Instável

Pior não é o medo da vida, é aquela vontade de morrer de vez em quando. Tipo a certeza que estamos fazendo tudo errado e que nada novo vai acontecer. Nada vai. A velha rotina é um câncer, esses tumores sempre foderam comigo, e mesmo sendo difícil identificar relações abusivas, eu sabia que ela estava ali. Meu patrão me paga menos de dois salários mínimos para que eu desista dos meus sonhos. Trabalho mais de nove horas por dia. É tempo suficiente para pensar em suicídio, mas eu nunca farei. Meus textos não fluem mais como antes, minhas poesias não encantam, eu não to satisfeito com mais nada. Quando to em casa, não quero sair dela, quando to na rua, não quero voltar pra casa. Eu não sei o que eu quero. Eu não sei. Meus amores me abandonaram após eu ser franco com elas. Não quero amores! Mas sinto falta do chamego delas. Eu devo ser a pior pessoa do mundo. Bom filho não sou. Faço questão de esclarecer isso sempre que minha mãe fala comigo. Eu me importo com a velha, mas não quero saber o que aconteceu no último episódio da novela. São constante as brigas, sempre os mesmos motivos. Até a playlist me cansou. No bar desce aquela gelada, depois a quente, uma porção e outra gelada. Eles já sabem do que gosto. Meus amigos são os únicos que me entendem. Eles também são fudidos da cabeça. É óbvio que entenderiam. São os únicos que eu quero perto de mim, mas me da ânsia só de pensar em entrar em contato. Ainda assim os amo, eles sabem, imagino que sabem, mas se não souberem tudo bem, eu os amo por serem pecadores, e eles me amam por minhas falhas. Por hoje eu só queria entrar em coma e acordar com tudo diferente. Pena que minhas orações não são ouvidas.

- Maldito

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