Sir Robert Giffen.

MICROECONOMIA em DOSES: Bens de Giffen
(Rodrigo Peñaloza, 04/mar/2017)

Todos sabemos o que é um bem de Giffen, mas sobre o termo ainda paira uma aura de mistério e desconfiança. Um bem de Giffen é um bem para o qual a curva de demanda apresenta uma região de preços na qual a quantidade demandada varia positivamente com os preços. Logo, ser de Giffen é uma propriedade local. E não é uma propriedade do bem em si. Não é o bem que é de Giffen, são as preferências do consumidor que têm uma forma tal que a demanda dela resultante apresenta a característica de Giffen para alguma região de preços.

O bem de Giffen viola, assim, a primeira lei fundamental da demanda, segundo a qual a quantidade demandada varia inversamente com o preço. Muita gente já sabe disso, mas não entende o que significa ou pelo menos não sabe que não entende ou, pior, pensa que entende mas não entende. O preço de demanda, isto é, o preço que um consumidor está disposto a pagar por uma unidade qualquer do bem, reflete o valor que ele atribui às alternativas sacrificadas para a obtenção dessa unidade. Afinal, se não houvesse sacrifício para a aquisição e consumo da unidade adicional, então o bem não seria escasso e, com isso, teria preço zero, o que nunca acontece. A ideia de preço como valor sacrificado pela unidade adicional é algo que não se ensina nas universidades. Por quê? Eu tenho uma teoria pra isso, mas não tocarei no assunto. Deixarei apenas o incômodo solto no ar. Raciocínio análogo aplica-se à ideia de preço de oferta, que, como todos sabem, é o custo marginal, ou seja, o valor dos recursos sacrificados pela sociedade para a produção e oferta da unidade adicional na firma privada. Em outras palavras, é o custo de oportunidade dos recursos deslocados da economia para a produção incremental do bem. O leitor pode ver agora como esses dois termos, preço de demanda e preço de oferta, são perfeitamente simétricos. Por que os alunos aprendem que o preço de oferta é o valor dos recursos que a sociedade sacrifica deslocando-os de seus melhores usos para a produção específica da unidade adicional do bem (ou seja, o custo marginal), mas não aprende o correlato do lado do preço de demanda é algo que nos faz pensar. Eu já pensei. Espero que o leitor pense também, por si só.

Explicados esses termos elementares, vem a pergunta: o que significa ser de Giffen? Pelo exposto acima, podemos agora responder. Suponha que, para um consumidor, um bem é de Giffen e que essa propriedade se verifica para as quantidades iniciais consumidas. Inicialmente ele está disposto a pagar $100 pela 1ª unidade. O que isso quer dizer? Em primeiro lugar, se é a 1ª unidade do bem, então é porque antes ele não consumia esse bem. Sua situação então é de ajuste na margem extensiva, ele está entrando nesse mercado. Para consumir essa 1ª unidade do bem, ele sacrificou o consumo de outros bens em um valor de $100. Logo, para consumir a 1ª unidade do bem, ele já abriu mão de outros bens, já que a renda para gastar é constante. Ele agora pensa em consumir a 2ª unidade do bem, já um ajuste na margem intensiva. Para isso, ele tem que sacrificar novamente o consumo de outros bens. Qual o valor do que ele está disposto a sacrificar em troca da 2ª unidade do bem? Digamos que $110. Então da 1ª para a 2ª unidade o preço de demanda vai de $100 para $110. Nesse trecho, a curva de demanda é crescente. Vejamos a razão pela qual isso contraria a lei de demanda. O nosso consumidor atribui um valor à primeira unidade do bem. Esse valor é $100. É importante entender que esses $100 representam o valor dos bens cujo consumo foi sacrificado para o consumo da 1ª unidade do bem em questão. Ele economiza por um lado para gastar por outro. Então ele já consumiu a 1ª unidade. Para consumir a 2ª unidade, ele está disposto a pagar $110. O valor do que ele está disposto a sacrificar para consumir a 2ª unidade aumentou! Isso significa uma violação do princípio da utilidade marginal decrescente para esse bem. Em outras palavras, a 2ª unidade vale tão mais que a 1ª, que ele está disposto a sacrificar ainda mais dos bens restantes em troca desse bem. E os bens restantes, apesar de se tornarem mais escassos a cada vez, ainda assim perdem valor, pois são facilmente trocados pelas unidades adicionais dos bens. É uma violação geral do princípio da utilidade marginal decrescente!

