A TRÍADA SEGUNDO JÂMBLICO
(Rodrigo Peñaloza, 19-II-2016)

A maior parte do que se sabe da biografia de Jâmblico vem do relato do sofista Eunápio de Sardis, do século IV de nossa era. Segundo ele, Jâmblico nasceu na Síria em 265 d.C. Entretanto estudos modernos baseados em evidências documentais garantem que seu nascimento ocorreu, no mais tardar, em 240 d.C. Sua obra mais conhecida é Sobre os Mistérios Egípcios, em que faz uma apologia da Teurgia contra ataques feitos por um dos grandes filósofos do período, Porfírio. Junto com Plotino e Proclo, Jâmblico é um dos maiores expoentes do Neoplatonismo.

Outra obra a ele atribuída é a Teologia da Aritmética, em que Jâmblico dá a interpretação neopitagórica dos dez primeiros números. Selecionei um trecho do capítulo sobre a Tríada (o número 3):

Traduzindo: “A Tríada herdou uma beleza e uma aptidão extraível de todos os números, pois, em primeiro lugar, é a primeira de todas que apresentou as energias dinâmicas (potenciais) da Mônada: primariedade, perfeição, proporção, unificação e limite.”

Interpretando: Primariedade porque é o primeiro número primo, excluindo-se o 1, que é a Mônada. Perfeição por que é o atingimento da finalidade da Criação: o 1 atuando sobre o 2 para gerar o 3. No reino do Múltiplo (lembre-se do antigo debate sobre o Uno e o Múltiplo), a multiplicidade requer no mínimo 3. Não podemos perceber o outro sem a relação. Proporção (ou analogia) porque é o terceiro termo que harmoniza os extremos. Limite porque a menor figura (com menos lados) que apresenta uma região (com medida positiva) delimitada por uma fronteira é o triângulo. Todas essas propriedades estão potencialmente na Mônada, ou seja, a Tríada participa delas.

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