Quadrinhos nacionais

por Gilberto Coelho

“A vida de Jonas”, de Mago Costa

E aí, vamos falar de coisa boa?

Calma, não é da Tekpix. É melhor do que isso.

Do Superman à Mafalda, do Mickey ao Tintim, passando por Gotham City e tomando conta das séries de tv e do cinema. Pois é, jovem, sem que você tenha se dado conta, os quadrinhos deixaram de ser um produto exclusivamente nerd para se tornarem base do entretenimento de massa na atualidade.

Massa, né? \o/

É. Não discuta. \o/²

Esses personagens fazem parte do imaginário popular e, por mais que você os tenha deixado lá no início da adolescência, já percebeu que há muito deixaram de ser passatempo “infantil”.

Então vamos recapitular. Você conhece os heróis e tantos outros personagens como Peanuts, Recruta Zero, Asterix e etc. Já sabe, ou deve ter percebido, que existem quadrinhos para os mais variados públicos, com temáticas e formatos diferenciados. Então, cabe uma última pergunta: e quanto os quadrinhos tupiniquins, o que você sabe?

Aposto que pensou em Turma da Mônica, né? A garotinha que é “dona da lua” e seu coelhinho de pelúcia são unânimes quando o assunto é quadrinho nacional. Afinal de contas, todos nós já lemos o divertido universo criado pelo mito Maurício de Souza. Divertido e bastante simbólico, na verdade.

Você já parou pra pensar na importância da Mônica? Uma personagem, uma garota, como maior figura do quadrinho nacional. Que outro país tem em uma mulher como seu maior personagem nos quadrinhos? Legal, hein? E antes que você venha falar em Argentina e sua Mafalda, lá ela tem a concorrência do Eternauta. Ou seja, no Brasil quem reina em absoluto é a Mônica. Ponto pra gente. ;)

Mas, apesar de toda representatividade, a produção de quadrinhos nacionais sempre foi além do bairro do Limoeiro, e nunca esteve tão boa como agora. Sobram bons autores e excelentes publicações e, para aproveitar o Dia do Quadrinho Nacional, segue uma listinha supimpa para você.

Graphics MSP

Sabe a Turma da Mônica que você conhece? Pois bem, ela evoluiu e agora está com uma nova roupagem. Novas histórias e uma abordagem completamente nova para os já tão consagrados personagens. Ao todo, já foram lançadas 10 volumes e 2016 promete muito mais.

  • Astronauta Magnetar (2012) e Astronauta Singularidade (2014), por Danilo Beyruth.
  • Turma da Mônica — Laços (2013) e Turma da Mônica Lições (2015), por Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi.
  • Chico Bento — Pavor Espaciar (2013), por Gustavo Duarte.
  • Piteco — Ingá (2013), por Shiko.
  • Bidu — Caminhos (2014), por Eduardo Medeiro e Luis Felipe Garrocho.
  • Penadinho — Vida (2015), por Cristina Eiko e Paulo Crumbim.
  • Turma da Mata — Muralha (2015), por Artur Fujita, Roger Cruz e Davi Calil.

Luciano Salles e toda sua viagem.

Para quem gosta materiais mais experimentais, uma excelente pedida é a trilogia criada por Luciano Salles. Apesar de não serem obras que estão conectadas entre si, o trabalho do autor impressiona por seu traço marcante.

  • O Quarto Vivente
  • L’amour: 12oz
  • Limiar: Dark Matter

Bear

Bear, da Bianca Pinheiro, foi uma das sensações dos últimos anos. A webcomic, aborda a jornada de uma garotinha que se perdeu dos pais e encontra em Dimas, um urso rabugento, um parceiro nessa jornada de volta pra casa. A publicação já está no seu segundo volume e em breve será lançado na França.

E vale ficar ligado, a Bianca Pinheiro vai lançar a graphic msp solo da Mônica ainda nesse ano.

A Vida de Jonas

Saindo do humor, temos em “A vida de Jonas” do Mago Costa, que conta a história de um ex-alcoólatra abandonado pela mulher e desempregado que busca ter uma segunda chance. Além de um roteiro magnífico, a representação dos personagens como fantoches dá um toque especial ao material.

Gustavo Duarte e sua narrativa espetacular

É, eu sei que ele já apareceu lá na lista das Graphics MSP, mas não tem como falar de quadrinho nacional sem citar o trabalho espetacular do Gustavo Duarte. Seus trabalhos são divertidíssimos, além de serem aulas de narrativas.

La Dansarina

Pra fechar a lista, um dos melhores quadrinhos de 2015 — se não o melhor. La Dansarina, escrita por Lilo Parra e ilustrada por Jefferson Costa, narra a história do menino Pedro, um dos poucos sobreviventes de uma epidemia chamada de La Dansarina, em sua jornada para dar a sua mãe um enterro digno. E o melhor, esse quadrinho tem um gostinho de dendê, uma vez que saiu pelo selo baiano Quadro a Quadro. Um quadrinho de uma beleza rara.

Modéstia a parte, nessa lista só tem quadrinho de qualidade, coisa fina. Então aproveita que hoje é o Dia do Quadrinho Nacional, pega um gibi e boa leitura.