Sem portas ou muros.

Por que corremos tanto em direção ao mar, se a realidade está bem atrás de nós?

A resposta é simples: porque o mar nos abraça e não pede satisfações. Porque o mar nos faz esquecer que bem atrás de nós existe um mundo cão que só olha pro próprio umbigo e nos exige viver num ritmo desumano. Porque, diferente de algumas relações que vivemos, o mar não nos machuca se mergulharmos de cabeça nele. Até se errarmos o mergulho e cairmos de barriga, a dor compensa só porque é no mar. E o mar pode tudo.

O mar ouve e ao mesmo tempo aconselha. O mar não cobra consulta nem limita o tempo de desabafo. O mar nos fala verdades sem pronunciar uma só palavra (e, pra ser sincero, não conheço uma pessoa sequer que tenha discordado dele). O mar não tem portas para serem trancadas. Entra e sai quem quer, quando quer, na hora que bem entender.

O mar não tem muros porque existe exclusivamente para nos acolher; quando quisermos, na hora que bem entendermos.

O mar não cobra direitos autorais.

Ainda bem.

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