Eu considero que em muitos momentos também eu sou um artista, um artista que não só pinta como também faz da vida a sua arte. E viver tem a sua arte. É preciso ser um pouco louco e não nos prendermos por nada.

Não me sinto inspirado hoje, as palavras parecem que não saem com fluidez. Estou a demorar muito a escrever. Talvez por não estar a escrever para mim e saber que depois vou publicar isto para algumas pessoas, que qualquer pessoa pode ler um pedaço de mim. Não que me tenha em grande conta. Mas é sempre uma invasão de privacidade ler as palavras de outras pessoas. Estás a invadir a minha privacidade :) Não tem mal, eu deixo. Somos um pouco loucos com esta questão da privacidade. Como se nos pudessem roubar alguma coisa se entrarem na nossa privacidade. Mas de que temos medo quando falamos da nossa privacidade? Será que temos medo de sermos quem somos e alguém veja isso. Mas porquê? Eu considero que não tenho problemas com privacidade, não me podem fazer mal, e se encontrarem alguma coisa escandalosa, não vejam. É a minha vida. Não tenho que dar satisfações daquilo que faço a ninguém. E isso é ser livre.

Eu sou livre. Sou livre porque não tenho ninguém nem nada a prender-me. Sou livre porque posso fazer o que eu quiser, quando eu quiser, como eu quiser. Muitas vezes no secundário discuti a questão da liberdade. E a liberdade nos dias de hoje é como uma realidade paralela, achamos que somos livres e não somos. Muita gente é escrava do trabalho, de quem lhes paga o salário, alguém é dona do tempo que este tem que dedicar na sua vida. Eu sei que tenho grandes defeitos e um deles é ser utópico, de acreditar no impossível. Mas já dizia alguém…o impossível é só impossível até se tornar possível. Por isso gosto de pensar no impossível. Gosto de pensar sem barreiras, nem dentro de quadrados, isso limita o pensamento. Um professor meu do secundário dizia que o único sítio em que somos livres é no nosso pensamento, e aí ninguém nos pode tirar a liberdade, até se tivermos presos. Obrigado professor David por este ensinamento. Eu considero que até na mais pequena coisa posso aprender, posso ir apreendendo coisas novas até morrer, isso não me limita, só abre novas possibilidades, novos horizontes e novas perspectivas. E eu gosto de abrir os meus horizontes na forma de pensar. Dá-me uma ideia irreal de evolução. Mas gosto de pessoas que me desafiem a pensar diferente porque pode ser que nessa diferença saíamos os dois a ganhar mais algum ensinamento.

Obrigado

Miguel Novais