

A FILOSOFIA E O ARCO-ÍRIS
(Rodrigo Peñaloza, 14-XI-2015)
Espanto e admiração diante da descoberta do mundo: eis o princípio da Filosofia. Aquele que não se espanta com as dúvidas e nem se admira do mundo não compreende a Filosofia. Isso o diz Platão, no Teeteto, pela boca de Sócrates: “É bem próprio de um filósofo este espanto, o admirar, pois não há outro princípio da Filosofia senão este e bem se lhe dá a genealogia ao dizer-se que ele se assemelha a Íris nascida de Thauma”.


Na mitologia grega, Íris (Ἶρις) é a mensageira dos deuses e é personificada no arco-íris. Perceba, agora, o significado do arco-íris. Íris faz a conexão entre a humanidade e os deuses. Platão a ela se refere como a filha de Thaumas (Θαύμας), um deus marino da admiração. A analogia que Platão faz entre o filósofo e Íris, filha de Thauma, diz respeito ao fato de que a admiração (θαῦμα — thauma) é o que faz nascer a Filosofia, essa deusa que causa nos homens esse espanto (πάθος — páthos), essa perturabação, e os liga, pela reflexão discursiva, aos deuses.