Os filmes do Studio Ghibli, listados do pior para o melhor

O Studio Ghibli é, talvez, a casa de animação mais aclamada do mundo todo. Sendo um dos meus estúdios favoritos, com muitos de seus filmes entre os meus prediletos entre todos os que já assisti, e levando em conta que eu acabei de fazer uma série de resenhas sobre todos os seus filmes, achei conveniente criar um ranking definitivo, onde os listarei do pior para o melhor. Como será que estes filmes tão queridos não só pelos fãs de animação, mas pelo público em geral, se saem quando comparados uns com os outros?

23. Contos de Terramar (Dir. Goro Miyazaki, 2006)

Fazer um ranking dos filmes do Studio Ghibli é uma tarefa árdua. Não só a maioria de seus filmes possuem uma variada legião de fãs, mas muitas dessas listas acabam se baseando nos gostos pessoais do autor. Mas, se tem uma coisa que é unanimidade entre os fãs do estúdio, é que Contos de Terramar é, inegavelmente, horrível. Podendo ser considerado o único filme totalmente ruim do estúdio, a primeira abordagem do Miyazaki Jr. na direção de um filme se deu em um filme confuso e mal-acabado, com o roteiro não sabendo muito bem para onde quer ir, abraçando e dispensando ideias a cada segundo. A animação também está muito aquém do esperado, e, no fim, soa mais como um estúdio B tentando copiar a fórmula Ghibli em um filme genérico lançado direto para DVD. A situação se torna pior ainda com a sensação, que permeia o filme todo, de que há um enorme potencial ali, que, por algum motivo, se desvirtuou e se transformou… nisto.

22. Only Yesterday (Dir. Isao Takahata, 1991)

O que Contos de Terramar tem de ruim, Only Yesterday tem de chato. É difícil para mim colocar este filme em uma posição tão baixa, pelo fato de ele ser tão querido pelos fãs, e de eu até conseguir enxergar suas qualidades técnicas. Mas, a partir do momento em que esta é minha lista pessoal, eu tenho que ser honesto com o que eu senti, e, no caso de Only Yesterday, eu não consegui sentir nada além de um desejo para que o filme acabasse logo. A história de Taeko, uma mulher de vinte e sete anos que viaja para uma fazenda, enquanto vemos flashbacks de sua infância é, provavelmente, a mais difícil de ser assistida do estúdio, devido a lentidão da mesma. O Studio Ghibli é, também, conhecido por fazer vários filmes no estilo slice of life, encontrando beleza até nos momentos mais banais da vida humana. No entanto, Only Yesterday talvez seja banal demais, com uma linha narrativa nula, e nós somos expostos o tempo todo a narrações expositivas da protagonista, falando sobre seus sentimentos. Quando não é isto, é alguma conversa sobre algum tema qualquer que não contribui em nada para a história, ou uma explicação didática sobre como colher determinado alimento. Não exatamente a ideia que eu tenho de diversão.

21. Pom Poko — A Grande Batalha dos Guaxinins (Dir. Isao Takahata, 1994)

Me dói colocar trabalhos de Takahata tão baixos nesta lista, tendo em vista que ele é imprescindível para a história do estúdio, sendo um de seus fundadores e principal animador depois de Miyazaki, mas o fato é que, para você gostar de seus trabalhos depende muito do seu estilo. Takahata é conhecido por fazer filmes mais realistas e focados no cotidiano do que seu companheiro, Miyazaki, o que, consequentemente, faz deles mais lentos. O problema que eu tenho com Pom Poko, na realidade, é o contrário do que eu tenho com Only Yesterday. Se o outro era exaustivamente reflexivo, esta história de Guaxinins com poderes de transformação tentando lutar contra o desmatamento das florestas é infantil demais, o que, em si, não seria um problema, se ele fosse um filme divertido. Só que, além de não se aventurar pelos campos mais maduros e emocionais, presentes em muitos filmes do Ghibli, o filme é desnecessariamente arrastado, repetindo o mesmo arquétipo narrativo de tentativa e erro (os guaxinins bolando um plano para afastar os humanos da floresta, que não funciona, e eles tem que bolar outro plano), que nunca se renova e torna o filme cansativo. Pom Poko consegue juntar a pior parte de um filme extremamente infantil, com a pior parte de um filme mais adulto, se tornando não só bobo, como chato.

20. As Memórias de Marnie (Dir. Hiromasa Yonebayashi, 2014)

Para o que pode ser considerado o filme de despedida do Studio Ghibli, As Memórias de Marnie é bem fraco. Conta a história de Anna, uma menina que vai passar uma temporada no interior na casa de alguns parentes, e desenvolve uma amizade com a titular Marnie. Em seu segundo papel na direção, Yonebayashi continua persistindo no erro de tentar atingir a veia emocional que Miyazaki sabe atingir tão bem em seus filmes. Só que aqui os personagens não são suficientemente bem construídos para gerar identificação com o público, e o diretor está tão necessitado de fazer seus espectadores chorarem e se emocionarem, que vai com muita sede ao pote, não trabalhando o relacionamento de suas protagonistas o suficiente antes de as colocar fazendo juras de amor uma para outra e chorando com medo de se perderem. No mínimo, apelativo.

