Veja cada uma das 20 temporadas de Kobe Bryant na NBA

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A menos que Kobe Bryant dê uma de Michael Jordan, sua principal fonte de inspiração na carreira, e desista da aposentadoria, nesta quarta-feira ele disputará sua última partida como profissional. Curiosamente, ela será contra o Utah Jazz, franquia que eliminou Kobe e seu Los Angeles Lakers nos seus dois primeiros playoffs.

Foram 20 temporadas, cinco títulos da NBA, 2 MVPs de finais, 1 MVP na temporada e só a camisa dos Lakers, apesar de ter usado dois números (8 e 24). Veja abaixo uma lista temporada a temporada de Kobe Bryant na NBA, um jogador que sem dúvida nenhuma marcou época, deixará saudades e entrará no Hall da Fama do Basquete.

Temporada 1996/97

Estatísticas: 71 jogos (6 como titular); 7,6 pontos (41,7% nos arremessos de quadra), 1,9 rebotes e 1,3 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 56–26 na temporada regular, perderam nas semifinais do Oeste para o Utah Jazz (4–1)

Muita gente não sabe que Kobe não foi escolhido no Draft pelo Los Angeles Lakers e sim pelo Charlotte Hornets. Você pode ler sobre a troca que o levou a Califórnia aqui. Depois das negociações e já como um Laker, o ala-armador não começou como titular em grande parte da temporada. O treinador Del Harris preferiu os mais experientes Nick Van Exel e Eddie Jones, com este sendo um All-Star nessa mesma temporada.

Vindo direto do ensino médio, sem faculdade, na época ele se tornou o jogador mais jovem a atuar na NBA (18 anos e 72 dias) e ainda venceu o troféu de enterradas no All-Star Weekend. Os Lakers chegaram aos playoffs e Kobe teve que assumir responsabilidade já dessa vez, tendo a bola na mão no final do jogo 5 contra o Jazz. Mas nervoso e ainda inconstante, ele falhou e a equipe foi eliminada pelo time de John Stockton e Karl Malone

Temporada 1997/98

Estatísticas: 79 jogos (1 como titular); 15,4 pontos (42,8%), 3,1 rebotes e 2,5 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 61–21 na temporada regular, perderam nas finais do Oeste para o Jazz por 4 a 0.

Kobe continuou no banco na sua segunda temporada, já que Van Exel e Jones (ambos All-Star no ano, assim como Shaquille O’Neal) continuaram tendo bons desempenhos e o camisa 8 na época era uma força vindo do banco. Ele ficou em segundo na votação para melhor sexto homem (reserva) da NBA, atrás apenas de Danny Manning (Phoenix Suns).

Pela votação popular, Bryant jogou seu primeiro All-Star Game como titular, podendo encarar seu ídolo máximo Michael Jordan e marcá-lo. Pelos Lakers, com 15,4 pontos, ele teve a maior pontuação de um reserva na temporada, mas seus Lakers mesmo mais completos, voltaram a perder para o Jazz, agora nas finais do Oeste, depois de bater Blazers e Supersonics. Stockton e Malone continuavam afiados.

Temporada 1998/99

Estatísticas: 50 jogos (todos como titular); 19,9 pontos por jogo (46,5%), 5,3 rebotes e 3,8 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 31–19 (temporada diminuída pelo locaute), varridos pelos Spurs na semifinal do Oeste

Em uma temporada encurtada pelo locaute, os Lakers passaram por uma reformulação. Van Exel e Jones foram trocados e o treinador Del Harris demitido após 12 jogos. Com Kurt Rambis, a equipe terminou bem a temporada regular e Kobe se firmou como segundo melhor jogador da equipe, atrás do dominante O’Neal.

Titular absoluto, Kobe ganhou um contrato de seis anos e US$ 70 milhões. Mas os Lakers ainda não estavam maduros, algo que o San Antonio Spurs de Gregg Popovich, David Robinson e o já veterano mesmo com três anos de liga, Tim Duncan, estava. E nas semifinais do Oeste os texanos varreram os californianos.

