A história por trás das causas

Desde que decidi me assumir como ativista, trazendo pra Garopaba as metodologias experimentadas e compartilhadas pelo Meu Rio e Minha Sampa, tenho vivenciado grandes e profundos aprendizados.

Eu já havia sido responsável por uma área de apoio de comunicação aos processos de licenciamento de uma grande mineradora, ajudando a zelar pelas relações com todas as partes interessadas nos empreendimentos e, principalmente, nos seus impactos.

A bem da verdade, essa experiência teve grande influência na minha visão de mundo, pois, de certa forma, eu era uma fazedora de pontes entre mundos opostos e esse atrito provocado pelas contradições me permitia refletir e expandir minha própria consciência.

Aprendi a ouvir as histórias de vida. Mais do que isso, a absorvê-las, fosse na dança, na fixação pelas paisagens ou na observação atenta de um menino trabalhando com o seu facão, com o rádio de pilha pousado na terra árida.

De tal forma fui me abrindo para ver o outro que nunca mais pude deixar de vê-lo. E é exatamente isso que tem dado vida ao meu trabalho como ativista. Não quero mudar o mundo, quero ver a vida por outras lentes. Entender outras dores. Conhecer outras histórias.

Nesses três anos de Minha Garopaba, conheci muitas dimensões e olhares sobre a cidade. O olhar daquele que mora no ponto turístico, mas não consegue chegar ao trabalho porque o barro impede a passagem do ônibus; o olhar daquela que enfrenta todos os desafios para defender o olhar da baleia que escolheu a praia que também é sua para parir e amamentar seus filhotes; o olhar daquela filha que luta para não chegar o dia em que, não havendo mais peixes na lagoa, vai ver morrer o brilho no olhar do seu pai.

Essas e muitas outras histórias estão por trás das causas. Mobilizar-se é abrir-se para conhecê-las e apoia-las. É exercitar a empatia e agir para mudar não ao mundo — embora isso possa acontecer também — , mas a si mesmo.

Daniela Reis é ativista, iniciou a rede Minha Garopaba.

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