Ontem a Noite a Estrela Caiu — Uma história em 6 atos

Ato I — Que treta é essa que deu entre o Lorde, o Arqueólogo e o filho do Arqueólogo?

Era uma noite quente. Dessas bem chatas que não deixam ninguém dormir… Mas bem, antes de falar da noite quente a gente precisa saber qual foi essa treta do lorde e etc… Então esqueçam a noite quente por enquanto.

Essa história começa em um ano qualquer ai de quatro dígitos, digamos que seja 1933. E nesse ano em especial um famoso arqueólogo sai em uma ousada e destemida expedição pelas florestas da América do Sul. O motivo? A lenda de um tesouro milenar que poderia estar enterrado em ruínas também milenares no meio de uma floresta mais do que milenar (me faltam palavras pra descrever algo mais do que milenar, desculpe).

O fato é que esse arqueólogo que se chamava Freindstrich (viu porque só me refiro a ele como ‘o arqueólogo”?) tinha um aprendiz meio esquisito, um jovem mancebo chamado Ivanstoff que o acompanhava de perto e era um dos maiores interessados e entusiastas das missões de Freindstrich… Ta, mas e dai? Calma. Olha só a treta.

O arqueólogo e seu aprendiz (e uma equipe de operários contratados de forma ilegal nas florestas sul americanas) ficaram em torno de 23 meses no meio da floresta procurando pelo tal tesouro lendário. Acontece que depois desse tempo todo, apenas o aprendiz retornou para casa, para a próspera cidade Azulejo. “Mas cadê meu pai?” disse o pequeno Freindstrich Jr ao receber a visita do não tão querido Ivanstoff.

  • Seu pai faleceu vivendo sua missão— Disse o estranho ex-aprendiz que tinha agora uma feiosa cicatriz que ia de um canto ao outro de seu rosto.

“Faleceu?” pensou o menino. “Mas assim, do nada?” continuou pensando o menino que não fazia lá muita ideia sobre a vida e a morte e tudo o que isso envolve.

O fato é que: Olha só. Ivanstoff, depois de dar a agourenta notícia para uma viúva embriagada e um menino questionador, se virou e foi embora. Mas um dos operários ilegais, que acompanhou Ivanstoff até a cidade, discretamente entregou ao menino um diário velho e imundo. O diário que pertencia ao pai do garoto. Dá uma olhada nas últimas páginas do diário e veja só a sacanagem:

“Filho, se você está lendo isso, possivelmente eu estou morto. E o amigo mais fiel que conquistei nesses longos meses acabou de lhe entregar em mãos minhas memórias e meus segredos (não leia da página 12 a 45 até completar 18 anos). O fato, meu filho, é que fui amargamente traído e eventualmente assassinado! Tudo por causa desse maldito tesouro que acabamos de descobrir que existe. O meu jovem aprendiz anda se comportando de maneira muito suspeita, acredito que está envenenando minha comida (por isso não como nada já faz 5 dias) e acredito que está tramando me matar para ficar com o tesouro só pra ele. Por isso meu filho, se apenas ele retornar não acredite que minha morte foi um acidente. Ele me matou! E se ele voltar rico, desconfie ainda mais… Até porque vai ficar meio óbvio… Esse ouro todo pertence a você e a sua mãe. É a minha pesquisa, o meu trabalho de uma vida… Dediquei todos os dias de minha existência a esse tesouro para te dar tudo o que um menino precisa na vida: Riqueza descomunal e ostentação extravagante. Mas agora tudo se foi… Graças a esse almofadinha ridículo de cara espinhenta. Vou dar um jeito nessa cara sebosa dele ainda hoje, tenho uma faca aqui que vai dar conta do…”

O resto nunca foi escrito. As páginas estavam rasgadas sujas e a caligrafia era muito ruim. Mas enfim. O fato é que o menino fica bolado e passa alguns meses e ele consegue ver da janela de seu quarto o castelo que Ivanstoff está construindo, e escuta no rádio que agora o sujeito é um lorde, pois agora ele é podre de rico, e basta isso pra ser um lorde. Pelo menos aqui nessa história que não tem lá muita veracidade ou compromisso com a realidade, acho que os personagens até são bichos que se comportam como gente, sabe? tipo o arqueólogo é um gato e o aprendiz é uma raposa, essas coisas. Enfim… O menino fica ainda mais bolado. Pois só ele sabe da verdade.

Em uma noite ele tentou invadir o castelo de Ivanstoff e quebrar a cara do bostinha ele mesmo. Mas lógico que não conseguiu. O castelo é bem guardado, tem capangas e gorilas armados por todos os cantos do lugar. O menino é jogado para longe sem nem ao menos ver a sombra do maldito que matou seu pai.

E então, em uma noite quente (sim, chegou a hora) Dessas bem chatas que não deixam ninguém dormir… O pequeno Freind com os olhos vermelho de sangue e ódio olha para o céu estrelado e vê uma estrela cadente rasgando o firmamento. E sem pestanejar ele ergue seu punho e com todas as forças de seu coração grita “Eu desejo que morra esse canalha do Ivanstoff!”

  • Continua
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