{2015}

É dia vinte e sete e o céu começa a se renovar. Não só ele, mas as águas, as árvores, a gente. Dizem que fim de ano é tempo de renovação, e talvez seja um pouco mais. Talvez seja tempo de evolução, de repensar o ano, de querer fazer melhor.

Posso dizer que dois mil e quinze foi um ano meia boca. Matutei pra lembrar um monte de coisa e só lembro algumas. Ao escutar o nome do ano que não devemos pronunciar, me vem logo à cabeça minha imagem em POA com a roupa do corpo. Não a roupa do corpo exatamente, mas sem uma mudinha de roupa, sem minha mala com roupas. Pra completar, haviam ainda meu irmão e minha mãe.

Quando falam em dois mil e quinze, me vem à cabeça amigos. Acho que nunca fortaleci os laços com eles como fiz esse ano. As criaturas da faculdade, as que eu carrego do colégio. Briguei com alguns, pra não perder o costume da falta de paciência, mas continuamos nos amando. Alguns brigaram comigo e fiquei triste, mas passa, depois de um tempo, estamos em uma piscina, fazendo/comendo churrasco ou apenas jogando conversa fora.

Ao ver as fotos desse ano catastrófico, vejo a primeira foto: meus pés. E logo lembro do primeiro dia do ano, de terno e gravata, cedinho, no calor da cidade. Tem registro também. Tem print de monte, tem selfie de monte, tem foto de besteira, tem foto de uns amores. Amores esses que vejo e converso todo dia, a pesar de nem sempre conseguir ler tão rápido quanto eles mandam mensagem. E quando caio em mim, estou pedindo resumo do dia.

Em dois mil e quinze descobri um montão de coisa massa. Como ir à praia, que pode ser um programa ótimo. Esse ano também aceitei meu corpo, assumi, mais uma vez, meus cachos, e comecei o demônio do low poo, que, depois de quatro meses, já não é mais demônio. Também meditei pela primeira vez e vou meditar mais vezes.

{7 de setembro: primeira praia do ano}

O Spotify disse que escutei dezenove mil minutos de música, o que dá uns treze dias. Quem me dera o Netflix fizesse o mesmo com os filmes e séries que eu assisti. Ou o Facebook me dissesse quantos minutos eu passei com a aba aberta, meu computador com ele ligado e assim vai. Uma vida contada em tempo. Tempo pra dormir, tempo pra lazer, pra estudar, pra fazer as coisas da faculdade (força do hábito).

Esse tal ano ainda não acabou, mas deixará alegrias para seu sucessor. Pois que venha dois mil e dezesseis. Que ele venha cheio de felicidade e páginas em branco. Que venha recheado de surpresas e, quem sabe, com meu primeiro aniversário surpresa. Quero lágrimas, risos, churrascos, amigos, família, viagens, realizações.

Para ele, a esperança de acabar mais séries, ler mais livros, escutar mais música, dirigir melhor e fazer um monte de coisa bacana que eu nem sei o que é ainda. Quero que seja emocionante. Quero que seja novo, o ano. Quero que venham novas conversas e pessoas, trabalhos, estudos, comidas, viagens, muitas realizações, felicidade e energias positivas.

Mas enquanto ele não chega, o cheiro das comidas que perfumam a casa para as ceias e nos dias seguintes tem cara de infância, cheirinho de família.

{natal}