ONHBem

Miguel Araujo
Aug 24, 2017 · 7 min read

Escolha sua face da moeda. Vai, eu deixo, quero ver se você tem sorte mesmo. Cara ou coroa? Já escolheu? Certo… Vou jogar ela pra cima no três, tá? Um, dois…

Uma vez me disseram que a felicidade só é real quando compartilhada. À priori, não entendi muito bem o significado dessa frase, mas fiquei refletindo sobre ela. Talvez fosse apenas mais uma frase de efeito pra colocar num texto, quem sabe. Depois de um tempo percebi que não era bem isso.

Tinha prometido, pra mim, que fecharia esse ciclo no ano passado; por alguns motivos, achei que já havia chegado o momento de parar e também presumi que esse ano seria complicado pra tentar continuar. Botei na cabeça, desde o final de 2016, que não faria mais isso. Tinha convicção de que seria o melhor pra mim, e já estava satisfeito com o que havia conseguido anteriormente; parecia uma ideia pertinente, não ia mudar, até que… Bem, você sabe. Dara.

Início de 2017, primeiras semanas de aula ainda. Todo mundo tentando se acostumar com a ideia de que esse ano ia ser ferrado(ia?) por causa do ENEM, o sentimento na atmosfera daquele ambiente de que o fim — ou o começo — estava próximo… E aí aparece alguém novo na sala, vindo de outro colégio, curiosamente com o mesmo nome que o meu, curiosamente tendo participado também nos anos anteriores, curiosamente tendo conquistado também no ano passado e curiosamente fazendo a prova do ENEM na mesma sala que eu fiz. Ainda estava fixo na ideia de não fazer mais, até que… Bem, você sabe. Miguel.

Vocês dois sabem. Em algum dia de fevereiro, decidi abrir uma porta pra novas possibilidades, e fui perguntar pra Dara se ela já tinha grupo, quando ela disse que o Miguel já tinha falado com ela. A sincronia começou a partir daí, eu acho. Decidimos, então, formar a equipe, que só foi ter nome oficial muito tempo depois, passando por algumas sugestões como “Dó Ré Mi Fá Soviete” até chegar, enfim, ao “Sapere Aude”, que foi pensado em conjunto sem ninguém saber(mais uma sincronia). Estava concretizado, então: ia participar da 9ª ONHB. Minha última participação.

Pensar que seria meu último ano fazia me lembrar de tudo que já passei desde que comecei a fazer essa Olimpíada, na oitava série. 13 anos, a voz meio falhada ainda, mas com o objetivo de ir o mais longe possível, e até hoje me lembro de quando a Camila e a Larissa me convenceram, na aula de Ciências, a formar equipe com elas; aceitei e entrei nesse projeto. Escolher um nome pra equipe é sempre difícil, porque sempre queremos algo legal e que acabe se tornando uma marca; tenho orgulho em dizer que a nossa foi “Qualquer Três". Ainda no oitavo ano, conseguimos chegar até a quinta fase, e achamos um feito extraordinário pra nossa primeira experiência. Motivados a tentar chegar na final, continuamos com a mesma equipe no ano seguinte, 9ª série, e fomos passando pelas fases online até chegar o dia da divulgação das equipes que passariam para a final presencial. Lembro de ter recebido a mensagem da Camila de manhã, antes de ir pra aula, e quase caio no chão sem acreditar na notícia. Estávamos eufóricos(não é pra menos) e quando chegamos na sala nos abraçamos fortemente. Infelizmente, não conseguimos ganhar medalha, mas felizmente(e hoje consigo perceber isso) pude viver essa experiência inexplicável. Conheci novas pessoas, formei laços, amadureci e pude ir, pela primeira vez, a Campinas, ao lado de pessoas incríveis. Por mais que tenha alguns problemas com minha memória, momentos assim nunca esquecerei porque, mais que estar naquilo, eu estava vivendo aquilo.

Nessa jornada, de duas coisas me arrependo: a primeira é não ter comprado a blusa preta ano passado, e a segunda é de não ter participado no primeiro ano. Mas acho que era necessário esse hiato. Decidi que ia fazer no ano seguinte com o Pedro e o Lucas, e juntos formamos o Equipe É Lados. Buscamos dar nosso melhor e fomos passando de fase com foco e determinação pra conquistar os 3 pontos, mas infelizmente a vitória não veio na quinta fase, a última online. Porém, outras portas se abriram, e fui presenteado com o convite da Letícia pra poder ir na equipe original dela, já que ela não poderia viajar, e felizmente o Raul e o Mateus aceitaram minha entrada, daria meu melhor pra conseguir alcançar o objetivo maior, inédito pra mim: a medalha. Estudamos durante o período pré-Campinas e, na hora da prova, estávamos concentrados e decididos sobre o nosso papel ali dentro. Até hoje lembro das câimbras que tive nas mãos para poder terminar faltando 5 min pra entregar a prova. Sem emoção não tem graça, né?