Temporada 1999/00

Estatísticas: 66 jogos (62 como titular); 22,5 pontos por jogo (46,8%), 6,3 rebotes e 4,9 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 67–15 na temporada regular, conquistaram o título batendo o Indiana Pacers por 4 a 2

Os Lakers foram buscar Phil Jackson, hexacampeão com os Bulls, para treinar a equipe. Com um elenco com duas estrelas e vários jogadores interessantes, Jackson entregou logo na primeira temporada. Kobe cresceu com o triângulo ofensivo, melhorando exponencialmente todas as suas estatísticas e também no aproveitamento de arremessos. Ele ainda foi escolhido para o time defensivo da liga.

O camisa 8 chegou a perder diversos jogos no início da temporada por causa de uma lesão na mão, mas quando voltou viu sua sintonia com O’Neal melhorar e isso teve como ápice o jogo 7 contra os Blazers na final do Oeste. Bryant teve uma partida sensacional (25 pontos, 11 rebotes e 7 assistências) e seu passe para a ponte aérea de Shaq ficou marcada na história dos Lakers (vídeo abaixo). Na final contra os Pacers ele perdeu o jogo 3, depois de ser lesionado intencionalmente por Jalen Rose, mas teve um excelente jogo 4–22 pontos só no segundo tempo e acertando o arremesso decisivo que fez a equipe assumir a liderança- e os Lakers acabaram vencendo o campeonato no jogo 6.

Temporada 2000/01

Estatísticas: 68 jogos (todos como titular); 28,5 pontos (46,4%), 5,9 rebotes e 5 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 56–26 na temporada regular, conquistaram o título vencendo o Philadelphia 76ers por 4 a 1

Kobe venceu o título na sua quarta temporada, bem antes que Michael Jordan e que, posteriormente, LeBron James. Nas nuvens, sua temporada 2000/01 foi sensacional. Ele fez seis pontos em média a mais que na temporada anterior e manteve seu aproveitamento nos arremessos. Com 5 assistências por jogo, ele liderou a equipe nesse quesito. Só que atritos com Shaquille O’Neal começaram a surgir, muito por causa de seu estilo agressivo e por não se envolver nas brincadeiras, abrindo mão de “ficar embaixo da asa” do brincalhão pivô.

Em quadra a equipe venceu “apenas” 56 partidas, muito menos que na temporada anterior. Só que na pós-temporada foi um banho de sangue: varrida contra Portland Trail Blazers, Sacramento Kings e San Antonio Spurs e na final, domínio contra o Philadelphia 76ers de Allen Iverson. Os Sixers chegaram a ganhar em L.A., mas perderam as outras quatro partidas. Shaq novamente foi o MVP das finais, mas Kobe com 29,4 pontos, 7,3 rebotes e 6,1 assistências de média nos playoffs, se colocou em patamar de igualdade com o camisa 34.

Temporada 2001/02

Estatísticas: 80 jogos; 25,2 pontos (46,9%), 5,5 rebotes e 5,5 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 58–24 na temporada regular, conquistaram o título batendo o New Jersey Nets por 4 a 0

Normal para um time bicampeão, a equipe mais uma vez não brilhou tanto na temporada regular, mas Kobe viu seu jogo ficar mais completo, melhorando nas assistências e tendo o melhor aproveitamento de arremessos da carreira. Pela primeira vez ele conseguiu jogar 80 partidas. Primeiro time de defesa da liga, ele também foi eleito para o primeiro time da NBA e foi o MVP do jogo das estrelas.

Depois de bater os Blazers e fazer 4 a 1 no San Antonio Spurs, a equipe teve que enfrentar o Sacramento Kings, melhor time do Oeste na temporada. E em sete jogos polêmicos, por erros e suposta manipulação da arbitragem, a equipe sobreviveu com Kobe mais uma vez sendo clutch. Na final, contra o New Jersey Nets, só ficou evidente a superioridade do Oeste e a varrida foi confirmada, com Kobe fazendo 26,8 pontos por jogo, com 51,8% de aproveitamento nos arremessos. Com 23 anos, o camisa 8 foi o mais novo a conquistar três títulos na NBA. Só que a dinastia já tinha suas rusgas.

