As Olimpíadas que o Mundo nunca esquecerá…

Comitiva israelita na cerimónia de abertura das Olimpíadas de Verão de 1972

Assinala-se este ano o 45º aniversário do Massacre de Munique. Em apenas 19 horas o Mundo mudou, e a comunidade internacional passou do choque ao luto. O conflito Israelo-Palestiniano entrou neste momento no seu momento mais tenso em décadas.

Verão de ´72. O mundo juntava-se em frente à televisão para assistir às Olimpíadas de Verão, as primeiras em território alemão desde o fim da 2ª Guerra Mundial.

Devido a este facto, a presença de uma comitiva judaica (Israel) demonstrava o espírito de união e harmonia que se pretendiam para estas Olimpíadas. Longe estava o público de saber que este evento iria para sempre ser relembrado pelo contrário.

Na madrugada de 5 de Setembro, pouco depois das quatro da manhã, oito homens armados entraram na aldeia olímpica e dirigiram-se ao bloco 31, onde estava instalada a comitiva israelita. Ao irromperem pelos quartos dos atletas, dois israelitas foram mortos a tiro. O corpo de um foi colocado à porta do bloco. Os outros nove atletas ficaram reféns dos terroristas.

Passou mais de uma hora até o alarme ter sido dado. Um polícia que fazia segurança no complexo viu o corpo do treinador à porta do alojamento israelita e informou de imediato as autoridades. Eram 05h30 da manhã.

Rapidamente um grande contingente policial circundava o edifício onde os terroristas se barricaram. Manfred Schreiber, chefe da polícia, ficou encarregue das negociações.

Às 06h00 surgiram as primeiras exigências. Duas folhas de papel foram atiradas de uma janela. Nelas os atacantes identificavam-se como membros do grupo “Setembro Negro”, listando 234 nomes. Esses nomes identificavam palestinianos detidos em Israel, que deveriam ser libertados imediatamente. A polícia tinha até às 09h00 para resolver esta situação, ou um refém morreria.

Schreiber contacta a primeira ministra israelita Golda Meir e relata a exigência dos sequestradores. Esta pede tempo para reunir o seu gabinete, antes de transmitir a decisão final. Às 8h45m, acompanhado por dois oficiais olímpicos, Schreiber caminha até ao bloco 31 e encontra-se com o líder do grupo terrorista, Luttif Afif.

Encontro entre o chefe da polícia e o líder dos terroristas

Consegue comprar mais tempo — até ao meio dia — mas com uma consequência: se falhar morrerão dois atletas. Às 11h45m Schreiber recebe a resposta israelita à exigência de libertação de prisioneiros. A mensagem é clara: Israel não negoceia com terroristas.

A equipa de negociação percebeu naquele momento que o sequestro tinha de acabar através de uma intervenção musculada. Com quinze minutos até à hora limite, a equipa decide jogar uma perigosa cartada: o bluff.

Schreiber informa os sequestradores que Israel está a cooperar. O plano compensa e nenhum atleta é morto na hora limite. Ao longo da tarde, vários prazos limite foram estabelecidos mas a equipa de negociações não alterou a sua narrativa. Israel cooperava e as exigências iriam ser cumpridas. Apenas necessitavam de mais tempo.

Às 17h00 há uma reviravolta. Os terroristas exigem um avião que os transporte, com os reféns, até ao Cairo. Schreiber vê uma oportunidade de levar o sequestro para uma área aberta, ao contrário do que até então tinha sucedido. Aceitou essa exigência.

Às 22h00, um autocarro chega ao parque subterrâneo do bloco 31 e leva os sequestradores e os reféns até dois helicópteros UH-1 Iroquois, estacionados a duzentos metros de distância. O voo tinha como destino o aeroporto militar Furstenfeldbruck, onde um Boeing 727 estava preparado para levantar na pista.

Helicóptero a aterrar para levar os sequestradores e reféns para o aeroporto militar

Às 22h05m os helicópteros partem para o aeroporto militar. A polícia prepara uma emboscada. São colocados três snipers na torre de controlo e dois na pista de aterragem. No interior do Boeing 727, destinado ao Cairo, a tripulação de bordo é constituída por polícias e está fortemente armada.

O objetivo de Schreiber é abater os terroristas rapidamente, sem perder nenhum refém ou agente. A tripulação do Boeing estava encarregue de neutralizar os atacantes que fossem verificar o avião, e os restantes seriam da responsabilidade dos snipers colocados na torre de controlo e na pista de aterragem.

Os helicópteros aterraram e o líder dos terroristas entrou no avião que estava na pista. Saiu segundos depois e correu de volta para o helicóptero. Um dos snipers posicionados na torre de controlo tentou atingir o terrorista. A tentativa não foi bem-sucedida, e deu lugar a uma violenta troca de tiros.

Na escuridão da noite ninguém conseguia perceber com clareza o que se estava a passar, mas assim que o tiroteio cessou começaram a circular informações que garantiam o salvamento dos atletas. O cessar fogo durou uma hora.

De repente, dois terroristas saíram do helicóptero mais afastado da torre de controlo e lançaram granadas para o interior deste. Não se sabe se os atletas ainda estavam vivos no momento da explosão, que destruiu por completo o helicóptero. Os que estavam no segundo helicóptero foram mortos a tiro.

19 horas depois de ter começado, o sequestro acaba da pior maneira. Todos os reféns morreram. Um polícia alemão foi morto na intensa troca de tiros no aeroporto. Cinco dos oito terroristas foram abatidos e os restantes três foram capturados.

Por incrível que pareça os Jogos continuaram, apesar das críticas internacionais.

Momento em que Jim McKay, correspondente desportivo da ABC, após 14 horas em direto, relata a morte dos reféns israelitas

Esta infografia resume-nos as operações do fatídico dia, relatando-nos os acontecimentos de uma forma simplificada.

Infografia que resume os acontecimentos do dia 5 de Setembro de 1972
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