Eu e a minha Carreira. Ou minha Carreira e eu?

Esses dias me peguei pensando sobre Carreira versus Trabalho.

Trabalho é o dia a dia. Eu acordo, pego um café, tomo um banho, visto minha roupa de executiva, pego 2 horas de trânsito, sento na minha cadeira, encontro na minha mesa diversos post its colados no meu notebook e listas de afazeres do dia. Atendo zilhões de ligações, participo de reuniões intermináveis, e no final do dia pego mais 2 horas de trânsito e volto para a minha casa para o meu merecido descanso. Até aí, imagino que não é muito diferente das milhares de pessoas ao redor do mundo.

Carreira é uma construção, e não estou aqui falando de subir uma escadinha e levar um carimbo de um novo cargo na carteira de trabalho. Eu estou falando de sensação de empoderamento.

Quem nunca teve a sensação de “fui eu que fiz”, ou “fui eu quem tive a ideia”, ou mesmo “eu ajudei alguém ou algo.” Vamos pensar em um paradigma: “Quem tem o maior sentimento de realização? O engenheiro que desenhou o projeto de um prédio, ou o pedreiro que literalmente colocou um tijolo em cima do outro?”

Não quero falar aqui de certo ou errado, mas existe o que de fato aquela ação causa dentro de nós. Quando falo “Eu e Minha Carreira”, é quando consigo me empoderar de uma ação de qualquer natureza, e carregar no final do dia uma sensação de que de alguma forma eu cresci atuando em algum projeto, ou dando uma sugestão importante, ou fazendo literalmente a diferença. Quando digo “Minha Carreira e eu”, é quando apenas trabalho, entro no modo automático, e no final do dia não me empodero dos tijolos que coloquei em cima um do outro, eu apenas os coloquei ali, porque um engenheiro me mandou colocar.

Do momento em que saímos de casa para trabalhar ao momento que deitamos nossa cabeça novamente no travesseiro, a vida acontece. É no intervalo entre um dia e outro, que podemos e devemos construir nossos tijolos.

Concordo que certos acontecimentos independem da nossa vontade. Sejam eles maravilhosos ou apenas cotidianos, eles surgem sem pedir licença, principalmente no ambiente corporativo. Podemos considerar essa parte da existência organizacional um mistério a parte. Quando nos deparamos com essa espécie de circunstância, temos duas opções: aceitar ou aprender e crescer com elas.

No dia a dia, porém, em meio a tantas atividades e problemas, a vida pode ou não ser uma aventura. A escolha cabe a nós próprios. A verdade é que não há limites para o que nossa força de vontade e determinação podem conquistar. Tudo se resume a escolhas que fazemos a cada minuto da nossa árdua rotina. O problema aqui é deixar “Minha Carreira e eu” entrar na frente, e sem perceber deixarmos que ela comande e dite nossas diretrizes, deixando de lado o nosso empoderamento.

Aí chego no cerne da questão: o perigo é passar a funcionar no modo automático, como se isso fosse muito natural. Sem perceber, deixamos de fazer escolhas e de se manter consciente da vida que realmente desejamos ter. Continuamos a fazer o que sempre fizemos, repetidamente, todos os dias. E então, geramos sempre o mesmo resultado. A rotina segue sabotando nossos tijolos.

Deixo aqui uma sugestão: o tijolo não precisa necessariamente ser colocado em cima um do outro todos os dias. Você pode coloca-los de lado, na transversal, na diagonal, para trás ou para a frente. Você pode não ter um prédio construído no final , mas você pode talvez ter um castelo, vai saber o que pode acontecer.

Talvez o questionamento “Eu e minha Carreira” ou “Minha Carreira e eu” seja só um pontapé para questionamentos muito mais profundos.

Qual o título se encaixa melhor para você?