19. Ocean Waves (Dir. Tomomi Mochizuki, 1993)

Ocean Waves é o filme mais simples e de menor escala do Studio Ghibli, o que o faz ser o menos querido entre todos os seus companheiros (pelo menos entre as pessoas que, de fato, o assistiram). Apesar de faltar o charme e a qualidade técnica presente em muitos dos outros filmes desta casa de animação, isso pode ser compreendido ao nos atentarmos ao fato de que o filme estreou na televisão, como um teste para os seus animadores mais jovens. A ideia era que fosse um filme feito em cima de um orçamento menor, e em um curto período de tempo (mesmo que, eventualmente, a produção tenha atrasado e excedido seu orçamento). Olhando o filme com estes olhos, podemos compreender porque ele parece tão mais modesto assim. E, para um filme televisivo, ele tem um certo nível de qualidade, contando uma bonita e simples história sobre amadurecimento, amizade e relacionamentos, provando que, mesmo em seus projetos menores, o Ghibli dedica um maior nível de esforço e empenho em seus trabalhos do que a maior parte dos outros estúdios.

18. O Mundo dos Pequeninos (Dir. Hiromasa Yonebayashi, 2010)

A primeira das duas contribuições de Yonebayashi para o panteão do Ghibli, Pequeninos conta a história de Arrietty e sua família de mutuários, seres pequenos que vivem embaixo das casas dos humanos, surrupiando pequenos objetos que eles não sentiriam falta, como um grão de comida, ou um alfinete, para poderem sobreviver. Aqui, encontramos o mesmo problema que citei em Marnie, com Hiromasa querendo muito atingir o nível emocional com o qual Miyazaki trabalha em seus filmes, mas sem saber como trabalhá-lo de maneira orgânica. No entanto, as partes onde há um maior enfoque nos aspectos fantasiosos e aventureiros de Pequeninos, como as cenas onde Arrietty se aventura pelo mundo gigantesco dos humanos, são bem feitos e divertidos, e o filme acaba como um entretenimento leve e sem grandes coisas por debaixo disso. Pequeno em todos os sentidos, mas com mania de grandeza.

17. Da Colina Kokuriko (Dir. Goro Miyazaki, 2011)

Depois de seu primeiro filme desastroso, Miyazaki Jr. acerta o passo em sua segunda obra, dessa vez com um maior auxiliamento de seu pai na produção, tendo escrito o roteiro. Apostando no slice of life ao invés de tentar mergulhar de cabeça em um épico com uma mitologia gigantesca a ser explorada, como os livros que inspiraram Terramar, Da Colina Kokuriko segue a história de dois jovens estudantes do Japão sessentista. Enquanto seguimos a doce história de amor entre os dois protagonistas, vamos sendo contextualizados sobre a realidade do país na época, que começava a andar em direção à modernidade, com as facilidades que ficaram ao seu alcance durante o pós-guerra, enquanto o país ia esquecendo cada vez mais as suas raízes culturais e se adequando ao modelo capitalista ocidental. É um filme bem simples e nada de espetacular, mesmo se comparado aos outros do gênero, com o Ghibli já tendo feito filmes superiores neste mesmo estilo, mas é um bom entretenimento, que vai deixar quem o assista com um sorriso no rosto enquanto os créditos sobem a tela.

16. Vidas ao Vento (Dir. Hayao Miyazaki, 2013)

O último filme de Miyazaki (até agora, considerando que ele saiu, oficialmente, de sua aposentadoria) é também o seu mais fraco. O maior problema de Vidas ao Vento é que ele não abraça seu potencial, ao escolher não abordar a guerra. Miyazaki diz que foi inspirado a fazer o filme pelo desejo de seu protagonista, o engenheiro de aviões real Jiro Horikoshi, de apenas fazer algo bonito, que, mais tarde, foi corrompido para causar destruição na Segunda Guerra Mundial. Esse dilema não fica claro no filme, por o conflito não ser propriamente retratado, e o protagonista nunca tem a chance de se deparar com tudo que sua arte estava fazendo de ruim pelo mundo. Assim, fica até incerto se Miyazaki queria, de fato, mostrar os horrores da guerra, sendo acusado de maquiar as ações de Horikoshi. Ao invés da guerra, o filme ocupa parte de sua duração no relacionamento de Horikoshi e sua mulher, a sua parte mais fraca, que não dialoga com o resto do filme, parecendo uma parte isolada do mesmo. Assim, Vidas ao Vento termina com aquela relação de potencial não cumprido, e de um roteiro bagunçado, com muitas ideias que não se dialogam. Uma despedida decepcionante para um dos maiores nomes da indústria da animação.