Temporada 2002/03

Estatísticas: 82 jogos; 30 pontos por jogo (45,1%), 6,9 rebotes e 5,9 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 50–32 na temporada regular, perderam para os Spurs nas semifinais do Oeste por 4 a 2

A temporada começou com Shaquille O’Neal de fora por causa de uma cirurgia no pé. A recuperação do pivô causou uma das tensões mais célebres com Kobe, já que o camisa 34 intencionalmente atrasou o procedimento para não perder suas férias e toda a discussão vazou para a imprensa. Os Lakers tinham apenas 3 vitórias em 12 jogos e mesmo com Shaq de volta depois de 30 jogos foram só 11 triunfos.

Mas Kobe se impôs especialmente do meio para o fim da temporada. Além de jogar os 82 jogos, o ala-armador teve média de 30 pontos por jogo e fez uma sequência de 9 partidas com 40 pontos ou mais. Primeiro time defensivo e da NBA novamente, ele foi o terceiro na disputa pelo MVP, atrás do vencedor Tim Duncan e Kevin Garnett. E depois de três títulos, Duncan e seus Spurs buscaram a vingança e venceram em seis jogos na semifinal do Oeste, acabando com o sonho do tetra.

Temporada 2003/04

Estatísticas: 65 jogos (64 como titular); 24 pontos (43,8%), 5,5 rebotes e 5,1 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 56–26 na temporada regular, perderam para o Detroit Pistons nas finais da NBA por 4 a 1

Depois do fracasso do ano anterior, os Lakers foram às compras e graças à amizade com Shaq e Phil, Karl Malone e Gary Payton foram seduzidos para Los Angeles para conquistar um anel. Mas Kobe foi o que começou a temporada no holofote, sendo preso por causa de uma acusação de assédio sexual a uma funcionária de um hotel no estado do Colorado. As acusações foram posteriormente retiradas, mas o processo mais a exposição pública de seu casamento e o caso, que terminou de forma pouco esclarecedora, cobraram seu preço.

Os Lakers começaram voando, com 18 vitórias em 21 jogos, mas depois patinaram e Kobe viu seus números de pontos e aproveitamento caírem. Seu jogo foi prejudicado devido a diversas viagens até o Colorado para se apresentar a tribunal, chegando em cima da hora para as partidas. Mesmo assim a equipe terminou com 56 vitórias e passou por Rockets, Spurs — com a bola milagrosa de Derek Fisher faltando 0,4 segundo — e os Timberwolves do MVP Garnett nos playoffs. Mas na final, hiperfavoritos contra o Detroit Pistons, a equipe foi engolida pelo sistema defensivo da equipe do Michigan. Sem Karl Malone lesionado, com O’Neal bem marcado e Bryant arremessando com apenas 35,1% de aproveitamento, os Pistons venceram em cinco partidas.

Temporada 2004/05

Estatísticas: 66 jogos; 27,6 pontos (43,3%), 5,9 rebotes e 6 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 34–48 na temporada regular, não se classificaram para os playoffs

Gary Payton e Shaquille O’Neal foram embora, Karl Malone aposentou, até Derek Fisher saiu e Phil Jackson não teve seu contrato renovado. Este ainda colocou lenha na fogueira e escreveu um livro onde disse que Kobe era “intreinável”. Ou seja, a temporada 04/05 foi um calvário para os Lakers e Kobe, que com um elenco e treinador novos, foi o líder, mas de uma barca furada.

Bicampeão no Houston Rockets, Rudy Tomjanovich foi contratado mas se afastou por problemas de saúde no meio da temporada. Frank Hamblen assumiu para terminar uma temporada para se esquecer e que não rendeu vaga na pós-temporada. Kobe ainda foi o segundo cestinha da liga, mas não foi eleito para o time de defesa e muito menos para o quinteto da NBA. Sua reputação aqui estava em baixa.

