O COTURNO
(Rodrigo Peñaloza, dez. 2014)

Quem não se lembra quando, nos anos 80, a moçada usava aqueles coturnos militares pra fazer de conta que era revoltada?Geralmente o coturno vinha acompanhado de uma camiseta preta de alguma banda de rock com jeito punk e uma pulseira de couro com umas peças metálicas espetantes. Piercings completavam a revolta social, no mais estrito padrão determinado pela sociedade. Nas mulheres ficava especialmente bonito, principalmente se as pernas ficassem de fora. Nos homens, só se estivessem com calça. Coturno vem do Latim “cothurnus”, que, por sua vez, é a transliteração latina da palavra grega κόθορνος, cuja pronúncia é kóthornos, proparoxítona com o th pronunciado separadamente, como no t-h da expressão em inglês “short-hand”. O κόθορνος era uma bota flexível, que chegava até o meio da perna, usada pelo ator trágico grego, junto com uma túnica que ia até os pés. Como tivesse o solado bem alto, certamente fazia com que a figura do ator causasse no espectador uma forte impressão de pequenez frente ao drama. Na comédia o que se usava era o calçado de uso diário, conhecido por ἐμβάδες (pronuncie embádes), junto com um traje curto. O que me impressiona, além da origem grega do termo, é o fato de o coturno continuar a ter essa conexão com a tragédia até hoje.

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