A melhor invenção do mundo

Num mundo tão cheio de novidades, quem é mesmo que faz a roda girar.

Por Kika Coutinho

Eu sei, teve a penicilina que salvou milhões. Dizem que as vacinas mudaram o mundo, e teve o telefone que revolucionou a comunicação. Ah, claro, teve a roda, invenção tida por muitos como a mais genial de todas.

Mas, posso falar? Não é.

Descobri quando estava ali, esperando a minha filha terminar a natação, e vejo uma moça chegar, com o seu bebê no colo. Observo enquanto ela faz cócegas no pé do neném. No vestiário, uma adulta lava o cabelo do seu filho, outra ajuda uma menina a enfiar o braço no buraco da blusa, enquanto uma terceira tira metade da blusa e afasta o sutiã com um único movimento, alimentando num instante seu bebê faminto. A cena é cheia de crianças, de todas as idades, sempre seguindo ou sendo seguidas por aquela que, sem sombra de dúvida, é a maior invenção da humanidade. A mãe.

A ideia genial de uma pessoa parir um neném, produzir no corpo o alimento dessa criança, sem nenhuma manivela, nenhum código de programação, nutrir essa criança sem ferramenta extra, e seguir pela vida puxando o pequeno pela mão, protegendo quando vem um carro, gritando quando sobe na estante e enxergando aquele desconforto esquisito que ninguém mais vê, é tão especialmente incrível, que, vamos combiner, nem Steve Jobs, nos seus melhores dias, criaria algo assim.

A mãe é a invenção mais preciosa e genial do planeta.

Os medicos salvam vidas, engenheiros constroem prédios, mas, desculpem, uma mãe constrói castelos para a eternidade, e é capaz de desentalar um bebê engasgado muito antes do médico sequer notar a situação.

Mães são cheias de inseguranças e temores. Mas experimente jogar seu filho no lago. Não tem medo que segure uma mulher de salvar sua cria.

Todo mundo conhece alguma história incrível de uma mãe. Quando a criança tava quase afogando na piscina, quando o menino ia pra frente do caminhão, quando o neném tava prestes a engolir a pilha. A mãe. Porque a mãe, mesmo as mais inseguras, tem uma espécie de reflexo, sangue frio, sangue quente, foco ou distração, apropriados e certeiros, direcionados para cada mínima situação. Não tem robô, computador, agente do FBI, Mariners, nada, mais MacGyver do que uma mãe. A verdadeira MacGyver.

E, até quando ela erra e não chega a tempo, e a menina se estatela no chão e sangra a boca, até ali, na falha, a quentura do colo repara a dor, a pressão exata do abraço torna o tropeço, um acerto, e a mágica se faz.

Ouvi uma vez de um obstetra, ateu convicto, que ele não acredita e não acreditará nunca em nada. Mas, de fato, cada vez que faz nascer um bebê, em um instante, um mínimo instante, um “será?” paira em seu coração. Passa logo, ele completava, encerrando o assunto.

Ah doutor… Nem vou entrar no mérito. Não importa no que você acredite. Uma mãe é capaz de fazer dúvida ao mais cético dos céticos. Porque, ainda que você não acredite em milagres, vai titubear diante dessa invenção. Vai se questionar e se encantar, não com a mãe, nem com a criança. Mas com o processo, o funcionamento, à logística e inteligência por trás dessa, que é a melhor invenção de todas. Ela, que faz milagres diários, constantes, sempre disfarçados de cotidiano. A mãe.