Será que há um meio de salvar a Economia? Quando você vai a uma festa e se empanturra de brigadeiro, você sente que cada brigadeiro, apesar de lhe dar utilidade, vai lhe saciando a vontade aos poucos, até que uma hora você decide parar. Tal coisa acontece porque o seu consumo de brigadeiro se dá numa janela de tempo suficientemente pequena para seu organismo ir se saciando aos poucos. Mas se você consumir a mesma quantidade de brigadeiros, um a um, porém um por dia, a cada unidade consumida sua satisfação marginal será a mesma! Se você se fixar apenas na observação de que a utilidade marginal é a mesma a cada unidade, você irá pensar que a utilidade marginal é constante. Se o consumo de brigadeiros se der numa progressão aritmética de dias, isto é, se você consumir o 1º hoje, o 2º daqui a dois dias, o 3º três dias depois do 2º e assim por diante, a agonia da espera lhe proporcionará, na ocasião do consumo de cada unidade, uma satisfação ainda maior do que a da unidade anterior. Mais uma vez, se você se fixar apenas nessa observação, negligenciando o aspecto temporal do consumo, você irá pensar que a utilidade marginal é crescente. Só que não é! A cada dia sua utilidade marginal é decrescente, só que infelizmente você só consumiu um brigadeiro por vez. Faça esse experimento mental supondo o consumo de três unidades a cada vez e chegue a suas conclusões. O princípio da utilidade marginal decrescente é uma lei geral justamente porque é válida sob a égide desse aspecto temporal, uma coisa que simplesmente os professores não explicam e os livros não trazem. Essa temporalidade essencial da lei de demanda é a chave para mostrar que a constatação observacional de um bem de Giffen pode ser apenas uma consideração defeituosa ou incompleta (pra não dizer negligente por parte do economista) do aspecto temporal da demanda.

Suponha que o preço de um bem cai. O consumidor pode pensar assim: “O preço caiu. Tenho razões para esperar que o preço vai cair ainda mais e, portanto, vou reter meu consumo até o preço cair mais. Como isso não deve demorar muito, o custo de oportunidade de não consumir agora e esperar não é maior do que o benefício que eu espero obter ao consumir mais tarde ao preço menor. Por isso, é racional que eu retenha o consumo mesmo com a atual queda de preço”.

O efeito disso é uma queda na quantidade agregada demandada, pois a disposição marginal a pagar pelas unidades adicionais caiu. Um observador externo pode achar que esse bem apresenta características de bem de Giffen, isto é, que uma lei básica da demanda foi violada e que o consumidor é, na verdade, irracional.

Mas é essa a maneira correta de um economista interpretar o fenômeno? Não! A decisão do consumidor não foi a de consumir uma quantidade menor em razão da queda observada do preço hoje. A decisão verdadeira é a de aumentar a quantidade consumida após um horizonte mais ou menos determinado de tempo em função da queda esperada do preço ao fim desse horizonte de tempo. Logo, a lei básica da demanda não foi violada.

O problema é que o observador externo não entende que o indivíduo, ao tomar uma decisão hoje, o faz com o propósito de mudar seu estado no futuro. Não tem sentido pressupor que a decisão econômica tem por propósito a mudança do passado. E mesmo que se admita que possa mudar o seu estado instantaneamente, no momento da queda de preço, é preciso admitir que o consumidor também vislumbra possíveis estados futuros.

Se o bem é suficientemente durável, o vendedor observa, por um horizonte de tempo razoavelmente maior do aquele com o qual está acostumado no seu ciclo de negócios, uma queda da demanda agregada após a queda do preço e, em razão disso, pode acreditar que não venderá mesmo a esse preço mais baixo. Se ele tiver uma ideia da elasticidade da demanda, ele poderá eventualmente reduzir ainda mais o preço, no intuito de estimular as vendas. Se perder com isso, pelo menos perderá menos do que não fazendo. Ele vai baixando o preço, tateando aqui e ali, até achar o preço ao qual sua receita incremental compense a redução de preços. Assim, o preço realmente cairá ainda mais após um horizonte de tempo. E mais: os preços anunciados refletirão as expectativas futuras tanto dos consumidores quanto dos vendedores.

Existe na literatura uma rationale para o bem de Giffen que poderia retirar da explicação acima o seu caráter de generalidade: bens indivisíveis. Rod Garrat (“Indivisibilities, inferior goods, and Giffen goods”, Canadian Journal of Economics, 30: 246–251 (1997)) provou que, se um bem é indivisível e outro não, então a indivisibilidade pode gerar demanda com natureza de Giffen. A ideia vem de John Hicks (A Revision of Demand Theory, 1959) e é simples. Suponha que um aumento de renda é suficiente para induzir um consumidor a comprar um carro. Mas a compra do carro traz consigo uma série de outros gastos adicionais que, ao fim, acabam reduzindo o dispêndio em vários outros bens de forma significativa. Todos esses bens sacrificados pelo consumidor em troca do consumo do carro (note como Hicks entende o significado microeconômico do preço de demanda como valor dos bens sacrificados) acabam apresentando característica de bens inferiores. Ora, para ser um bem de Giffen, é necessário que primeiro o bem seja inferior. Portanto, a inferioridade de uma gama enorme de bens pode fazer com que alguns deles se tornem de Giffen. A razão disso está no fato de que o carro é um bem indivisível. O aumento de renda tem de ser suficiente para induzir a compra do carro, mas, ao ocorrer, transfere para o carro parte do dispêndio com outros bens.

