Não sei de quase nada, mas tento

Sei que ultimamente tenho andado quase sem fé alguma. Fé. Fé no outro, no mundo, nas utopias que me mantinham viva. Sei que tenho falado mais palavrões que o devido, e que tenho atropelado meus pensamentos por palavras. Sei também que tenho bons argumentos, quase imbatíveis ao menos em minha opinião.

Sei que amo meus amigos, com tamanha devoção, devoção àquele instante que estamos juntos, depois talvez esqueça. Sei que o que considero bom e justo, aos olhos dos passivos é medíocre, mas continuo acreditando nisso e naquilo. Não acredito no amor mostrado nos filmes, baseados em encontros, belos casamentos e filhos bonitos.

Sei que na prática o amor é corrosivo, e não me venha dizer que tudo suporta, pois tenho suportado muito pouco e nenhum outro sentimento poderia nomear por assim dizer o que sinto: era amor.

Sei que convivo com a amolação das astes dos meus óculos que assim como a dor das não realizações, me incomodam mas se fazem necessárias, pois sem elas enxergo o mundo mais nublado do que já é. Sei que pouquíssimas pessoas ocupam lugar de honra em meu coração, e nelas penso todos os dias, como um seresteiro apaixonado. Sei que as que eu julgava insubstituíveis, hoje são aspas no meu texto. Sei muita coisa, sei de quase nada… Sei que nada sei !