A volta do ainda

Se segunda feira é o dia internacional da dieta, o que será da segunda pós férias?
Hora de voltar. Voltar à rotina. Voltar a dormir cedo. Voltar a almoçar na hora do almoço e a jantar a noite. Voltar a fazer lição. Inglês, ballet e natação.
O uniforme bem passado, a lancheira caprichada. É hora de voltar.
Quando as férias acabam, acaba um pedaço precioso da infância. Acaba o pé preto de barro. Acaba o sorvete fora de hora, mas, ufa, acaba o lego a semana todinha na sala de estar.
É hora de voltar e a familiaridade da volta é sempre um lugar confortável. Ter hora pra acordar, ter os cabelos bem penteados e vestir a camiseta da escola limpinha. Aquela habitual chamada matinal, comprova que voltamos ao tempo do “ainda”.
“Ainda não levantou? Ainda não se trocou? Ainda não terminou de comer?! — Pode largar aí, to te esperando no carro!”
Mais tarde, seguimos: “Ainda não terminou essa lição?” “Ainda não foi pro banho?”
A rotina na infância clama por aindas, que desaparecem nas férias.
A partir de segunda feira muitas de nós voltamos a ser reféns do despertador, essa urgência de uma rotina apressada, onde nunca damos conta de cumprir as infinitas demandas da maternidade, e os “aindas” chovem, também sobre nós:
Ainda não acostumei com o horário, ainda não organizei a mochila, ainda não falei com a professora.
Eu sei, mas, tudo bem. O tempo do ainda pode parecer incoveniente, mas tem o seu papel. Organizar a vida e fazer caber nossas escolhas dentro de um relógio contido, tem a sua importância. Vamos equilibrar os “aindas” como pratos girando no ar, e, de um jeito ou de outro, a coisa volta a funcionar. Mas só na segunda, porque hoje ainda é sexta, e, ufa, eles ainda não cresceram.
