A ALQUIMIA DE PARACELSO
(Rodrigo Peñaloza, 2-V-2015)

A Alquimia percorreu toda a Idade Média até a época moderna e se baseou nos quatro elementos (água, ar, terra e fogo), conforme retratados por Aristóteles. Com Paracelsus, no século XVI, essa visão quaternária da composição do universo deu lugar a uma visão ternária, baseada nos elementos mercúrio, enxofre e sal. É evidente que os verdadeiros alquimistas não possuíam uma interpretação literal da Alquimia. Ela era essencialmente uma atividade simbólica. Eis o que se evidencia desse trecho de Paracelsus em De Natura Rerum:

“Aqui também seria necessário falar sobre a geração dos metais, mas visto que no libreto sobre a geração dos metais escrevemos satisfatoriamente sobre isso, muito brevemente aqui trataremos do assunto e apenas rapidamente indicaremos as coisas que no dito libreto omitimos. Desse modo, sabei que todos os sete metais nascem da tríplice matéria, seguramente do mercúrio, do enxofre e do sal, embora por cores distintas e peculiares. Quanto a isso, Hermes não poucas vezes disse que todos os sete metais - e similarmente as tinturas e a pedra filosofal - provêm e são compostos das três substâncias, as quais ele chama de espírito, alma e corpo, mas ele não mostrou de que modo isso devia ser compreendido ou o que quis efetivamente dizer, conquanto provavelmente também tivesse conhecido os três princípios, mas não fez deles menção, razão porque não digo que ele errou, mas somente que ocultou. Porém, para que estas três substâncias distintas sejam entendidas corretamente - sem dúvida o espírito, a alma e o corpo -, deve-se saber que nada mais significam senão os três princípios, quais sejam, o mercúrio, o enxofre e o sal, a partir dos quais todos os sete metais são gerados, pois o mercúrio é o espírito, o enxofre é a alma e o sal é o corpo, o metal (acerca do qual Hermes também fala), realmente entre o espírito e o corpo, é a alma, a qual decerto é enxofre, pois une esses dois contrários - o corpo e o espírito - e os transforma em uma única essência”. [Paracelsus, De Natura Rerum, 1573, Liber I, pp. 21–22].

(Hic quoque opus esset dicere de generatione metallorum, sed quoniam in libello de generatione metallorum satis de eo scripsimus, brevissime hic rem tractabimus, et tantummodo quae in dicto libello omissimus hic breviter indicabimus, hoc modo sciatis quod omnia septem metalla nascantur ex triplici materia, nempe ex mercurio, sulfure et sale, attamen distinctis et peculiaribus coloribus. Ob id Hermes non male dixit, ex tribus substantiis omnia septem metalla nasci et componi, similiter et tincturas et lapidem philosophorum, illas tres substantias nominat spiritum, animam et corpus, sed non indicavit quomodo hoc intellegendum sit aut quid per hoc velit, quanquam fortassis etiam tria principia scivisse, sed non facit eorum mentionem, quare non dico eum hic errare, sed tantum reticuisse. Ut autem istae tres substantiae distinctae recte intelligantur, nempe spiritus, anima, corpus, sciendum est, quod nihil aliud significent nisi tria principia, hoc est, mercurium, sulphurem et salem, ex quibus omnia septem metalla generantur, nam Mercurius est spiritus, sulphur est anima, sal est corpus, metallum vero inter spiritum et corpus, de quo et Hermes dicit, est anima quae quidem est sulphur, quod ista duo contraria corpus et spiritum unit et in unam essentiam mutat.)

Like what you read? Give Rodrigo Peñaloza a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.