Ponto de Vista

O olho que tudo vê é coletivo. A era da invasão/evasão de privacidade floresce há séculos e falar sobre isso é chover em um molhado que secou. Sim, não há mais quase espaço privado e podem usar o que você fizer contra você, ainda que momentos depois aquele você já possa ser outro(s). Mudamos muito de opinião, nos arrependemos etc.; algum dia foi diferente?

Privacidade. Quem sonha hoje com metros quadrados tão caros? Gire 360 graus, procure. Lá estarão cidadãos com seus nove décimos de calça arriada em público, querendo negar por vias tortas a solidão original. A extinção das sensações que despontam dentro de nós sem tradução, na brevidade de segundos, e não conseguimos transmitir, protocolar à posteridade antes do eclipse.

Expor-se é aliviar-se da ideia de desaparecimento. Pra isso há câmeras pra todo lado. Segurança é isso. Num mundo em que às migalhas de intimidade contrapõe-se uma muralha midiática, resta deixar-se estar e ser, passar, morrer no final com a certeza de que foi feliz como num filme de roteiro previsível.

O olho mágico é um cu apontando aos intestinos do mundo exterior. Big Brothers confinados na ficção do entretenimento. Há curiosidade pelo sexo alheio, a mesma que nos move pelo mundo real. Excitação com palmos de coxa. Quero ver você na intimidade. Gravá-lo para degustação. Mosca ou deus, não importa, gostamos mesmo é de espiar e ser espionados.

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