O Véu

Diante da própria impunidade de um mundo sem estrelas em seu céu, o guerreiro continua a buscar a rainha que roubou o velho véu, o véu de sua mãe que falecera ainda no último solstício de verão, vítima de uma doença que trazia dor e solidão.

Ponderava o que fizera de errado, qual caminho era o certo a se errar, e o que aconteceria se nesta missão ele fracassar, ao redor árvores e rios riam de sua cara, e numa trilha perdida se encontrara, talvez por pura sorte ou pelo desejo de deuses depravados, e em seu caminho o guerreiro seguia, talvez despreparado.

Por horas que pareciam dias e por dias que pareciam horas ele caminhou, e nesses meses passados que o futuro não traria de volta, se viu de volta a sua casa, sem véu, sem fé, sem desejo de viver. O guerreiro não traria espada, escudo nem mesmo um cavalo, pois de nada adiantava tentar ser o que ele não era.

O véu continuara perdido, talvez sem dono ou vendido por meras moedas para se comprar outra fuga momentânea, ou quem sabe até mesmo a morte instantânea de algum tolo que buscava nada além de sua própria sorte. De nada adiantara buscar e encontrar o que se achava, quando de nada se adiantava perder e esquecer o que foi questionado.