. Produzir conteúdo e ser diretora de arte. Mas as vezes é tanta coisa que dá uma saudadinha de quando trabalhava numa empresa grande e, qualquer problema no sistema, era só ligar pro ramal do cara do TI.
- A gente muda muito e o tempo todo — nem sempre depois de um tempo a empresa vai ser aquilo que foi criado no início. A demanda é que vai dando a forma e isso não é ruim.
- Sociedade é o relacionamento mais intenso que existe. Mais do que mãe, pai, irmãos, namorado, etc.
- O fato de ter o sonhado “horário flexível” te faz ficar muito mais dentro do trabalho do que fora dele
- Ser um pouco conservador pode ser necessário — fugi do sistema quadrado da indústria, mas algumas regras são necessárias e disciplina é fundamental.
- Podem haver mil clientes felizes, mas aquele feedback negativo é o que vai ecoar na cabeça.
- A gente acha apoio em pessoas que mal se tinha contato antes de começar, ou sequer conhecia. E conhece muita gente legal que vive a mesma loucura de vida.
- Alguns contatos são perdidos, como os das pessoas que se tinha certeza que apoiaria seu projeto — tô exagerando em achar que tem coisa errada em amigo próximo que não curte a página da sua empresa?
- não tem mais muita separação entre vida pessoal e profissional — elas andam juntas agora e não deixar um lado afetar o outro quando um deles tá em crise é o maior aprendizado da vida e que acho que nunca vai ter fim.
- O que te separa de um resultado é tu mesmo — aquele insight que veio no banho não precisa de mil aprovações da diretoria, é só pegar e fazer. Por outro lado, se deu uma merda, a culpa é apenas tua.
- A relação com a procrastinação muda — pode vir a ter gosto de boleto vencido e é um gosto amarguinho, não recomendo
- Sexta feira não tem mais o mesmo gosto. O mesmo vale pro domingo a noite, que não é mais deprimente.
- Sucesso não é sinônimo de conta no azul
- Decisões requerem uma responsabilidade surreal — a única forma de julgar o que é certo ou errado é só seguindo o coração.