Sobre lembrança

Em meio às minhas leituras e aos barulhos dos carros que, mesmo a uma altura como a que estou, parecem passar do meu lado, eis que escuto um triângulo ao fundo. Aquele tilintar que me lembra tanta coisa. E ele foi tomando minha atenção. Tirando-me das letras e da garota de cabelos cacheados que corre no filme. Por alguns minutos eu me atentei ao tilintar. E fui à janela procurar esse alguém.

Eis que vejo, entrando na minha rua, o tilintador. O moço que toca o triângulo e vende as chegadinhas. Nesses minutos em que ele ganhou minha atenção, lembrei de tanta coisa. De quando eu era pequeno e meus pais me levavam à Praia de Iracema para ver o Palhaço, que se arrumava ali mesmo, na nossa frente. Lembrei de quando eu ia à praia. Lembrei de quando, todo fim de semana, meus pais me levavam ao teatro.

Lembrei-me do vendedor de chegadinhas que tilinta Asa Branca e que também é porteiro, o Juliano, a quem fui apresentado no aeroporto, por um projeto tão bacana, enquanto esperava minha mãe chegar, depois de pouco mais de dois meses longe. Lembrei de lembrar.

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