15. Porco Rosso: O Último Herói Romântico (Dir. Hayao Miyazaki, 1992)

Coincidentemente, o segundo filme mais fraco de Miyazaki também é sobre aviação, e segue a história de Porco Rosso, um antigo piloto de guerra que foi amaldiçoado, se transformando em um porco antropomórfico, e agora passa seus dias distante de todos como um caçador de recompensas. Por mais que eu não tenha gostado tanto de Porco Rosso, ele cresce em mim a cada vez que eu reflito sobre ele, e vou compreendendo melhor o seu charme. Minha maior questão com este filme era que Miyazaki assumidamente queria fazer um filme mais leve e divertido, com o humor presente em todo filme através de alívios cômicos, coisa que o diretor raramente adiciona em seus filmes, mas acaba fazendo uma obra com diversos momentos mais introspectivos, mais calmos, onde a ação e cenas de perseguição dinâmicas permeiam o filme todo é deixada de lado, para que nós compreendamos melhor o emocional e problemas de seus personagens, com diálogos mais profundos e uma dose maior de simbolismos. Essa dicotomia poderia funcionar, mas deixa o filme meio embasado e esburacado, com a grande discrepância desses momentos prejudicando o mesmo. Como eu disse, o filme está crescendo em mim. Não seria a primeira vez que eu não gostei de um filme do diretor de cara, para depois aprender a apreciá-lo melhor. No momento, no entanto, ele figura em décimo-quinto nesta lista.

14. Sussurros do Coração (Dir. Yoshifumi Kondo, 1995)

Kondo era a principal aposta de Takahata e Miyazaki para seguir seus passos e, eventualmente, figurar como um dos chefões do Studio Ghibli. Infelizmente, ele morreu de estresse por conta do trabalho. Felizmente, no entanto, o único filme que ele teve a oportunidade de fazer é muito bom. Diz muito sobre a qualidade do Ghibli o fato de não estarmos nem na metade desta lista e eu já estar chamando este filme de muito bom. Sussurros do Coração é uma honesta história sobre a maturidade e sobre nossos planos para o futuro. Shizuku é uma menina que está para entrar no ensino médio que se apaixona por Seiji, um menino de sua escola. Os dois mantém uma bonita relação, se inspirando e motivando para alcançar seus sonhos, com Seiji com planos muito bem definidos para a sua vida, o que assusta Shizuku em um primeiro momento, que não sabe o que quer, mas entra em uma jornada de auto-descoberta que será o foco do filme. É um filme bem simples e não cai em pretensões de ser mais do que uma doce história de amor. Meu único problema com o filme é que ele demora para engatar, e o começo se estica demais, parecendo mais uma introdução que dura quase quarenta minutos. Quando ele finalmente engata, no entanto, nós compramos aquela aura familiar e adolescente que ele nos vende, e o acompanhamos até o final.

13. Nausicaä do Vale do Vento (Dir. Hayao Miyazaki, 1984)

Eu sei que, tecnicamente, não é um filme do Studio Ghibli, mas sem Nausicaä, não existiria Ghibli, simples assim. O filme foi lançado um ano antes da fundação do estúdio, e seu sucesso comercial e crítico estão mais do que diretamente ligados à criação desta casa, além do que, foi retroativamente, por meio de relançamentos e marketing, adicionado ao panteão junto com Totoro e seus amigos. Nausicaä também é relevante por iniciar padrões que continuariam por toda a filmografia de seu diretor, como o embate entre o homem e a natureza, os males trazidos pela guerra, sua paixão por aviões e maquinaria de guerra no geral, e seu hábito de colocar mulheres em posições de protagonismo. Por toda a sua significância histórica, Nausicaä é um filme mais fácil de ser apreciado, do que gostado. Apesar de elementos positivos permearem o filme como um todo, como seus personagens, muitíssimo bem construídos, e a excelente crítica, o roteiro é muito conturbado e lotado de informações, com milhões de informações sendo passadas há cada segundo, e coisas novas acontecendo em milésimos. A sabedoria de Miyazaki de misturar a ação com momentos mais parados e introspectivos, para que o público tivesse tempo para respirar e assimilar o que estava acontecendo, ainda não tinha sido adquirida aqui. Assim a história fica confusa, pela falta de planejamento. Sendo baseado em uma série de mangás que o próprio Miyazaki escreveu, dois anos antes, seria o caso de cortar elementos (mais do que já tinham sido cortados) para deixar a obra mais sucinta e facilitar sua tradução para as telas grandes. Tendo revisto o filme algumas vezes, eu já consigo apreciá-lo e compreendê-lo de forma melhor, mas Nausicaä falha em um ponto crucial; saber se apresentar para seu público sem que necessite de revisitações.

