Quando será?

Uns dias atrás, deitada na cama com as luzes apagadas e o ventilador a soprar o vento quente de verão, fechei os olhos e fiz uma retrospectiva na minha mente. Pensei em como as coisas mudaram conforme os anos foram passando, e de certa forma como algumas coisas pioraram. Fora a economia e a política, as pessoas parecem ter piorado. A esperança hoje parece ser só apenas uma daquelas palavras que usamos somente na virada do ano quando abraçamos alguém e desejamos todas aquelas coisas boas, como amor, esperança, paz…e por aí vai. Coisas essas que antigamente tinham um significado e hoje não passam apenas de palavras enfeites. Me entristece saber que as palavras bases da vida hoje já não são mais tão base assim.

Anos atrás alguns casamentos eram arranjados (onde os pais escolhiam o pretendido para a filha, mesmo que ambos não se amassem, aliás, com a convivência acabariam se amando), casais namoravam escondidos com direito a pular o muro de casa, matar aula da faculdade, dar beijos na praça, ou andar de pedalinho alimentando os patos e peixes com pedaços de pão duro que sobraram de uma semana atrás. Amor era sinônimo de companheirismo daqueles que domingo é o dia de ficar em casa abraçadinhos debaixo do cobertor, seja no sofá ou na cama, assistindo um filme ou ele lendo o jornal e ela lendo um livro, ou porquê não ao contrário. Cartas e declarações de amor eram feitas constantemente com direito a serenata com voz desafinada. Andar de mãos dadas então? Essencial. Desgrudar a mão uma da outra mesmo que por um segundo parecia o fim, aliás, andar de mãos dadas parecia ser o nosso porto-seguro, como se nada mais importasse.

Hoje…bom, hoje essas ocasiões são tão raras quanto as assinaturas de Shakespeare. Na geração do desapego a única coisa que importa é quem é mais livre do que o outro, criando essa falsa esperança de que o não compromisso é sinônimo de liberdade. Cômico se não fosse trágico.

Tenho pena dos que nasceram românticos assim como eu, que acreditam fielmente no poder do amor. Vivemos em tempos caóticos.

Hoje estamos na época do desapego, me pergunto quando será a do amor.

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