22hs e uma xícara de café

Tudo começou quando decidi não jantar e sim fazer um micro café da noite, cortei o bolo e passei um café quentinho, seguindo a boa e velha frase “posso tomar 2 litros de café que não faz efeito”.

Dessa vez fez.

Nessa insônia causada pelo café, me peguei a refletir nessa madrugada o quanto eu odeio e amo o novo. Quando digo o novo é tudo o que me tira da minha zona de conforto, ou quando depois de um determinado tempo o novo acaba me fazendo mal. Percebi isso quando a algumas semanas meu pai comprou travesseiros novos, vibrei de alegria, afinal vou me livrar do velho que hoje é 80% de fungos de 20% de espuma.

Nem coloquei o travesseiro pra lavar, no mesmo dia já tirei o velho e coloquei o novo na cama, agradecendo ao universo pela graça alcançada. Primeiro dia o travesseiro era duro e eu não me acostumava, foi seguindo os dias e na segunda semana acordo com os ombros doloridos, o travesseiro continua desconfortável, eu não consigo me adaptar e então a minha dor vem dai, do travesseiro. Peguei o velho de volta, coloquei o novo do lado da cama, afinal se de madrugada meu ombro doer eu pegava ele. Depois de dormir uns 2 dias com o velho minha mãe me solta a seguinte frase “Mikaele, você não pode dormir sempre com o travesseiro velho, ele vai te fazer mal, dorme com o novo, insiste e você vai se acostumar”

Eu amo dormir de barriga pra cima e toda vez parece que o travesseiro velho me abraça dizendo: “estou aqui, durma em paz”

Mas ao repassar toda essa história na cabeça, a cafeína me ajudou a entender melhor algo que eu precisava enxergar dentro de mim mesma, consegui ver que o velho é confortável, nós acolhe e nos abraça de um jeito que nós faz sentir-se contempladas, mas esse velho já não serve mais. Já dizia Elis e Belchior “O passado é uma roupa que não nos serve mais”. As vezes é necessário deixar pra trás momentos, pessoas, objetos e histórias para poder seguir em frente no novo, o novo sempre vem, cabe a nós escolhermos se vamos sofrer com a realidade ou tentar buscar a felicidade dentro dela. Por mais que ele seja dolorido, nos cause dor e seja desconfortável, a sensação pode ser boa e podemos aprender a cada dia a sermos pessoas mais evoluídas em cada situação que nos é apresentada e o novo nunca é só dor, conforme vamos nos adaptando e se encaixando nessa nova realidade, tudo faz sentido, perdemos o medo e a partir dai podemos enfrentar o novo muitas vezes, sabendo daquilo que nós faz bem, consequentemente vamos aprender o momento certo de deixar as coisas seguirem seu rumo, o rumo natural das coisas e vamos sentir a felicidade. Afinal a felicidade está dentro da gente sempre.

Hoje ainda vou dormir com o travesseiro velho, pois estou com preguiça de pegar o novo, então vou ficar com o velho mais um dia mas amanhã é o novo dia de enfrentar o novo por mais que doa.

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