Essa rationale, porém, pode até explicar a característica de Giffen de uma demanda individual, mas no agregado isso se dilui, como efeito do Teorema de Liapunov ou efeito convexificador dos grandes números. O que eu argumento, entretanto, é que mesmo para a demanda individual essa rationale é incompleta. A indivisibilidade do bem esconde o horizonte de tempo relevante para a decisão de comprar o carro ou não. Esse horizonte é de anos. As quantidades demandadas por cada bem por um consumidor, para efeito de análise com base nas taxas marginais de troca, elasticidades diretas e cruzadas, ou seja, qualquer análise microeconômica coerente, essas quantidades, como dizia, devem vir expressas em unidades demandadas ao longo da MESMA unidade de tempo. Se não for assim, as quantidades são incomparáveis. É assim na produção e é assim também no consumo. Ora, a janela de tempo associada ao carro, que é o bem indivisível, é de vários anos. Entretanto, os demais bens estão sendo avaliados instantaneamente! A forma correta de avaliá-los é ver como são demandados ao longo dos mesmos vários anos. Para além dessa longa janela de tempo, o dispêndio médio nos outros bens, a partir do aumento de renda hoje, é constante. Não apresentarão, portanto, natureza de bem inferior e muito menos de Giffen. Não há absolutamente sentido algum em comparar a alternativa de comprar um carro, cujo valor é obtido pela diferença entre os valores presentes de benefícios e custos de um fluxo de, digamos, 5 anos, e o consumo vislumbrado, hoje, de arroz e feijão pelo mês à frente. Deve-se comparar com o consumo de arroz e feijão por 5 anos. Assim, a taxa de troca é entre o carro por 5 anos e comida por 5 anos. O consumidor consome uma unidade de carro, mas o consumo mensal de comida deve ser reescalado para o lustro.

A introdução dos bens inferiores nesta discussão nos remete à equação de Slutsky, que decompõe o efeito-preço nos efeitos substituição e renda. Matematicamente é verdade, mas, como economistas, temos de saber interpretar a fórmula sem nos esquecermos do significado de preço e do aspecto temporal das decisões de consumo. Fica aí a crítica de um microeconomista à forma como os livros de Microeconomia apresentam a Microeconomia.

A decomposição de Slutsky tem que ser compreendida sob a condição de que se faz análise de estática comparativa, negligenciando a uniformidade das unidades de tempo em que as quantidades se expressam apenas para separar do efeito-preço o efeito-renda e o efeito-substituição e assim explicar a tensão entre substituição compensada e variação virtual de renda em função da variação de preço. Não é pra colar uma etiqueta no bem. No caso da presença de indivisibilidades, ela serve pra escancarar o fato de que, na foto daquele momento, alguns bens são de Giffen, mas se olharmos sob a perspectiva correta, a lei de demanda continua valendo.

Vou mostrar agora o erro que a análise agregada pode induzir se o economista negligenciar a natureza temporal do consumo (isto é, a adquirirmos uma quantidade de um bem, formamos um invetory que será consumido ao longo do tempo: se eu comprei um estoque de frutas pro mês a $5 o Kg e, ao sair do supermercado descubro que em outro o preço é $4, eu não vou comprar mais frutas por causa disso).

O exemplo. Um mercado é composto por 100 consumidores perfeitamente idênticos: a $100, cada uma demanda 1 unidade do bem, a $80 cada uma demanda 1.2 unidades e a $60 cada uma demanda 1.4 unidades. O bem é nitidamente comum. A única diferença entre os consumidores é a taxa de consumo. Metade delas consome rápido (em um período), a outra metade consome devagar (em dois períodos). No período 0, todos compram. Então ao preço de $100 a demanda agregada é de 100 unidades. No período 1 o preço cai pra $80, mas como a metade já consumiu e a outra metade ainda tem estoques em casa, somente 50 pessoas compram 1.2 unidades cada, de modo que a $80 a demanda agregada é de 60 unidades. Você se engana e pensa que o bem é de Giffen.

Quando no período 2 o preço cai para $60, todos os 100 consumidores demandam 1.4 unidades cada e a demanda agregada é de 140 unidades.

Em suma, não é bem de Giffen. O erro foi desconsiderar um fato importante da Teoria Econômica. Toda quantidade demandada deve vir também especificada pelo tempo. Não é correto dizer que você demanda 3 maçãs e 5 laranjas. O certo é dizer que você demanda 3 maçãs e 5 laranjas por semana. Toda comparação entre quantidades demandadas deve ser expressa em relação ao mesmo lapso de tempo. O mesmo vale para a produção. Nenhuma firma produz 1000 automóveis, mas 1000 automóveis por mês.

A causa de tanta confusão é a negligência que os professores e livros têm quanto aos fundamentos da ideia de preço como valoração marginal e da função do sacrifício e do tempo. Nós economistas falamos tanto em custo de oportunidade e nos esquecemos de aplicar esse conceito de forma apropriada a qualquer ato de escolha. Por isso não me surpreendo quando vejo economistas famosos (em razão de suas exposições na mídia) criticando o modelo neoclássico em artigos de jornal de circulação diária com tanta desenvoltura intelectual quanto um lunático que em público e sem o menor pudor se vangloria de dizer que a Astrofísica ensinada na Caltech está toda errada porque não é verdade que a Lua em Júpiter na constelação de Touro é um sinal propício para uma viagem de lazer e audácia nos negócios.

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