12. Meus Vizinhos, os Yamadas (Dir. Isao Takahata, 1999)

Meus Vizinhos, os Yamadas, é a adaptação de Isao Takahata de famosas tirinhas de jornal japonesas. A origem do material fica explícita pelo filme todo, tanto na arte (o único filme do Ghibli a ser inteiramente confeccionado usando computadores, que foi a maneira encontrada para manter o estilo simplista da arte das tiras, que mais parecem rascunhos) quanto na narrativa, com a história sendo contada em esquetes que focam em situações diferentes estreladas pela família de protagonistas, sempre com muito humor carregando consigo uma boa dose de comentários sobre a sociedade japonesa no geral (bem típico deste tipo literário). Aqui, Takahata consegue fazer um filme slice of life sem que ele fique chato ou arrastado demais (apesar de o filme perder, sim, um certo fôlego em seus momentos finais), e Meus Vizinhos segue sendo um dos filmes mais singulares e divertidos do estúdio, provando toda a sua diversidade para com seus trabalhos.

11. O Reino dos Gatos (Dir. Hiroyuki Morita, 2002)

Uma estratégia comum entre os animadores do Ghibli era intercalar seus filmes mais ousados com projetos mais simples. Assim, após o trabalho mais estrondoso entregue pelo estúdio, foi lançado este filme, spin-off de Sussurros do Coração, seu filme mais curto depois de Ocean Waves (que havia feito para a televisão). Seguindo Haru, uma jovem estudante, o filme conta sua jornada quando é transportada para o Reino dos Gatos, exatamente o que o seu nome diz ser. A protagonista é forçada a casar com o príncipe dos gatos, e cabe ao gato Barão resgatá-la e trazê-la são e salva para sua casa. Tanto a arte quanto a história são bastante simples, visando apenas entreter, sem grandes pretensões por trás disso. Essa honestidade de O Reino dos Gatos para com o que ele é o faz brilhar no fim das contas. Ao assumir ser uma simples e descompromissada aventura, entrando de cabeça na atmosfera lúdica de contos de fadas, o filme ganha um charme, que se perderia caso ele tentasse fazer algo mais do que divertir seu publico. Um dos filmes mais modestos do estúdio, o que se prova ser seu maior atributo no final das contas.

10. Ponyo (Dir. Hayao Miyazaki, 2008)

Se O Reino dos Gatos é um dos filmes de menor escala do Ghibli, Ponyo ocupa esse espaço entre os filmes de Miyazaki. Querendo contar uma história mais voltada para o público infantil, o filme que segue uma peixinha que se apaixona por um menino humano e se transforma em humana para ficar com ele não se prende muito à mitologia de seu universo e nem pretende explorá-lo, como os outros filmes do diretor, que vinham ficando cada vez maiores e mais rebuscados. Seguindo mais a simples e singela amizade entre os dois protagonistas, enquanto acompanhamos aquele mundo fantástico pelos olhos das crianças, encarando tudo o que acontece com um senso de aventura e descoberta típico da infância, o filme não é tanto sobre o que está acontecendo, e mais sobre como os personagens encaram aquilo. O problema de Ponyo está justamente nos momentos onde ele tenta ser mais do que uma simples história sobre duas crianças se aventurando, e tenta criar um senso de urgência maior, presente nos trabalhos anteriores do diretor, de onde Ponyo tenta pegar emprestado esses pontos mais épicos e emblemáticos, caindo na pretensão de ser uma estrondosa história, sem entender que o ponto forte do filme estava em seus personagens e não em seu roteiro. Quando Ponyo foca neles, ele funciona muito bem, abraçando sua fofura e doçura, seus maiores atributos. Mas, talvez, o mais importante em Ponyo seja a animação, com Miyazaki tendo feito o filme todo a mão, mesmo as cenas lotadas de elementos visuais, nunca usando computadores para auxiliá-lo. O visual de Ponyo prova a relevância do 2-D, nos entregando toda a magia que só ele é capaz de realizar.

