Viver o que não se vive
Recentemente iniciei um projeto que durante meses ficou no status de “ah, que ideia bacana”, mas decidi, enfim, dar uma chance. O projeto é de mensagem e objetivo simples: viver o que não se vive, inspirado em um canal do youtube o Coisas que Nunca Vivi (ou evitava viver). Isto me gerou uma ânsia de quebrar com a monotonia e fazer algo diferente, a ideia que o canal passa é oxigenante e alegradora e todos deveriam, ao menos, senti-la.

Mas o que exatamente é isso?
Nossa rotina muitas vezes nos desgasta e nos aprisiona — mas é um tipo de prisão diferente, uma prisão invisível e indolor que a torna muitas vezes imperceptível e silenciosa. Em muitos casos acabamos por notá-la quando nos encontramos extremamente descontentes e desanimados, com um sentimento de “parece que há algo faltando… mas o quê?”, mas não precisamos chegar aí para repensar a vida que estamos tendo.
Viver o que (ainda) nunca viveu exige um processo de interiorização, uma busca pelo self, por aquele sentimento de quando éramos crianças e queríamos ser astronautas, conquistar planetas ou só se aventurar por aí, é necessário, primeiro, ter noção de si. Essa é uma das maiores problemáticas que a rotina frenética nos impõe, acabamos esquecendo quem somos e até de nossos desejos mais simples e isto é cruel. Viver o que ainda não viveu (ou apenas evitava viver) é um convite à mudança e a pensar diferente.
Por onde começo?
Como tudo na vida, comece pelas coisas simples. Pense em coisas pequenas que sempre teve vontade de fazer e ainda não teve oportunidade e coloque em um bloco de notas, eu disse coisas pequenas, nada de começar com fazer a volta ao mundo ou conquistar planetas pela galáxia afora. Eu comecei indo à biblioteca da minha Universidade e procurando livros que nunca tinha dado uma chance, como nunca fui de ler poemas acabei pegando o livro do Leminski “Toda Poesia”, como eu queria testar minha leitura em inglês e nunca me dei essa oportunidade, peguei um livro aleatoriamente chamado “The Fixer” do Bernard Malamud e como eu nunca tinha lido um livro de terror peguei o “Cão Raivoso” do grande Stephen King. São coisas pequenas que nunca vivi, mas que foram totalmente prazerosas e inesperadas.
A graça está em inserir em nossa rotina coisas pequenas, mas enormes em significado, nos dar o luxo de experimentar nesse mundo de tantas (in)certezas, mesmo que sirva somente pra qualificar como: “ok, isso eu não gosto de fazer”. Dia após dia é necessário avançar nesse projeto, conhecer um pub novo que abriu recentemente; ir a um restaurante de comida tailandesa, conhecer pessoas novas no trabalho, na Universidade, no bairro; praticar um esporte novo; andar por uma rua ao invés da outra, experimente.
Trecho de “Vou Tentar” de Fabrício Carpinejar.
[…] Tentar é não ajudar a si mesmo.
Tentar é evitar provisoriamente as cobranças.
Tentar é trocar as atitudes por lamentos.
Tentar é não dar o exemplo.
Tentar é não estar certo disso.
Tentar é não fazer.
Tentar é sempre fracassar.
No final das contas será possível enxergar a quantidade de oportunidades que a vida nos dá de pensar, agir e ser diferente e o quanto nós às vezes nos fechamos e nos escondemos das aventuras. Isto tudo é um convite à mudança, um convite a conhecer a si, ter noção dos seus gostos, experimentar e vivenciar, afinal: é tempo de homens e mulheres possíveis, é tempo de viver o que ainda não se viveu, ou só evitava viver.
Compartilhe conosco suas experiências de Viver o que não se vive com a hashtag #coisasqnuncaviviPDH, no Facebook e no Instagram.