No dia seguinte à prova, a premiação, que, como já contei num texto que fiz ano passado, foi maravilhosa. Quase perco a voz de tanto gritar ao ouvir o nome da equipe “A Dama e os Vagabundos” sendo anunciado no microfone pra pegar a medalha de prata. Naquele instante, havia atingido meu ápice de felicidade. Mas ainda havia mais coisa pela frente.

Agora somos a Sapere Aude, em 2017. Dara, Miguel e eu. Três pessoas empenhadas e focadas pra conseguir encerrar bem o ciclo da ONHB. Aprendemos muito uns com os outros e, o melhor de tudo, pudemos fortalecer nossa amizade, o que é muito importante. Os debates no Facebook, Whatsapp, os memes criados e o trabalho que deu a 4a fase me fazem sorrir e pensar que tudo realmente valeu a pena. Valeu a pena ter entrado pela última vez nessa, valeu a pena ter mostrado o Pasquim pro Cléber checar pela última vez e nos ajudar pra caramba, valeu a pena ter passado por tudo isso. Valeu a pena pelo que vem a seguir:

Estou olhando para o Miguel e para a Dara. Estamos na sala pra fazer a prova, na expectativa do seu início, porque ela atrasou. De repente, começamos a frescar, mas naturalmente, como se soubéssemos que naquele momento estávamos preparados pro que viesse, e também numa tentativa de tranquilizar nossos corações. Eu, com meu gorro peruano, a Dara, com os palitos de chocolate, e o Miguel, com centrado(desculpa pela piada). Quando abrimos a prova, um choque: não era nada do que a gente tinha estudado. Mas lemos em conjunto e dividimos as tarefas, e conseguimos nos adaptar ao que as questões pediam. Trabalhando em equipe, sem individualismo nem protagonismo, éramos, naquele momento, um só corpo e uma só alma. Respondemos as questões e fomos passar a limpo, sempre o momento mais desesperador pra um olímpico; eu tive tanta dor na mão que não consegui botar o ponto final na prova, tive que pedir pro Miguel botar por mim, e devo dizer que ganhamos um ponto a mais(piadas novamente). Olhamos para a Dara, e ela, com sua destreza e agilidade de monge copista, conseguiu terminar faltando 1 minuto. Sem emoção não tem graça, né?

O texto deve estar grande, mas não me importo com isso. Como no texto do ano passado, quero passar tudo o que senti, mas dessa vez é tudo o que eu senti em toda essa trajetória da Olimpíada. Não dá pra dizer pra alguém que nunca participou da ONHB o que representa a ONHB. Só quem vive isso sabe a sensação maravilhosa que é fazer tudo isso. E só tenho a agradecer ao mestre que me apresentou e sempre apoiou durante todos esses anos; obrigado por tudo, Cléber, você não tem noção do quanto é e foi importante nesse processo. Muito obrigado. Mesmo. Sem você, a ONHB não é a mesma coisa.

Sem vocês, essa viagem não seria a mesma coisa. Dara, Raul, Tiago, Miguel, Clara, Igor, Éster, Bia Lima, Bia Torres, Sávio, Nicolas, Marvin, Virgínia, Mel, César, Nahara, Pedro Sombra, Pepê, Gustavo, Rodrigo, Edineuba, Marcelo, Iesse, Cléber… Consegui, durante esses 3 viagens que fiz, me aproximar de pessoas que nunca imaginei que pudesse me aproximar, e isso é incrível. É fantástico. É algo que só a ONHB proporciona, e é algo que vou levar por toda minha vida!

Estamos na premiação agora. Nervosos pra cacete, com medo do que não pudesse acontecer, mas bem acompanhados. Muito bem acompanhados. Ouvíamos o Ceará arrastar as medalhas, e felizmente pudemos ouvir “Lutar sem temer" e “Colheré Lerde” sendo anunciado. Foi uma emoção que vocês não imaginam; quer dizer, talvez imaginem, com as fotos abaixo. Eu tenho muito orgulho de dizer que fiz parte dessa equipe, que pude ouvir, então, “Sapere Aude” sendo anunciado, que pude abraçar vocês dois e mais um tanto de gente pra comemorar essa conquista, pra comemorar os 3 pontos. Que pude aprender e amadurecer em 4 edições de Olimpíada, que pude comemorar medalha em duas delas mas, acima de tudo, que pude viver e sentir a essência da felicidade.

A felicidade só é real quando compartilhada, e pude aprender, na prática, o significado dessa frase. Infelizmente não poderei mais participar da Onhb, mas olho pra trás e vejo que tudo foi maravilhoso e que pude fazer parte de algo tão grande assim. Quando você menos espera que…

“…três. Caramba, você tem sorte mesmo, hein, a moeda caiu na face que você escolheu! Como você se sente depois disso?

-Extremamente feliz. Mas não é sorte, não, meu caro. É a certeza de que fiz a escolha certa.”

O maior texto já escrito por Miguel Araujo

)

Escrevo textos e transcrevo sentimentos. Em alguns momentos, ambos.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade