Cadastro Único V7 — A cada atualização, dias de sofrimento

Por Milton Rodrigues

Não é de hoje que a versão online do Cadastro Único tem lá suas deficiências. Os operadores conhecem bem essa realidade desde suas primeiras versões nos longínquos anos 2000. Fato que alguns anos atrás, apresentamos à Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (Senarc) relatórios com mais de 100 páginas dos erros e inconsistências do sistema. E lá pra cá as coisas vêm mudando, ainda que de forma lenta.

Sabemos que o sistema é gerido por um banco estatal com sede em Brasília, os datacenters no Rio de Janeiro e o serviço help desk na Bahia. Não que estas informações configurem algum tipo de deficiência no atendimento, afinal é um dos bancos mais presentes no território nacional que detém de uma boa confiabilidade, além das gerências regionais terem melhorado significativamente seus serviços.

Sua base de dados atual é gigantesca e boa parte dos brasileiros de baixa renda estão inscritos a fim de usufruírem dos benefícios sociais que têm direito. As atualizações do sistema fazem parte do contrato entre a Caixa Econômica Federal e o Ministério de Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA) e…bem — ocorrem de forma esporádica.

Recentemente, tivemos mais uma dessas atualizações com diversas melhorias conforme figura abaixo extraída do Comunicado de 02 de fevereiro de 2017 do Ministério de Desenvolvimento Social e Agrário:

Figura: Comunicado do MDSA

Desde então, as instabilidades vieram novamente à tona prejudicando quem mais precisa de acolhimento/atendimento no Sistema Único de Assistência Social — os usuários da rede socioassistencial, claro. Obviamente, os operadores/entrevistadores também sofrem por estarem na linha de frente e, muitas vezes, são responsabilizados pelo não funcionamento do sistema. O Grupo Cadastro Único Brasil no Telegram mostra o desapontamento das equipes de trabalho:

Como podemos ver, até soluções milagrosas para que o sistema retorne às suas atividades normais, as equipes têm tentado, porém sem muito êxito.

Temos possibilidade de realizar manualmente as inclusões e atualizações cadastrais, o que demanda mais tempo e um retrabalho: digitar tudo no sistema posteriormente. E as gestões municipais raramente dispõem de pessoal para isso.

A orientação para estes casos em que o sistema apresenta inconsistências é que entremos em contato com o serviço de atendimento a estados e municípios (0800) e explanar seu problema. No Brasil, este serviço nunca foi bem visto, apesar do intenso treinamento para melhoria no atendimento aos usuários. Então resolvi ligar e disponibilizar o áudio abaixo:

https://sites.google.com/a/pindamonhangaba.sp.gov.br/arquivos-musicas/arquivos-musicas/20170215_160551_caixa%20ok.mp3?attredirects=0&d=1

Depois de passar por uma incessante verificação de dados, a atendente Elaine cumpriu bem o seu papel em informar o básico e esperado. Afinal, não há como culpá-la, já que certamente, seu treinamento não prevê soluções de TI mais sofisticadas.

Estranhamente, a lentidão no sistema ocorre na semana em que a Caixa divulgou o calendário de pagamento das contas inativas do FGTS. Até que ponto isso interfere no CadÚnico é uma incógnita, porém essa relação é bem próxima por se tratar de uma mesma empresa.

O que nos tem chamado atenção é demora na resolução do problema por parte da área tecnológica da Caixa. Estamos há dias “no escuro” e só nos resta aguardar, aguardar e aguardar.

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