09. A Tartaruga Vermelha (Dir. Michaël Dudok de Wit, 2016)

Eu não estava certo se colocava A Tartaruga Vermelha nesta lista, tendo em vista que é um filme bastante distante dos demais, sendo confeccionado majoritariamente pelo estúdio franco-alemão Wild Bunch, que se juntou com o Ghibli para realizar o projeto, em sua primeira coprodução internacional, com Toshio Suzuki, produtor que trabalhou com Miyazaki e Takahata desde Nausicaä, e, com eles, fundou o Ghibli, sendo o principal produtor e nome japonês envolvido na confecção deste filme. Decidi por incluí-lo, concluindo que qualquer filme que se abre com uma imagem do Totoro é válido para figurar aqui. A Tartaruga Vermelha é o filme não dirigido por Miyazaki ou Takahata figurando mais alto nesta lista. O filme veio após a notícia de que o Ghibli estava entrando em uma pausa indefinida em suas atividades ter arrasado o coração de milhares fãs do estúdio, de animação, e de cinema, no mundo todo, trazendo esperança para essas pessoas de que o estúdio poderia retornar para mais Viagens de Chihiro e Meus Amigos Totoro. O filme é muito lindo, levando ao pé da letra sua função como animação, abrindo mão de diálogo, deixando que as imagens se comunicassem por contra própria com o público (e que imagens!), passando toda a emoção e intenções de seus personagens sem precisar de fala. O filme conta a história de um náufrago que se apaixona por uma tartaruga que se transforma em uma mulher, e os dois vivem naquela ilha deserta, tendo um filho. Sem uma linha narrativa definida, o filme segue apenas a vida daquela família, enquanto eles passam pelos ciclos presentes em todas as jornadas humanas (como a paixão, o amadurecimento, a partida, e a morte). Com mensagens sobre a relação do homem com a natureza e a importância da família, todas trazidas para nós apenas através do visual, e dos sons (a trilha sonora é belíssima, mas os momentos silenciosos são igualmente importantes), A Tartaruga Vermelha é uma animação definitiva, abraçando todas as características próprias deste estilo de se contar histórias, e contando uma muito bonita e singela.

08. O Castelo Animado (Dir. Hayao Miyazaki, 2004)

O Castelo Animado é um filme polêmico entre os fãs do Ghibli, tendo tanto seus detratores, quanto seus defensores, que o consideram uma obra-prima. Quanto a mim, eu entendo os dois lados da discussão, mas tendo mais ao dos defensores, guardando este filme em um lugar muito particular no meu coração, como a sua colocação pode atestar. Isso não quer dizer que eu não entenda as críticas direcionadas ao mesmo, ao mesmo tempo que entendo, também, o seu azar de suceder diretamente o estrondoso A Viagem de Chihiro, tendo muitas expectativas em cima de si para conseguir atingir o nível deste outro filme, o que seria quase impossível. Assim, eu amo o Castelo Animado pelas coisas que ele acerta; criar um universo muito próprio, com Miyazaki atingindo todo o potencial desse, e explorando suas particularidades, personagens bem construídos, como Sophie, Howl e a Bruxa da Terra Abandonada, e as mensagens anti-guera que ele carrega, além do tema familiar, com os protagonistas formando uma grande e inconvencional família, encontrando uns nos outros um lugar de conforto, depois de se sentirem excluídos por tanto tempo. Esses são os aspectos onde O Castelo Animado brilha, mas eles não são suficiente para ofuscar seus defeitos, com um roteiro confuso e cheio de elementos, semelhante à Nausicaä, onde muitos deles não dialogam entre si. A narrativa é a parte mais fraca de O Castelo Animado, com muitos elementos sendo apresentados, mas não explicados, deixando o público confuso, e o terceiro ato como um todo, que parece deslocado do próprio filme, sendo extremamente confuso e trazendo uma resolução fácil e conveniente demais, que não combina com a história rebuscada e que mantinha um senso de realismo, mesmo com toda a fantasia deste mundo. Essa sensação de que o filme está tentando fazer muita coisa ao mesmo tempo, acabando confuso e sem uma forma muito definida é resultado da forma como Miyazaki confecciona seus roteiros, não tendo eles prontos antes de começar a produção de seus projetos, deixando que os filmes o guiem. Às vezes, isto dá muito certo. Outras, o filme parece inacabado e pouco polido, com elementos demais, que não necessariamente dialogam entre si. Felizmente, O Castelo Animado é menos sobre a história em si, e mais sobre os personagens, a descoberta daquele universo, e as sensações que o filme nos passa. Esses elementos são todos bem trabalhados, e, por isso, O Castelo Animado é um bom filme, e merece este espaço no top 10.

07. O Conto da Princesa Kaguya (Dir. Isao Takahata, 2013)

Em sua despedida, Takahata não deixou a desejar, dando tudo de si neste último projeto, que se tornou o filme japonês mais caro produzido, saindo em grande estilo. Kaguya é mais um filme do diretor que não segue uma linha narrativa definida, ao invés focando nos personagens, e em suas jornadas. Este é o filme de Takahata neste estilo de slice of life mais bem sucedido, não ficando chato ou arrastado demais (apesar de eu concordar que ele se esticou mais do que deveria, isto não apaga nem um pouco o brilho da história). Baseado em um conto folclórico japonês, o filme segue a história da dita Kaguya, que é encontrada por um camponês dentro de um bambu, a adotando. Com habilidades sobre-humanas, o pai da menina suspeita que ela tenha sido enviada pelos deuses, e quer a dar uma vida digna, a levando para a cidade grande, onde compra uma mansão e contrata uma professora para lhe dar aulas de etiqueta, para que, então, sua filha se torne uma verdadeira princesa. Todos os elementos que fizeram de Takahata o que ele é estão elevados à máxima potência aqui, sua maneira mais realista e cotidiana de contar suas histórias, o embate do homem contra a natureza, e as influências do realismo fantástico, que marcaram muito a sua filmografia. A arte é belíssima e diferente de tudo o que já vimos, lindamente aquarelada e pintada à mão, parecendo um quadro que ganha vida. Em um momento onde as animações hollywoodianas estão cada vez mais uniforme e entregues ao CGI, é bom ver filmes como Kaguya, que trazem um frescor consigo, e provam a relevância de uma maior diversificação da técnica, para que mais filmes como esse possam existir, e para que animadores tenham maior liberdade de criar. Misturando uma arte extremamente criativa, com uma história linda e tocante, Kaguya é tudo o que uma animação deveria ser, e termina a filmografia de um dos maiores mestres do meio em grande estilo.

