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Daquilo Que Eu Sei

Uma crônica da relação atual de mães e filhas modernas com a moda

Ela sai do quarto, e, aos 6, parece bastante segura ao dizer:

"To pronta, mãe."

Eu a olho, enquanto guardo o celular na bolsa, e meu coração se invade de amor e compaixão — alertado pelo meu cérebro, que se invade de pura preguiça:

“Ai filha, não dá pra ir assim.” — “Mas, mãe…”

Ela bate o pé, fazendo um bico.
O vestido de festa até que lhe cai bem. Mas o sapato com brilho ainda está enorme, e esse lenço de flor que ela amarrou na cintura? Provavelmente achou que combinaria com esse girassol brilhante que pôs no cabelo, logo atrás da tiara, e ao lado de um pseudo-rabo-de-cavalo.

“Filha, o aniversário é na fazendinha, lembra?” — “eu sei, mas eu quero mãe.”

Esqueço a preguiça racional e entrego-me à compaixão. Minha filha é uma menina, e eu sei o que é ser uma menina. Apesar de todos os desafios de educar uma mulher, conforto-me no saber. Eu sei o que é querer usar tudo. Eu sei o que é querer rodar dentro de um vestido E balançar o cabelo com flor E usar aquela tiara linda, que estava em cima da pia, afinal. Compartilho com ela, paulatinamente, coisas que só as mulheres sabem. Desde “como fazer xixi em um banheiro público” até “como ser qualquer coisa que você quiser ser sem essa bobajada de gênero”.

Me abaixei, e fiz algumas sugestōes:

“Filha, e se a gente tirar isso, trocar ali e mudar aqui?”

Ela aceitou, cedeu no cabelo mas não no vestido — e eu concordei. Quando enfim entramos no elevador, nos olhamos através do espelho, e foi aí que eu me alegrei: ela era meu espelho, eu era seu reflexo; tudo estava no seu lugar.

Kika Coutinho para MiniLou