Reflexões depressivas após a morte de Chester Bennington

Mike Sousa
Jul 24, 2017 · 3 min read
Linkin Park

Existem tragédias que cada um de nós sabemos exatamente o que estávamos fazendo quando recebemos a notícia. Você deve se lembrar onde estava e quais eram suas tarefas quando as torres gêmeas do World Trade Center foram atacadas, naquele setembro de 2001. Possivelmente muitos vão se recordar do momento em que a notícia da morte do Chester Bennington, vocalista do Linkin Park, tomou conta das redes sociais e chegou na gente sem nenhum aviso prévio.

A morte de Chester — a forma foi confirmada pela Polícia, suicídio — colocou em pauta, mais uma vez, um dos distúrbios da mente que são mais avassaladores: a depressão. Um dos pontos que precisa ser derrubado, de cara, é que o assunto só volta ao mainstream quando uma triste história como essa do Chester acontece. E é aí que a coisa está toda errada. Se o assunto não fosse ignorado, negligenciado, talvez tantos e tantos de nós não chegariamos ao extremo de tirarmos a nossa própria vida.

A depressão, em grande parte do tempo, é tratada como algo superficial, uma bobagem. Muitos acham que ela funciona de maneira que a gente pode escolher o momento que ela para ou começa. A depressão é sorrateira. Inúmeras vezes ela chega de mansinho e toma conta do seu ser. São pequenos sinais que dão o alerta de que algo não está no lugar. Ansiedade, falta de interesse em coisas que antes nos dava prazer, isolamento, cansaço, crises de pânico, palpitações sem aparente razão. Precisamos nos conhecer mais e respeitar os sinais que a vida esfrega nas nossas caras, mas insistimos em não prestar atenção ou substimamos a natureza.

Ao longo da minha vida tenho tido cada vez mais certeza de que a gente morre várias vezes. E é preciso uma força, sabe Deus de onde ela vem, para que a gente levante, respire e siga em frente, por mais difícil que seja. Duvido que existam aqueles que sofram de depressão e que nunca, nenhuma vez sequer, pensaram em resolver os “problemas” se matando. Soa quase como impossível, já que queremos nos livrar daquilo que nos faz mal, não incomodar quando nada mais parece fazer sentido e não há luz alguma no final do túnel e, muito menos, no início dele.

Outro ponto que precisa ser derrubado pra ontem é um bendito comenrário de que “já já você volta ao normal, para sua vida como era antes”. PARA! TUDO! Eu não quero voltar ao “normal” e muito menos para como a vida era antes. Foi esse padrão de vida que nos levou ao que somos e a atual situação emocional e psicológica que vivemos. Você quer repitir todas as ações? Terá o mesmo resultado. Então NÃO! Muito obrigado! Quero seguir a vida, experimentar novas coisas, com a certeza de que esse é um território o qual não quero pisar novamente.

Dói. É uma luta diária. E, felizmente, continuamos aqui.

Se você sofre de ansiedade, depressão e qualquer que seja o distúrbio, o primeiro passo é a gente nos ajudar. Comenta aí! Vamos trocar nossas experiências e dividir o peso deste fardo! Tenho certeza que colocando pra fora, tudo fica mais leve! O tabú não pode mais existir.

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