06. Laputa: O Castelo no Céu (Dir. Hayao Miyazaki, 1986)

A partir deste momento a lista será (quase) inteiramente dominada por Miyazaki, mostrando sua superioridade e excelência quando se fala em animação. Laputa é apenas o seu terceiro filme e já está perfeitamente lapidado e realizado, aprendendo com os erros de seu antecessor, Nausicaä. Aqui, o filme sabe contrapor momentos mais tensos e cercados pela ação, com cenas mais calmas e introspectivas, onde nós podemos acompanhar melhor os personagens, e compreender o que os move. O filme é um casamento perfeito entre a ação e a aventura monumental, com momentos mais doces e delicados, apetecendo a qualquer tipo de público, característica importante para as animações. Seguindo a jornada de duas crianças, que tentam achar a antiga civilização de Laputa, que se acreditava sobrevoar nos céus, enquanto eles são perseguidos por um grupo de militares gananciosos que também querem achar Laputa por seus ouros, o filme trás muito a sensação de aventura estrondosa que só Miyazaki consegue fazer tão bem. O universo do filme e seus elementos mágicos estão muito bem construídos e conceituados, não parecendo incongruentes e casando com a realidade desta obra. O visual é lindo e extremamente criativo. Basicamente, um filme típico de Miyazaki, com todos os elementos que fizeram do diretor quem ele é, e uma excelente prova do porque o amamos tanto.

05. O Serviço de Entregas da Kiki (Dir. Hayao Miyazaki, 1989)

O Serviço de Entregas da Kiki capta perfeitamente a capacidade do Studio Ghibli de emocionar e alcançar a excelência mesmo em seus filmes menores. Eu uma de suas melhores obras, baseada em um livro infantil japonês, Miyazaki conta a história de Kiki, uma bruxa de treze-anos, que, seguindo a tradição de seu povo, tem que sair da casa dos pais, e encontrar um lugar novo para se instalar, tendo que se virar sozinha e alcançar a independência. Ao longo do filme ela vai conhecendo e interagindo com moradores da sua cidade nova e fazendo amigos ali. Há também momentos de melancolia quando a menina duvida de suas próprias capacidades, e até perde seus poderes, devido aos constantes sentimentos que a faziam duvidar de si mesma. Em mais um filme onde uma linha narrativa definida de três atos é deixada de lado para seguirmos a jornada de um personagem, o vendo superando obstáculos e evoluindo de maneira orgânica, ao invés de nos sentirmos acompanhando uma narrativa, o Ghibli mais uma vez mostra sua capacidade de retratar a realidade humana de maneira crível, mesmo que em meio a elementos fantásticos, que nunca roubam os holofotes e se tornam o foco, estando ali só para realçar a história e incorporar o mundo onde ela se passa. Kiki é um perfeito retrato da adolescência, e, ao ver a personagem explorando esta época da vida, cheia de descobertas, quando nos percebemos como parte de um mundo composto por outras pessoas, tendo que aprender a interagir com ela, e lidar com sentimentos como a paixão e como agir quando nos descobrimos com sentimentos românticos por outra pessoa, além do desejo de querer pertencer a algum lugar e ser aceito, nós nos reconhecemos nela. Todas essas questões são comuns à adolescência, e estão presentes em Kiki, fazendo dela um personagem extremamente real, com quem nos importamos e nos identificamos, mesmo que ela possa voar e seja acompanhada de um gato falante. O meu único problema com Kiki é que ele não se entrega de cabeça a esta essência mais intimista que não vê a necessidade de utilizar uma linha narrativa de começo, meio e fim, priorizando os seus personagens. No final, ele vê a necessidade de adicionar um clímax gigantesco e monumental, que faz a ponte para o final, que não combina com o estilo mais modesto do filme. Acredito que Miyazaki conseguiria criar uma tensão final antes de o filme acabar de forma mais calma e menos exagerada, que combinasse com o resto do filme, ao invés deste clímax exagerado que não casa com o espírito da história. Tirando este detalhe, que está longe de anular todas as qualidades de Kiki, o filme é excelente, e uma representação de que, não só filmes podem ser interessantes sem apelar para grandes aventuras épicas, mas também do casamento entre o real e o surreal, a marca registrada deste estúdio.

04. Meu Amigo Totoro (Dir. Hayao Miyazaki, 1988)

Totoro e Kiki são extremamente parecidos. Ambos abrem mão do estilo épico e universo grandioso que permeiam a maior parte dos filmes de Miyazaki, apostando em uma atmosfera menor e mais humana, com menos história, e mais enfoque nos personagens. Aqui, as protagonistas são Mei e Satsuki, duas irmãs, filhas de um professor, e sua mãe está no hospital, internada. Elas se mudam para uma casa no campo, onde se encontram com uma grande criatura da floresta, a quem dão o nome de Totoro. O resto do filme são uma coletânea de momentos das duas se adaptando à vida na nova cidade, e constantes encontros com Totoro, que só elas podem ver, mas não fica claro se ele é um amigo imaginário ou não. Tendo o poder de voar, fazer árvores crescerem, e tendo um gato em formato de ônibus como amigo, Totoro ajuda a distrair as meninas, e as acolhe, naquele momento difícil onde sua mãe estava no hospital. A relação das meninas com essa situação, e como elas lidam com isso, é o maior ponto dramático do filme, com a mais nova triste e morrendo de saudades da matriarca, e a mais velha se impedindo de sentir os seus sentimentos, querendo se mostrar uma figura forte, e que consegue cuidar de sua irmãzinha. Enquanto Kiki aborda o universo adolescente, Totoro é permeado pelo senso de aventura e novidade, típico dos olhos das crianças. Para elas tudo é uma aventura, e é assim que nos sentimos assistindo Totoro. Apesar de não seguir um roteiro, e não ter um acontecimento mirabolante a cada segundo, nós compramos a história e somos transportados para dentro dela, também indo para as aventuras que Totoro nos leva, vendo aquela criatura mágica com o mesmo senso de maravilha que as crianças. O que faz deste filme superior a Kiki, no final, é o clímax. Aqui, também há a inserção de um acontecimento que dá um senso maior de urgência ao filme, deixando seu estilo parado de lado e ficando frenético. No entanto, o clímax é muito menor que o de Kiki, e combina com o filme que estávamos vendo até então. Tirando isso, ambos filmes são maravilhosos, e merecem serem assistidos.

03. Princesa Mononoke (Dir. Hayao Miyazaki, 1997)

Ao escrever a minha resenha de Mononoke, disse com todas as letras que este era meu filme favorito de Miyazaki. Com o tempo, percebi que não era bem assim, apesar de que o filme é sim uma obra quase perfeita, e perde por pouco do segundo lugar aqui. Mononoke conta a história de Ashitaka, um jovem que se vê no meio da guerra entre os humanos, liderados por Srta. Eboshi, chefe da Ilha do Ferro, civilização humana que vive poluindo e atacando as florestas para prosperar e conseguir recursos naturais, e os animais, liderados por San, chamada vulgarmente de Princesa Mononoke (“espírito” ou “monstro” em japonês), uma humana que foi abandonada e acolhida pelos deuses lobos da floresta quando ainda era um bebê, que querem dar um basta naquele desrespeito humano para com o meio ambiente. Cabe a Ashitaka acabar com aquela guerra e conseguir conciliar os dois universos, do homem e do meio ambiente, para que os dois vivam em harmonia. Princesa Mononoke é um dos melhores filmes de Miyazaki simplesmente por ser, pura e simplesmente, Miyazaki. Todos os elementos que fizeram dele ser quem é estão aqui, extremamente lapidados e elevados à sua máxima potência; uma animação de cair o queixo, personagens muito bem construídos e que abrem mão de maniqueísmos (todos os lados do conflito retratado no filme estão expostos, e nós podemos entender todos os pontos, sem que nos prendamos à um “vilão”), a relação do homem com a natureza, tema principal de seus trabalhos. Todos esses elementos aqui estão muitíssimo bem trabalhados, ajudando a compor um dos melhores filmes dos gêneros épico e fantasia da história do cinema.

