A dona do coração vazio

Você devia reparar.

No jeito dela falar.

No jeito dela te olhar.

Você devia entender, que não é por você merecer, que ela gosta de você.

É porque ela tá cansada.

O coração dela tava batendo por nada.

Ai você apareceu. E ela nem percebeu.

Mas você se esforçou, foi chegando de mansinho até que conquistou.

Aquele coração de pedra, gelado e sem cor.

Você veio colorindo, devagar, indo e vindo.

E toda vez que você aparecia, a vida dela floria.

Ela, que não acreditava mais em primavera, plantou a sorte em um vaso.

Viu um trevo de quatro folhas por acaso.

Sentiu naquele coração vazio, um pouquinho do universo sendo gentil.

Respirou fundo e sentiu um quentinho no peito novamente.

E quando foi fechar os olhos pra sentir de novo a sensação de sonhar…

Você se foi. Ausente. De repente. Sem nem dar tempo da alma dela brilhar.

Já fazia tempo que você tinha ido, e ela já não procurava mais um sentido.

Dentre tantos vai e vem, ela cansou de ser refém.

Foi criando força de novo, mais uma vez, a sensação do estômago ter levado um soco.

Mas ela, já tá acostumada, dizem que dá dengue tanta alma parada.

Ela foi pro mundo, e tudo tava bem, meses e meses sem lembrar de ninguém.

Tudo se estabilizou. Ela voltou a ser fria e não sentir dor.

A vida tava ficando fácil desse jeito.

O vazio fazendo eco no peito.

Ela não pensava mais em você.

Tava vivendo a felicidade a mercê.

Ela até fez planos pra ir embora.

Sem nada que prenda, nada mal arriscar a vida mundo afora.

Até um trabalho bacana ela arrumou.

Poucas vezes profissionalmente o olho dela brilhou.

E quando tudo fazia sentido novamente…

Uma mensagem sua, com saudade, carente.

Chamando ela pra sair, com saudade, e contente.

Ela nem percebeu, que cilada essa que se meteu.

Aceitou o convite, já forte, não acreditava mais em sorte.

Você tava diferente, seu olhar era de um amigo confidente.

Um jantar simples, um beijo de presente.

E toda aquela sensação que um dia ela sentiu,

A dona do coraçao vazio,

Sentiu novamente.

Meses e meses foram destruídos por horas de sorrisos.

Ela disse que não sentiria de novo, não era possível ser fraca igual casca de ovo.

Se enganou novamente, fez planos, ué, você tão leve e diferente.

Ela acreditou no coração, de novo, zombou da razão.

Mas dessa vez ela cansou do jogo.

Foi lá e fez tudo o que seu coração mandou, tudo de novo:

Tomou coragem em ser a primeira a falar,

Tomou coragem e foi a primeira a brincar,

Tomou coragem e disse até que sentiu saudade, quando será que vocês iam se ver de novo?

E você diferente, foi fofo.

Atencioso e misterioso.

Não dava a resposta, mas nunca deixava ela de molho.

Mas se nao fosse a coragem dela, nada acontecia.

Teve um dia que ela parou de falar, ficou quieta e silenciou.

O que ia acontecer ela sabia, mais fingiu que não aceitou,

Voce foi embora de novo.

Do mesmo jeito, a dor no peito,um sufoco.

Dessa vez, ela cansou de se esforçar.

Tanto pra te esquecer, ou pra te fazer voltar.

E o que sobrou foi nada, um bloco de notas ao luar.

E então ela escreveu o que dá,

Porque nunca descobriu o que é amar.