A EVOLUÇÃO HELICOIDAL DA ALMA SEGUNDO DIONÍSIO PSEUDO-AREOPAGITA
(Rodrigo Peñaloza, 21-jan.-2015)

Segundo o Pseudo-Areopagita, em sua obra De Divinis Nominibus, “atingido o cume da perfeição, a alma entra a participar dos movimentos dos espíritos celestes. Estes movimentos se realizam em forma circular, retilínea e helicoidal” [Boehner & Gilson (1985), História da Filosofia Cristã, Editora Vozes, Petrópolis., p. 123].

O que me interessa aqui é o significado do movimento helicoidal, pela sua óbvia relação com a ideia de ascensão em espiral da alma. Ele explica que, no que respeita à alma, o movimento circular significa uma concentração unitária de suas energias espirituais, superação da multiplicidade rumo à unicidade, rumo ao belo e ao bem além do ser. O movimento retilíneo é próprio da alma que não se reconcentra em si mesma e que progride em seu próprio ambiente. Por fim:

ou seja, “a alma se move de modo helicoidal, conforme a sua íntima natureza ganha glória nos conhecimentos divinos, não pela inteligência e unitariamente, mas pelo raciocínio discursivo e por um desenvolvimento analítico e de um modo tal como por atos mistos e mutantes” (Pseudo-Areopagita, De Divinis Nominibus, IV, 9 — minha tradução).

Por desenvolvimento analítico ao modo de atos mistos e mutantes eu entendo a elaboração progressiva de um discurso racional, contrapondo-se argumentos e mudando-os evolutivamente. Dessa forma, é a ideia de que a ascensão helicoidal está ligada ao desenvolvimento do raciocínio discursivo e ao aspecto de apreensão da Divindade mediante a razão.