Temporada 2005/06

Estatísticas: 80 jogos; 35,4 pontos (45%), 5,3 rebotes e 4,5 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 45–37 na temporada regular, perderam na primeira rodada para o Phoenix Suns em 7 jogos

Foram duas as soluções encontradas por Kobe e os Lakers. A primeira foi trazer Phil Jackson de volta, fazendo as pazes com a estrela da franquia. E a segunda foi trabalhar. O elenco novamente era recheado de jogadores desconhecidos e abaixo da média e por isso o ala-armador tinha liberdade para fazer o que quisesse. E ele fez.

No dia 20 de dezembro contra o Dallas Mavericks, após três quartos Kobe tinha feito 62 pontos, um a mais que todo o time adversário. Como o jogo estava fácil o camisa 8 foi poupado. Mas no dia 22 de janeiro de 2006, ele faria mais. Em um jogo que os Lakers perdiam em casa para os Raptors (14 atrás no intervalo), ele teve que jogar a partida inteira e enfurecido, fez 81 pontos, segunda maior marca da história da NBA, só perdendo para os 100 de Wilt Chamberlain em 1962.

Na temporada ele teve 27 jogos com 40 pontos ou mais, liderou a liga em pontuação (35,4 por jogo, maior marca da carreira), mas o sucesso como equipe ainda não voltou. Os Lakers chegaram a liderar a série contra os Suns por 3 a 1 mas sofreu a virada e foi derrotado em sete jogos logo na primeira rodada.

Temporada 2006/07

Estatísticas: 77 jogos; 31,6 pontos (46,3%), 4,7 rebotes e 5,7 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 42–40 na temporada regular, perderam por 4 a 1 para o Phoenix Suns na primeira rodada do Oeste

A temporada 2006/07 foi similar a de 2005/06 no quesito atuação do ataque dos Lakers, sendo basicamente “joga a bola em Kobe e deixa ele fazer algo”. Ele teve quatro jogos seguidos com 50 ou mais pontos e novamente foi o cestinha da liga. Mas o time ao redor continuava fraco e novamente foi eliminado pelos Suns, mais uma vez na primeira rodada, agora em apenas cinco jogos.

Essa temporada também marcou a troca do número 8 para a camisa 24, que ele sempre quis usar na equipe mas em sua temporada de calouro era utilizada por George McCloud.

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Temporada 2007/08

Estatísticas: 82 jogos; 28,3 pontos (45,9%), 6,3 rebotes e 5,4 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 57–25 na temporada regular, perderam as finais da NBA para o Boston Celtics por 4 a 2

Cansado da inércia dos Lakers nas janelas de transferências, a offseason foi recheada de boatos sobre uma saída de Kobe da franquia, com destino a Chicago ou os próprios rivais de cidade, o Los Angeles Clippers. Mas a temporada começou e os ânimos se acalmaram, graças também à evolução da equipe, especialmente Lamar Odom, o jovem pivô Andrew Bynum e a volta de Derek Fisher.

Mas o que mudou mesmo foi a troca no meio da temporada que levou o ala-pivô Pau Gasol de Memphis para Los Angeles. Com uma nova força ofensiva, os Lakers ganharam muito e ficaram em primeiro no Oeste. Mesmo com sua média de pontos não sendo tão impressionante como antes, seu jogo ficou mais completo e o primeiro e único MVP para Kobe veio finalmente. Na pós-temporada a equipe passou por Nuggets varrendo, pelo Jazz em seis jogos e os Spurs em cinco. Mas contra o Big Three de Kevin Garnett, Paul Pierce e Ray Allen, a primeira final contra os grandes rivais Celtics acabou em derrota em seis jogos para os californianos e o camisa 24, incluindo uma lavada na partida final.

Temporada 2008/09

Estatísticas: 82 jogos; 26,8 pontos (46,7%), 5,2 rebotes e 4,9 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 65–17 na temporada regular, conquistaram o título batendo o Orlando Magic por 4 a 1

Voltando pela vingança, os Lakers venceram 18 das primeiras 21 partidas e dominaram o Oeste, com Kobe tendo partidas marcantes, como os 61 pontos contra os Knicks no Madison Square Garden, recorde histórico na época. Segundo na corrida pelo MVP atrás de LeBron James, o que importava mesmo era a pós-temporada e isso ficou claro logo.

