Por que(m) não?

Observando aquele cenário, não consegui não me encantar. Todas as flores, as árvores, aquela praça limpa e cheia de vida, o farfalhar das folhas ouvido ao longe… Era realmente incrível toda aquela atmosfera. E você estava lá, bem no meio de tudo. Sentada no banco, ouvindo suas músicas preferidas, usando óculos escuros porque a luz solar a incomodava, mexendo tão docilmente seu cabelo, aqueles cachos que desfilavam pela sua cabeça e que mais pareciam dançar uma música lenta(mas bela). Seu sorriso de orelha a orelha, a forma de tamborilar os dedos naquele banco cinza, aparentemente sem vida, mas que estava colorido devido a sua presença. Um cenário maravilhoso, acima de tudo… Mas que não existia.
Estive pensando em você ultimamente; na maior parte do tempo, pra ser mais (im)preciso. Constantemente você surge na minha cabeça, e não posso controlar isso, ainda que queira. Meu subconsciente não permite. Talvez (suponho) ele considere que você é importante para me fazer levantar todos os dias com um sorriso no rosto, disposto pra enfrentar qualquer dificuldade que venha a surgir, e ativar as partes do meu cérebro que me mantém feliz e seguro. Talvez ele julgue que sua presença me faz bem, cura minhas feridas e me deixa alegre. Talvez ele esteja certo, afinal.
Acho que tenho pensado em você porque é a maneira de você estar perto de mim, mesmo estando longe, o que é cruel, de certa forma. Ou talvez seja natural, mas não consigo perceber. Porque há coisas na vida que a gente pode ter, mas não pode manter.
E é por isso que me pego, às vezes, lamentando por coisas que não fiz ou palavras que não disse. Palavras que eu poderia ter dito, mas estava com medo de pronunciá-las em voz alta, porque não saberia qual seria sua reação. Palavras que vêm de discursos decorados mentalmente mas que, no final, não são postas à tona. Ainda bem que tenho a escrita ao meu favor nesse momento.
Uma das coisas que queria dizer era o quanto você é incrível. Sério. Admiro muito a pessoa que você é: inteligente, amigável, se importa com os que estão a sua volta, e me inspira diariamente a ser melhor do que eu fui no dia anterior. É difícil reconhecermos nossas qualidades, parece que só temos defeitos, eu sei, sei como você se sente, mas acredite no que eu te digo quando te digo que você é mais céu que abismo. Volte algumas linhas para a primeira palavra depois de “incrível”. Tem letras de músicas que me fazem lembrar de você instantaneamente, seja porque foi você que me mostrou, ou simplesmente por descrever alguma qualidade sua. E essas são, sem dúvidas, as melhores músicas que já escutei na vida.
Uma das coisas que deveria ter feito era ter te abraçado mais. Só que não sabia se estaria sendo invasivo ou “enchendo o saco”, na minha cabeça parecia ser algo bom. Por não ter feito nada disso, escrevo esse texto agora.
Lembra do cenário que descrevi no primeiro parágrafo? Sabe o por quê de ele não existir de fato? Porque ele só aconteceu na minha cabeça. Assim que olhei pra você. Mas você estava sentado em um banco, sim. O resto foi meu cérebro que imaginou, que associou a coisas boas, que sinto quando lembro de você.
Sim, você é tudo isso. E muito mais. E tenho medo de perder o contato com você, porque, como disse, há coisas na vida que a gente pode ter… mas não manter. Sou muito agradecido por te ter em minha vida.
Pra você, que chegou até essa parte e está se perguntando em quem estou pensando, saiba que a resposta para isso não importa. Olhe o título do texto novamente. Pergunte-se: por que(m) não falar isso? Por que(m) não falar as qualidades, as coisas boas que as pessoas têm, tentar animar seus dias, fazê-las se sentirem bem, em um mundo que parece ser “legal” ser frio, insensível e intolerante?
Por que(m) não escrever um texto?
