O senhor doutor é um parolo
RJ Pinho
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O artigo estava a correr muito bem, ate’ a’ altura em que decidiu cascar nos doutorandos (que, da minha experiencia, recusam ser tratados por qualquer tipo de titulo precisamente por concordarem que e’ uma parolice, e pelo menos no meio academico que me rodeia, jamais vi alguem tratar um colega por professor doutor). De facto, e’ triste que ainda persista a cultura dos titulos em Portugal, e apesar de tudo, tenho a percepcao que essa cultura esta’ a morrer nas geracoes mais jovens (ao contrario de paises como Italia, onde essa cultura persiste mais que viva e literalmente toda a gente se trata por dottore no local de trabalho, salvo quem esta’ no meio academico). Nunca e’ demais frisar que tal e’ uma parolice, pelo que saude este seu artigo. Temo, contudo, que acabou por cair tambem o RJ Pinho numa atitude parola ao desprezar o valor intelectual de um doutoramento, tratando-o como um mero ‘trabalhinho mais longo, sem ideias proprias e inclusivamente muito mal escrito’… Chega ate’ mais longe, e diz assertivamente que sao os mais mediocres e subservientes que vao finalmente conseguir uma posicao permanente (na realidade, ninguem consegue posicoes permanentes em Portugal nos dias que correm, mas isso e’ outro assunto). Por instantes questionei-me se seria possivel que, conhecendo pouco (mas ainda assim, conhecendo algo) sobre o que se passa em areas cientificas longiquas da minha, eu fosse um benificiado que apenas conhece aquilo que se faz de bom na academia portuguesa, e pelo contrario o RC Pinho tivesse o azar de apenas conhecer a podridao da academia portuguesa; mas logo depois, percebi pela azia implicita no teor do texto (que chega ao cumulo de considerar que ha’ doutorandos que conseguem bolsas de doutoramento sem terem uma motivacao genuina, que apenas o fazem para fugir ao desemprego, ate’ porque e’ mais facil conseguir uma bolsa da FCT que conseguir um emprego no mercado de trabalho…), que se trata apenas de mais um exemplo da parolice e mediocridade que o RC Pinho descreve no resto do texto, transferida para um contexto diferente. Suspeito que o RC Pinho nunca passou os olhos por uma tese de doutoramento, nunca conheceu pessoalmente ninguem que tivesse escrito uma, e ainda assim por alguma razao pessoal, nao resistiu a deitar-lhes fogo em cima.

Nao tivesse sido esse pequeno detalhe, e era um bom texto para nos lembrar de algo que sempre me meteu muita confusao, e ate’ embaraco e vergonha alheia em varias situacoes.

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