Um “cara do TI” mergulhando no Marketing Digital

Como abracei um novo desafio profissional e foi a melhor coisa que eu poderia ter feito.

Ano que vem farei dezoito anos trabalhando com tecnologia da informação. Será a maioridade da primeira carimbada na minha CLT como profissional da área, em uma carreira onde as coisas evoluem em altíssima velocidade, exigindo estudo e atualizações diárias para não perdermos o bonde high-tech.

Ainda na fase “developer” meu foco era totalmente na qualidade do código e velocidade das entregas — sempre kamikaze quando se trabalha em agência (minha experiência é toda em TI para produtos de comunicação). Com o tempo a tendência natural foi passar para gestão, onde esperava ter uma visão mais abrangente e conectada com o estratégico, mas a urgência inerente à indústria me fez concentrar as forças em como extrair do time — e dos fornecedores parceiros — a excelência que tanto persegui quando era um jovem programador. O lema: a entrega de um bom produto em produção é tudo o que importa.

Mas, após tantos anos nessa batida, um dia veio a pergunta inevitável: estou entregando bons produtos de verdade?
Não digo tecnicamente — isso garanto após tantos anos dedicados ao ofício — mas comercialmente para o contratante. Aquele site que carrega em dois segundos e meio, graças à camada de cache impecavelmente aplicada e onde usamos boas práticas de front-end semântico, traz valor real para quem pagou por ele?

Me vi lidando com tal nível de neura, que foi quase uma crise de meia idade profissional. A maior delas: olhar pra trás e perceber que algumas vezes trabalhei duro para construir engenhocas de alta performance técnica mas que no fim revelaram-se inadequadas para o cliente atingir seus objetivos de negócios. Tanto empenho, esforço e dinheiro investidos para colocar no ar um lindo fracasso. Outra questão: projetos incríveis que me fizeram desejar ter participado mais, ter colaborado muito além de passivamente construir o que outros projetaram. Me vi insatisfeito, inquieto. Era hora de mudar, de pensar e agir diferente.

E como trocar todas essas rodas profissionais com o caminhão da vida andando (e os boletos chegando)?

Foi quando topei com o curso de Marketing Digital da Udacity. Já era um cliente satisfeito da plataforma — fiz quatro meses do nanodegree “Front-end Developer” — e quando li a ementa fiquei chocado como era exatamente o tipo de conhecimento que estava procurando: objetivo e focado em boas práticas do mercado, além de parceria com as maiores ferramentas da área (Mailchimp, Google, Facebook, Moz, Hootsuite, Hubspot). Tratamento de choque mesmo, expansão da mente. Caí de cabeça e não me arrependi.

Hoje sigo responsável pelo desenvolvimento na empresa onde trabalho mas com uma enorme diferença: consigo colaborar na concepção dos produtos com muito mais propriedade, garantindo que na hora do código comer, será criado algo que irá resolver de fato o problema daquele cliente. E assim posso deitar a cabeça no travesseiro à noite — bem cansado pelas horas de estudo madrugada adentro — e dormir com a sensação do dever realmente cumprido.

Pelo menos até o próximo comichão.