02. A Viagem de Chihiro (Dir. Hayao Miyazaki, 2001)

O motivo de A Viagem de Chihiro se sobressair a Mononoke, no fim das contas, é que ele é mais universal e mais fácil de ser apreciado. Por mais que Mononoke seja muito bem feito, ele depende muito de seu roteiro para ser acompanhado, que pode ficar muito convoluto, com a mitologia daquele universo (muito bem construída por sinal, com todos os elementos fantásticos fazendo sentido dentro daquele mundo, não parecendo incongruentes ou mal explicados) diretamente ligada à história, fazendo com que o espectador possa não compreender muito bem tudo o que está acontecendo e tudo o que cada elemento e simbolismo significam. Já Chihiro, apesar de se passar em um mundo fantástico, é uma história curta e grossa sobre uma menina tentando sobreviver em um universo novo para ela e voltar para casa. Os elementos fantásticos, aqui, ajudam a dar corpo a história, mas não são diretamente ligados à narrativa. Apesar de interpretar o que cada elemento significa nos ajuda a entender as mensagens que Miyazaki nos reservou por trás dos panos, a história principal é muito sucinta, e, por acaso, se passa em um mundo fantástico, mas poderia se passar em outro ambiente, e nós ainda conseguiríamos nos envolver com a personagem principal e sua jornada. Esta questão da universalidade da história faz com que ela possa ser apreciadas por qualquer tipo de público, tanto as crianças, que se encantarão com a magia daquele mundo e se envolverão com Chihiro e torcerão para que ela saia vitoriosa, quanto para os adultos, que vão decifrar as mensagens por trás da história e amarão o filme ainda mais. Esta capacidade dos filmes do Miyazaki de serem obras com diversas camadas, podendo ser apreciadas por todas as faixas etárias, é o que faz delas tão mágicas e tão queridas. Viagem de Chihiro é como um sonho, nós não entendemos tudo o que está acontecendo e todos os pormenores daquele universo, mas nós o compramos mesmo assim, nos encantando com aquele mundo, e embarcamos na jornada, desejando que nós, assim como Chihiro, pudéssemos nos perder naquele ambiente, e explorá-lo por conta própria, tendo nossas próprias aventuras. Sendo o único filme não-estadunidense até hoje a ganhar o Oscar de melhor animação, fica evidente toda a sua criatividade e grandiosidade. O filme foi o responsável por lançar a carreira de Miyazaki no Ocidente, e não há maneira pelor de descrevê-lo do que, simplesmente, “obra-prima”. Há uma espécie de repercussão negativa sobre Chihiro por aí, com pessoas alegando que é um filme superestimado e há filmes melhores no próprio Ghibli. Por mim, podem criticar o filme o quanto quiserem, ele continuará sendo assistido por diversas gerações e encantando cada uma delas, provando sua relevância e atemporalidade.

01. Túmulo dos Vagalumes (Dir. Isao Takahata, 1988)

No entanto, A Viagem de Chihiro não é a melhor obra já entregue a nós pelo Studio Ghibli. Este título fica a cargo de Túmulo dos Vagalumes, do companheiro de Miyazaki, Isao Takahata, que, apesar de ser menos conhecido e adorado quanto seu colega de estúdio, por ter uma filmografia mais difícil e densa, conseguiu, em Túmulo dos Vagalumes, entregar o filme mais completo da casa de animação, que pode ser universalmente assistido e adorado, diferente de seus outros filmes, que são mais reflexivos e lentos, e por isso afastam parte do público. Contando a história de dois irmãos durante a Segunda Guerra Mundial tentando sobreviver em meio ao caos e a morte, O Túmulo dos Vagalumes não se acanha em mostrar todos os horrores trazidos por este conflito, reforçando sua visão pacifista, e mostrando para o público todos os horrores que poderiam ser evitados se não pelo ódio e orgulho humano. Assim, O Túmulo dos Vagalumes definitivamente não é um filme para crianças, mostrando todo o potencial das animações de atingirem as veias emocionais de seus espectadores, podendo ser tão poderosas e impactantes quando filmes em live-action e não apenas entretenimento barato para os pequenos se distraírem. Apesar de ser pesado e sério, O Túmulo não fica chato e arrastado, como outros filmes de Takahata, especialmente pelo peso de seus personagens. Nós desenvolvemos laços com estes, e queremos saber como eles vão terminar e se vão alcançar o final feliz até a subida dos créditos. Esta empatia que formamos com estas figuras mantém nossa atenção o tempo todo, mesmo nos momentos mais introspectivos e menos movimentados. O Túmulo dos Vagalumes é uma obra que não se limita, indo até o cerne da mensagem que quer passar, o que o deixa ainda mais poderoso e relevante até os dias de hoje, onde persistimos nos erros do passado e continuamos destruindo famílias através das guerras, por motivos mesquinhos e tolos. Assim O Túmulo dos Vagalumes se torna não apenas uma obra muito bem feita e que consegue desenvolver laços com seu público, mostrando todo o poder emocional dos filmes animados, mas uma obra extremamente relevante, para vermos e sermos expostos à todos os males que as guerras trazem, até aprendermos nossa lição e não deixarmos que o ódio e o orgulho subam a cabeça, causando destruição e tirando vidas inocentes que de nada tem a ver com os conflitos em si.

Eu optei por não adicionar os filmes do período pré-Ghibli na lista, mas, a quem possa interessar, suas colocações ficariam: Hórus: O Príncipe do Sol entre O Mundo dos Pequeninos e Da Colina Kukoriko, As Aventuras de Panda e Seus Amigos entre As Memórias de Marnie e Ocean Waves, O Castelo de Cagliostro entre A Tartaruga Vermelha e O Castelo Animado, Chie: A Pirralha entre Pom Poko e As Memórias de Marnie, e Goshu: O Violoncelista entre Ocean Waves e O Mundo dos Pequeninos.