Mas não foi fácil, precisando de cinco jogos contra o Jazz, sete contra os Rockets e seis contra os Nuggets de Carmelo Anthony. Na final, o Orlando Magic de Dwight Howard não foi páreo, perdendo em cinco jogos, onde Kobe dominou com 32,4 pontos, 7,4 assistências e 5,6 rebotes de médias e seu primeiro MVP das finais. Finalmente Kobe Bryant podia dizer que venceu sem Shaquille O’Neal.

Temporada 2009/10

Estatísticas: 73 jogos; 27 pontos (45,6%), 5,4 rebotes e 5 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 57–25 na temporada regular, bateram o Boston Celtics nas finais da NBA em sete jogos

Sem precisar correr na temporada regular, Kobe e os Lakers não foram tão brilhantes mas jogaram para o gasto. Kobe marcou-se como um jogador decisivo nesta temporada, acertando seis arremessos para vencer as partidas. Mas Bryant chegou para os playoffs sem estar 100%, perdendo os últimos jogos da temporada regular.

Mesmo assim nos playoffs a equipe passou por Thunder, Jazz e se vingou dos Suns de Steve Nash para enfrentar nas finais o Boston Celtics. A série foi quente e chegou ao sétimo jogo, disputado no Staples Center. Mesmo não fazendo boa partida (6 de 24 nos arremessos), ele ajudou na virada dos Lakers — que chegaram a perder de 13 — com 10 pontos no último quarto e terminou com 24 e 15 rebotes para vencer a partida decisiva contra o maior rival. Era o quinto título de Bryant, que ainda conquistava seu segundo MVP das finais.

Temporada 2010/11

Estatísticas: 82 jogos; 25,3 pontos (45,1%), 5,1 rebotes e 4,7 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 57–25 na temporada regular, varridos pelo Dallas Mavericks nas semifinais do Oeste

Com cinco anéis, era óbvio que o mundo esperava que ele tentasse o sexto para se igualar a Jordan. E mesmo com os Lakers envelhecendo e ele mesmo com 32 anos, a tarefa era plenamente possível. Após Jackson desistir da aposentadoria para tentar mais um troféu (seria o 12º como treinador, mais 2 como jogador), a equipe foi bem na temporada regular e Kobe conquistou seu quarto MVP no jogo das estrelas.

Mas na pós-temporada a tentativa de um segundo tri de Bryant e Jackson na franquia foi por água abaixo na segunda rodada, quando o Dallas Mavericks de Dirk Nowitzki simplesmente atropelou e varreu a equipe. O Mestre Zen dessa vez aposentou mesmo devido a questões de saúde e a possibilidade de uma reconstrução foi ventilada.

Temporada 2011/12

Estatísticas: 58 jogos; 27,9 pontos (43%), 5,4 rebotes e 4,6 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 41–25 (temporada menor por causa do locaute), perderam por 4 a 1 nas semifinais do Oeste para o Oklahoma City Thunder

O locaute causou uma turbulência inacreditável em Los Angeles. Com Mike Brown, ex-Cleveland Cavaliers, como novo treinador, os Lakers tentaram voltar à evidência da melhor forma histórica que eles sabem: contratando um gigantesco free agent. Chris Paul tinha tudo certo para ser um Laker, com Pau Gasol e Lamar Odom sendo envolvidos na troca. Porém o comissário da liga, David Stern, recusou a troca. Paul terminou nos Clippers, Gasol ficou nos Lakers e Odom terminou em Dallas.

No fim, a temporada ficou marcada pelo crescimento de Andrew Bynum, que se tornou o segundo melhor pivô da liga. Kobe teve uma sequência de quatro jogos com 40 ou mais pontos, mas foi uma temporada atípica, já que perdeu muitos jogos por contusão. Nos playoffs, a equipe não conseguiu domar o Thunder de Kevin Durant e Russell Westbrook e perdeu em cinco jogos.

