Tudo que eu não queria.
Quanto tempo leva pra realizar um sonho? Quais ferramentas necessárias pra alcançá-lo? E se um dia, quando estiver quase chegando lá, vir uma onda e derrubar tudo? Chamar essa onda de azar seria um grande erro.
Por muitos anos busquei um sonho que eu nunca quis, mas não me conhecia profundamente pra entender isso com clareza. Investi, dediquei toda minha energia, e por muitas noites fui dormir chorando e reclamando de como a vida era injusta comigo. Acontece que depois de um tempo as coisas ficaram mais fáceis e a possibilidade de viver esse sonho foi se tornando cada vez mais real. Porém, eu descobri que esse sonho não era meu. Era fruto do meu ego, de uma vaidade adolescente que as vezes lhe cega completamente.

E se eu tivesse conquistado tudo o que eu não queria, com certeza hoje eu estaria extremamente infeliz.
Depositar a razão dos acontecimentos na sorte ou no azar é concordar que a vida é uma roleta russa, onde quem está numa posição privilegiada aceita feliz (claro), mas quem está na miséria tem que engolir seco a vida sem uma explicação coerente. E, pra mim, isso é uma linha de raciocínio das mais mesquinhas.
A vida nos ensina algo todos os dias e quem tiver olhos de ver que veja. O problema é que somos induzidos a buscar o que não precisamos e deixar de lado o que realmente importa: a paz de espírito. Somos induzidos a prazeres materiais e por isso muitos passam a vida inteira dando murro em ponta de faca, insistindo em algo que realmente não querem. Daí a velhice chega, o arrependimento bate e lá se foi uma vida inteira jogada fora.
Portanto, cuidado! As ondas que derrubam seus castelos podem ser as que irão te colocar no eixo pra seguir seu verdadeiro caminho. Dê ouvidos a elas e nunca tenha preguiça ou medo de recomeçar.