A pior pessoa do mundo, eu

Quão covardes podemos ser inibindo aquilo que nos causa frio na espinha? A velocidade como a gente acontece me assusta. Eu já passei por algo semelhante, e o final não foi nada saudável. Tudo o que começa rápido, tende a terminar na mesma intensidade. Eu não vim para ser fogo de palha. E não tenho psicológico para ser lenha na fogueira de ninguém. O tempo é algo muito valioso para se desfrutar. É preciso desfrutar. A fluidez de como o texto se desenrola que indica se nossa relação será um clássico ou não. Nunca fui um bom leitor. Não to acostumado com livros longos. E nem passo perto da sessão romântica das bibliotecas. Meu tesão tem sido por autores malditos. Fortes. Curtos. Safados. Regados a muito sexo e álcool. Como os Bukowski’s na minha prateleira. Só que eles também são tristes. São ficções criadas por um Velho tarado. E meu íntimo tem rejeitado esses tipos de páginas. Eu tenho medo do poder que as palavras tem. Desse animismo sentimental. Das cordas que vamos dando até nos enforcarmos. Sufocando com as mentiras que acabamos dizendo a nós mesmos. Um relacionamento consiste em duas pessoas vibrando na mesma faixa. Em troca de energia. Em caridade. Respeito. E eu não preciso ser médium para ver que um faz os sacrifícios e o outro decide se vai aceitar ou não. E porque estar disponível, num espaço tão pequeno? Vou seguir meu coração como Seu Ubiratã insiste em me dizer nas giras de Caboclo. Eu deixei passar do ponto. Permiti ser real. Intenso. Mas o fundo do meu peito diz pra eu tomar cuidado, pois meus desejos não devem ser maiores que outros sentimentos. É egoísmo. E por isso eu preciso diminuir o ritmo. Preciso voltar para o meu eixo. Preciso focar nas pessoas certas e voltar a fluir como o rio que sou. Minhas linhas são confusas, eu sei que são. E até me entender, eu não vou conseguir me entregar de corpo e alma. Paciência estende ciclos, eles dizem. E eu peço desculpas.

- maldito poeta