Temporada 2012/13

Estatísticas: 78 jogos; 27,3 pontos (46,3%), 5,6 rebotes e 6 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 45–37 na temporada regular, varridos na primeira rodada pelo San Antonio Spurs

Se não deu certo com Paul, ia dar certo com Nash e Howard. Os Lakers mais uma vez foram fortes para a free agency na tentativa do sexto título para Kobe e trocaram o segundo melhor pivô da NBA (Bynum) pelo melhor (Dwight Howard), além de trazer o veteraníssimo Steve Nash para montar um quinteto titular estrelado: Nash, Bryant, Metta World Peace, Gasol e Howard.

Entretanto logo no começo da temporada Mike Brown foi demitido e Mike D’Antoni chegou. Kobe e Howard não tiveram boa química, Pau Gasol não se adaptou ao esquema de D’Antoni e Nash nem de perto era o mesmo, tanto em quadra como na saúde. Kobe teve uma temporada bastante boa, especialmente quando foi encarregado de ser um armador e envolver os companheiros, com Nash sendo mais um arremessador quando em quadra. Porém, em abril ele rompeu o tendão de Aquiles e os Lakers sem ele nos playoffs foram presa fácil para os Spurs logo na primeira rodada.

Temporada 2013/14

Estatísticas: 6 jogos; 13,8 pontos (42,5%), 6,3 assistências e 4 rebotes por jogo

Onde os Lakers chegaram: 27–55, não se classificaram para os playoffs

Nem 2004/05 foi tão ruim para Kobe como 2013/14. Howard decidiu ir embora para Houston e a recuperação no tendão de Aquiles foi lenta. Ele jogou apenas seis partidas em dezembro, mas um problema no joelho o fez perder várias semanas e com a temporada dos Lakers jogada no lixo, não tentou apressar a recuperação e encerrou sua temporada.

Assim ele teve a pior média em pontos e o menor número de partidas em uma temporada, com apenas seis.

Temporada 2014/15

Estatísticas: 35 jogos; 22,3 pontos (37,3%), 5,7 rebotes e 5,6 assistências por jogo

Onde os Lakers chegaram: 21–61, não se classificaram para os playoffs

A temporada seguinte não foi muito melhor. D’Antoni foi demitido e Byron Scott, companheiro de time de Kobe em suas primeiras temporadas nos Lakers, foi contratado. O ala-armador foi poupado em diversos jogos, mas mesmo assim conseguiu seu 20º triplo-duplo na carreira e se tornou o terceiro maior pontuador da história da NBA, passando Michael Jordan.

Poupado em diversos jogos, o camisa 24 sofreu uma lesão no ombro direito em janeiro e teve que passar por cirurgia, perdendo o restante da temporada.

Temporada 2015/16

Estatísticas: 66 jogos; 17,6 pontos (35,8%), 3,7 rebotes e 2,8 assistências

Onde os Lakers chegaram: 17–65 até o momento, não se classificaram para os playoffs

Kobe Bryant começou a temporada com a questão da aposentadoria rondando cada vez que aparecia publicamente. Na última temporada de seu contrato e com os Lakers em plena reconstrução — escolheram em segundo no Draft, selecionando o armador D’Angelo Russell — era esperado que pelo menos houvesse um esclarecimento se ele continuaria ou não.

Recuperado da lesão no ombro, seu jogo e o dos Lakers foi muito ruim no começo da temporada. Na esteira desse momento, ele anunciou no dia 29 de novembro em um texto no The Players Tribune que essa seria mesmo sua última temporada na NBA. A partir disso todo ginásio que ele visitou ofereceu presentes e homenagens. E seu jogo melhorou, com algumas ótimas performances, incluindo 38 pontos contra o Minnesota Timberwolves. Bryant foi eleito para o Jogo das Estrelas e foi titular do frontcourt no Oeste. No fim, mesmo com a temporada horrível dos Lakers, o que todo mundo lembrará é que uma despedida digna foi dada a Kobe Bryant.

Atualização: nem preciso falar dos 60 pontos, né?.

Originally published at www.quintoquartobr.com on April 13, 2016.